A crise que ameaçou a pré-candidatura a governador de João Rodrigues (PSD) começou com uma troca de farpas em um grupo de WhatsApp que reúne a diretoria executiva do partido em Santa Catarina. Prefeito de Chapecó, João Rodrigues anunciou a renúncia do cargo para o próximo dia 21, para poder concorrer ao governo de SC. No entanto, entre esta quinta (12) e sexta-feira (13), a pré-candidatura dele ficou em xeque após um racha entre ele e o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, filiado ao PSD, mas alinhado politicamente ao governador Jorginho Mello (PL), provável rival de João nas urnas em outubro. Nesta sexta-feira, João Rodrigues reafirmou a condição de candidato e a permanência no PSD após um anúncio de processo de expulsão de Topázio Neto da legenda.
Continua depois da publicidade
A reportagem do NSC Total apurou que a discussão no grupo de WhatsApp ocorreu na quarta-feira (11) e começou após João Rodrigues enviar o link de uma entrevista de Topázio Neto à jornalista Soledad Urrutia, do portal Upiara. Na entrevista, Topázio afirma que ficaria no PSD, mas que apoiaria Jorginho Mello na corrida para o governo do Estado. As declarações teriam aumentado o desconforto com o prefeito da Capital, que já ocorriam pelas afirmações de apoio ao atual governador.
Veja os pré-candidatos ao governo de SC em 2026
Após enviar o link, João Rodrigues afirmou que o partido teria que tomar uma posição e que, caso contrário, estaria fora do projeto de disputar o governo. Em seguida, o ex-governador e liderança histórica do partido, Jorge Bornhausen, teria respondido pedindo “paciência” ao prefeito de Chapecó. Confira:
João Rodrigues:
[Envia link de entrevista de Topazio declarando apoio a Jorginho Mello]
Partido tem que tomar posição.
Assim, não funciona
Desse jeito, tô fora.
Continua depois da publicidade
Jorge Bornhausen:
João, política se faz com paciência.
João Rodrigues:
Respeito a quem quer representar um grupo político e não recebe apoio interno.
Após as mensagens enviadas no grupo, João Rodrigues e Jorge Bornhausen teriam conversado no privado. Nesse diálogo, o prefeito de Chapecó teria mantido a posição de defender uma punição do partido a Topázio, em função das declarações de apoio a Jorginho, para que ele mantivesse a pré-candidatura ao governo.
Após a conversa, Jorge Bornhausen teria voltado a mandar mensagem no grupo da Executiva, pedindo que João Rodrigues reconsiderasse a exigência. Em seguida, João teria saído do grupo, e Jorge Bornhausen finalizou enviando mensagem afirmando ter admiração pelo prefeito de Chapecó. Confira:
Jorge Bornhausen:
João, retire a condição de reação ao Topazio para manter a candidatura até o dia 17.
João saiu do grupo
Jorge Bornhausen
Continua sendo um bom prefeito, tenho admiração por você.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Jorge Bornhausen externou que João teria desistido da candidatura ao governo e chegou a afirmar que ele teria potencial para se eleger, mas que ele “não contém sua impetuosidade, infelizmente”, voltando a defender a paciência como uma virtude necessária na política. Na ocasião, ele chegou a citar outros nomes do partido, como de Júlio Garcia, Raimundo Colombo e Napoleão Bernardes, como possíveis substitutos no projeto do PSD.
Continua depois da publicidade
Nesta sexta-feira, no entanto, João Rodrigues também concedeu entrevista coletiva e reafirmou a pré-candidatura ao governo e a permanência no PSD. A reviravolta ocorreu após o partido anunciar a abertura de um processo de expulsão de Topázio Neto, que deve ser analisado pela cúpula estadual do partido na próxima segunda-feira (16). O prefeito de Florianópolis ainda não se manifestou sobre o procedimento anunciado pela direção do PSD.
Kassab defendeu candidatura de João Rodrigues
O assunto teria sido levado ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tanto por Jorge Bornhausen quanto pelo presidente estadual da sigla, Eron Giordani. Nas conversas, Kassab teria defendido a união do partido e tentado apaziguar a situação, mas destacou a importância da permanência de João Rodrigues na sigla e da candidatura dele ao governo para o projeto político do partido, incluindo a eleição de deputados.
Kassab teria orientado o partido a fazer o necessário para manter João Rodrigues motivado para a candidatura, mas medindo as consequências. Após os diálogos, o partido anunciou o processo de expulsão de Topázio e a manutenção da pré-candidatura de João Rodrigues.








