Ataques contra contas bancárias de prefeituras já atingiram pelo menos três cidades do Norte catarinense. Os casos aconteceram em um intervalo de três meses. Em Jaraguá do Sul, o desvio chegou a valores milionários.

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Primeiro caso envolveu prefeitura de Irineópolis 

No início de março, a prefeitura de Irineópolis informou que foi alvo de uma fraude eletrônica que desviou R$ 500 mil do município. O golpe foi descoberto em janeiro deste ano e envolveu as contas bancárias da Caixa Econômica Federal.

Segundo o prefeito Juliano Pozzi Pereira (PSDB), o dinheiro foi transferido para pessoas jurídicas localizadas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. 

— Esses valores foram transferidos para uma manicure, uma lavação de carros e duas lojas de materiais e construção. Como isso aconteceu? Estamos investigando, a Polícia Civil está investigando. O fato é que conseguiram acessar as contas na Caixa Econômica Federal e acabaram fazendo essas transferências — conta o prefeito na época em que o caso foi divulgado, em meados de março.

A prefeitura informou que, atualmente, a situação está sob responsabilidade da Justiça, e por isso não há informações sobre prazos ou eventuais novidades. Agora, estas definições passam a ser conduzidas pelos órgãos competentes.

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Segundo golpe ocorreu três meses depois

O segundo caso, que terminou apenas em tentativa, aconteceu no último dia 17 de abril, às 10h e envolveu contas da Prefeitura de Guaramirim com o Banco do Brasil.

A tentativa de ataque foi informada nesta sexta-feira (24) pela Secretaria de Administração e Finanças e da Diretoria de Tecnologia da Informação (TI). De acordo com o governo municipal, uma tentativa suspeita de acesso aos módulos financeiros do município foi identificada e bloqueada com sucesso.

De acordo com a equipe técnica, a ação foi detectada pelos sistemas de segurança e interrompida imediatamente, sem causar qualquer impacto aos serviços, aos dados ou aos recursos públicos. “A rápida resposta garantiu a continuidade das operações e a integridade das informações”, informou a prefeitura.

A Diretoria de TI reforçou, ainda, que realiza monitoramento contínuo e atualização constante dos mecanismos de segurança, com o objetivo de proteger o banco de dados e o patrimônio financeiro do município.

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O bloqueio ocorreu de forma automática, a partir de três etapas principais:

  • Monitoramento contínuo: os sistemas identificaram que a tentativa não seguia o padrão habitual das operações financeiras;
  • Verificação de segurança: a ação não atendeu aos critérios de validação, impedindo o avanço de comandos não autorizados;
  • Resposta automática: o próprio sistema interrompeu a tentativa rapidamente, mantendo o funcionamento normal dos demais serviços.

A equipe de reportagem do NSC Total entrou em contato com o Banco do Brasil para saber mais sobre os mecanismos de segurança da instituição, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Ataque hacker desviou milhões em Jaraguá do Sul

Entre a quarta (22) e quinta-feira (23), a Prefeitura de Jaraguá do Sul foi alvo de um ataque hacker que conseguiu desviar R$ 12 milhões dos cofres públicos. Além disso, o golpista ainda tentou, por três vezes, movimentar mais R$ 28 milhões.

— Conseguimos um bloqueio manual de cerca de 95% do que pretendiam desviar (R$ 40 milhões), porém, algumas outras movimentações já tinham sido feitas anteriormente. Agora, o Município aguarda os devidos encaminhamentos legais e termino das investigações para reaver esses valores e tenho certeza que isso vai acontecer — explicou o chefe de Gabinete, João Berti.

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Assim como no caso de Itaiópolis, as contas bancárias alvos do golpe eram da Caixa Econômica Federal. A instituição informou ao NSC Total que está prestando atendimento à prefeitura e adotando as providências necessárias.

O governo municipal ainda destacou que a Administração Municipal e a instituição financeira cumprem rigorosos protocolos tecnológicos de segurança e normas de controle que utilizam medidas como monitoramento de transações suspeitas, movimentações bancárias restritas e bloqueios imediatos, com base em eventuais riscos financeiros. Inclusive, que tais mecanismos se mostraram fundamentais no fato que está sendo investigado.

— Ficou claro que houve um acesso externo no software da instituição bancária, responsável por fazer pagamentos. Sendo assim, o Município tomou as devidas precauções, fez uma notícia crime junto à Polícia Civil e encaminhou esses protocolos à Polícia Federal — esclareceu Berti.

Veja nota completa da Caixa

A CAIXA está prestando atendimento à prefeitura e adotando as providências necessárias. O banco destaca que, em caso de movimentação não reconhecida pelo cliente, é possível realizar pedido de contestação em uma das agências. O processo é analisado por equipe especializada e as informações relativas aos casos são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes para análise e investigação. O resultado também é informado ao titular da conta.

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O banco monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos de fraudes. A CAIXA possui estratégia, políticas e procedimentos de segurança para a proteção dos dados e operações de seus clientes e dispõe de tecnologias e equipes especializadas para garantir segurança aos seus processos e canais de atendimento. Como parte da atuação na prevenção dessas ocorrências, a CAIXA realiza constantemente ações de orientação e esclarecimentos a seus clientes por meio de seus canais de atendimento, site e redes sociais. Especificamente para o Poder Público, foi desenvolvida cartilha com dicas de segurança, distribuída aos clientes e disponível no site da instituição.