A Prefeitura de Florianópolis oficializou a criação do Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche (MONA), nova Unidade de Conservação (UC) que promete mudar a forma como o local será visitado e preservado. A medida, conduzida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), busca proteger a biodiversidade, ordenar o turismo e reforçar a fiscalização contra impactos ambientais.

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A ação foi oficializada em 19 de agosto deste ano e, com isso, a gestão, antes atribuída ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e mediada pela Justiça Federal, ficará à cargo do município.

A Ilha do Campeche é um dos principais cartões-postais de Florianópolis. A praia fica na região Sul da capital catarinense e atrai anualmente milhares de turistas de todo o país.

O que muda na visitação

Com a criação do MONA, o limite será de 770 visitantes por dia, podendo chegar a 800 pessoas nos meses de alta temporada, até a conclusão do Plano de Manejo, previsto para o início de 2026. Esse documento definirá regras para uso público, conservação e capacidade de carga da ilha, em conjunto com o IPHAN, que já havia tombado a área como patrimônio histórico e paisagístico em 2000.

— O prazo legal para aprovação pelo Conselho Consultivo da UC, tem o prazo máximo de até dois anos, período em que serão definidas diretrizes para o uso público, conservação e reavaliação da capacidade de carga da Ilha, em conjunto com o IPHAN — explica o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick.

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Segundo a prefeitura, a nova Unidade de Conservação não exclui os visitantes. A proposta prevê a manutenção da visitação pública de forma compatível com os objetivos de conservação, com limites mais claros, monitoramento, infraestrutura adequada e associada a ações de educação ambiental.

Para chegar na Ilha do Campeche é necessário o uso de embarcações. Ao todo, são três pontos disponíveis: na Praia da Armação, Praia do Campeche e na Barra da Lagoa. Na primeira e na última opção, a travessia é feita com barcos. Já na segunda, ocorre por meio de botes infláveis.

A permanência na Ilha do Campeche é autorizada apenas entre 9h e 17h, para turistas e visitantes.

Proteção ambiental e cultural

A criação do MONA também reforça a proteção de um dos mais importantes sítios arqueológicos do litoral brasileiro, conhecido pela grande concentração de gravuras rupestres e oficinas líticas. Além disso, a ilha terá:

  • Fiscalização ambiental intensificada para combater atividades ilegais e crimes ambientais;
  • Criação de corredores ecológicos e áreas de amortecimento no entorno marítimo;
  • Instalação de um Conselho Consultivo, com participação de órgãos públicos, sociedade civil e comunidades tradicionais;
  • Um programa de visitação monitorada, conduzido por guias credenciados.

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Turismo sustentável

A mudança também busca fortalecer o turismo de base comunitária, em contraposição ao turismo de massa que gera pressão sobre o ecossistema e o patrimônio cultural da ilha. De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick, a criação do MONA:

— Garante qualidade de vida para as comunidades do entorno, fortalece o turismo responsável e assegura que esse legado permaneça para as futuras gerações.

O que pode levar para a Ilha do Campeche

É permitido levar para a Ilha do Campeche os seguintes itens:

  • Cooler;
  • Cadeiras;
  • Guarda-sol;
  • Trajes de praia;
  • Comidas e bebidas;
  • Eventos, pesquisas e uso de imagens da Ilha só com autorização do IPHAN.

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O que não é permitido

  • Fazer churrasco ou fogo na Ilha;
  • Alimentar os Quatis;
  • Deixar o lixo na praia. Todos os resíduos devem ser recolhidos e despejados nas lixeiras;
  • Levar PETs (apenas é permitido cães-guia);
  • Introduzir ou retirar qualquer espécie de flora ou fauna;
  • Embarque de caixas de som;
  • Campismo.

Veja fotos da Ilha do Campeche

*Sob supervisão de Luana Amorim

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