A Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) determinou o afastamento de cinco jogadores da seleção brasileira masculina de flag football (variante com menos contato físico do futebol americano), após o vazamento de conversas de teor misógino atribuídas aos atletas em um grupo de mensagens. Eles são investigados por uma comissão disciplinar da confederação.
Continua depois da publicidade
Os diálogos vazados, aos quais o NSC Total teve acesso, incluem referências a agressões contra mulheres, ofensas machistas e uma mensagem que sugere “mandar matar” pessoas ligadas à modalidade. Entre os alvos dos comentários estariam jogadoras e dirigentes da confederação, incluindo a presidente, Cris Kagiwara, e a vice-presidente da entidade, Rakel Barros.
Segundo o jornal O Globo, os atletas seriam João Pedro Chermont, Vitor “Pedalada” Paiva, Nicolas Quadro, Matheus “Viza” Duarte de Oliveira e Felipe Aymoré. Pelo menos dois deles já atuaram em clubes de Florianópolis: Nicolas Quadro e Matheus “Viza”.
A equipe catarinense Floripa Ghosts, onde Nicolas atua, informou que ele foi afastado enquanto houver a investigação. O time feminino Desterro Atlantis também informou o afastamento dos membros envolvidos no processo — sem detalhar nomes e as funções na equipe.
Em nota ao NSC Total, Nicolas Quadro afirmou que as mensagens foram trocadas em uma “conversa privada e informal” e sustentou que o conteúdo não reflete sua atuação profissional nem sua relação com atletas.
Continua depois da publicidade
“Tenho plena convicção que a Confederação analisará os fatos com serenidade, imparcialidade e observância do devido processo e ampla defesa. Exercerei plenamente meus direitos constitucionais na esfera administrativa, apresentando todos os esclarecimentos e elementos necessários, com confiança na entidade e no meu histórico íntegro como pessoa e atleta, defensor do País em competições nacionais e internacionais.” (Veja a nota completa abaixo)
O NSC Total tenta contato com os demais atletas citados para manifestações sobre o caso.
Mensagens citam agressão e bar de Florianópolis “bom para cometer crimes”
Os trechos vazados mostram o grupo chamando mulheres de “puta”, “piranha”, “cachorra”, entre outros xingamentos. Em uma das conversas, um dos integrantes cita uma mulher e diz: “*** eu como só pra dar umas porradas”. Outra mensagem afirma que “alguém precisa pegar essa fdp de porrada”.
Continua depois da publicidade
O grupo também cita uma casa noturna de Florianópolis como um local “bom para cometer crimes”, acompanhadas da expressão “somente U18” (termo utilizado para se referir a menores de 18 anos).
Um dos trechos cita integrantes da CBFA em uma mensagem que afirma: “temos que mandar matar ainda em 2026”, seguida de uma lista de pessoas ligadas à modalidade.
Atletas não podem participar de atividades
Em nota enviada ao Metrópoles, a CBFA informou que o afastamento permanecerá em vigor até a conclusão da sindicância interna.
“A medida permanecerá vigente até a conclusão dos trabalhos da Comissão de Sindicância ou até ulterior deliberação da Presidência da CBFA ou do órgão estatutariamente competente” afirmou a entidade.
Continua depois da publicidade
A confederação determinou que os atletas não participem de convocações, atividades das seleções brasileiras, competições nacionais, treinamentos, eventos e representações oficiais enquanto durar a investigação.
Campeonato mundial ocorre em agosto
O caso ocorre a poucas semanas do Campeonato Mundial de Flag Football, marcado para ocorrer entre 13 e 16 de agosto, em Düsseldorf, na Alemanha. Além disso, a modalidade vive um momento de crescimento internacional e fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
O que é o flag football?
O flag football é um esporte consiste em uma variação do futebol americano com menos contato físico, na qual, ao invés de derrubar o adversário com um tackle para parar a jogada, o atleta deve retirar uma fita (a flag) que está presa a um cinto na cintura do rival.
O que diz Nicolas Quadro
“Esclareço que as mensagens faziam parte de uma conversa privada e informal entre várias pessoas de um grupo fechado, não representando minha vida profissional e o meu trato com atletas e a sociedade.
Continua depois da publicidade
Há mais de sete anos atuo na construção e no desenvolvimento de um projeto esportivo de flag football masculino e feminino. Ao longo desse período, tive a oportunidade de trabalhar diretamente na formação esportiva e pessoal de dezenas de atletas, homens e mulheres, incentivando sua participação, crescimento e permanência no esporte. Esse trabalho sempre foi pautado pelo compromisso com o desenvolvimento humano, pelo respeito e pela criação de oportunidades para que atletas possam evoluir dentro e fora dos campos.
Ressalto ainda que todo o procedimento instaurado tramita sob sigilo. Tenho plena convicção que a Confederação analisará os fatos com serenidade, imparcialidade e observância do devido processo e ampla defesa. Exercerei plenamente meus direitos constitucionais na esfera administrativa, apresentando todos os esclarecimentos e elementos necessários, com confiança na entidade e no meu histórico íntegro como pessoa e atleta, defensor do País em competições nacionais e internacionais.
Permaneço colaborando com os procedimentos em curso e reafirmo meu compromisso com os valores do respeito, da ética e da responsabilidade.”

