Deputados federais e senadores de Santa Catarina se dividiram entre cautela e manifestações de defesa ao pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação do áudio enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro em setembro do ano passado. Na gravação, o senador pede dinheiro para custear o filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A maior cobrança por explicações e apurações do caso veio dos parlamentares petistas de SC.
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O episódio foi revelado nesta quarta-feira (13) em reportagem do Intercept Brasil e caiu como uma bomba no mundo político e no entorno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. No último fim de semana, Flávio esteve em Santa Catarina para um encontro estadual em que foram lançadas as pré-candidaturas do partido no Estado.
Flávio chegou a usar uma camiseta com uma frase relacionando o escândalo do Banco Master com o governo Lula. Em entrevista ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, Flávio comentou o caso Master e tentou relacioná-lo ao PT e a Lula.
Apesar do impacto da divulgação do áudio no mundo político, na bancada catarinense o assunto por ora foi pouco comentado publicamente. Até o fim da manhã desta quinta-feira (14), somente dois senadores e sete deputados federais de SC haviam feito publicações em redes sociais ou respondido à reportagem do NSC Total com posicionamentos sobre o áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Outros três deputados federais optaram por somente compartilhar o vídeo feito por Flávio Bolsonaro ainda na quarta-feira para se defender das acusações. Na gravação, ele afirma que o dinheiro mencionado para pagamentos de despesas do filme seria privado.
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Apesar da defesa do senador, o banco liquidado pelo Banco Central está sendo investigado por suposto recebimento de recursos de fundos estaduais de previdência a título de investimento. Seis deputados não comentaram o caso até o momento (veja lista ao final da matéria).
Petistas encampam cobrança a Flávio
As principais cobranças sobre a conduta de Flávio Bolsonaro nos contatos com Vorcaro vieram dos deputados petistas de Santa Catarina. Ana Paula Lima (PT) questionou “de quem seria o Master”, em alusão à camiseta usada por Flávio Bolsonaro no evento em SC que relacionava o escândalo a Lula, e respondeu que o tema seria “dos Bolsonaros”.
Líder do PT na Câmara dos Deputados, o catarinense Pedro Uczai fez uma postagem na rede social X (antigo Twitter) afirmando que o caso requer apuração imediata. “As mensagens revelam intimidade, dependência financeira e cobrança por novos repasses. Flávio chamava Vorcaro de ‘irmão’, agradecia dizendo que ‘tudo isso só está sendo possível por causa de vc’ e pedia socorro para não perder contrato, ator, diretor e equipe. O caso tem cara de financiamento político disfarçado de cinema”, escreveu.
Relembre caso do Banco Master
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Deputado do Novo também cobrou explicações
Outra mensagem que cobrou explicações a Flávio Bolsonaro veio do deputado federal catarinense Gilson Marques, do Novo — mesmo partido do presidenciável Romeu Zema, que nesta quarta-feira classificou a conduta de Flávio como “imperdoável” e um “tapa na cara do Brasil”.
Ao responder questões de uma caixa de perguntas aberta em seu perfil no Instagram, Gilson Marques comentou o áudio de Flávio. “Falar com um investigado no maior golpe financeiro da história do país um dia antes de sua prisão é gravíssimo. É o mesmo que Moraes fez e denunciamos, não teria por que ser diferente agora”, escreveu.
O parlamentar, no entanto, amenizou o tom das críticas ao afirmar que o episódio pode fortalecer a pré-candidatura de Lula (PT) e desviar o foco dos projetos presidenciais da direita. Ele também defendeu que ele e Flávio Bolsonaro assinaram o pedido de abertura da CPI do Master, creditando a não abertura ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Por fim, não deixou de cobrar explicações ao presidenciável do PL.
“Do Flávio eu espero o mesmo que todo brasileiro de bem: explicações e hombridade para assumir qualquer ilegalidade que tenha participado”.
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O deputado Carlos Chiodini (MDB) também defendeu que o caso exige apurações e que Flávio deve explicar qual seria sua relação com o banqueiro dono do Banco Master. “A sociedade merece saber o que de fato aconteceu”, afirmou, em nota (leia íntegra ao final da matéria).
Seif e Júlia Zanatta saem em defesa de Flávio
A defesa de Flávio Bolsonaro foi feita por dois parlamentares de SC bastante identificados com o bolsonarismo. A deputada federal Júlia Zanatta (PL) publicou um vídeo nas redes sociais com uma legenda que questionava a postura de Zema, de criticar o filho do ex-presidente após a divulgação do áudio enviado a Vorcaro.
“Zema não esperou UM DIA para usar Flávio como trampolim. Até ontem queria ser vice, hoje já falou “IMPERDOÁVEL”. Isso não é aliado. FLÁVIO PRESIDENTE”, escreveu. Procurada pelo NSC Total, a deputada informou via assessoria que não iria se manifestar sobre o episódio.
Já o senador catarinense Jorge Seif (PL) compartilhou o vídeo de Flávio Bolsonaro. Na legenda, publicou um texto em defesa do presidenciável do partido. Seif argumentou que em setembro de 2025, época do áudio, Vorcaro seria um “banqueiro respeitado, frequentava os grandes círculos do poder e se reunia com ministros, autoridades, parlamentares e empresários. Ninguém sabia dos bastidores obscuros que vieram à tona”.
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Seif alegou ainda que Flávio não teria como prever os fatos que ocorreram já nos dias seguintes ao áudio, com a prisão de Vorcaro e as revelações sobre as suspeitas em torno do banco. “Relacionamento institucional, apoio cultural ou diálogo político não transformam ninguém em cúmplice de crimes futuros. O Brasil precisa parar de condenar pessoas retroativamente com base em fatos que só aconteceram depois. Estamos juntos meu amigo @flaviobolsonaro”, publicou.
A reportagem do NSC Total fez contato com a assessoria dos deputados e senadores de SC para pedir se eles teriam manifestações a respeito do episódio. Caso novos posicionamentos sejam enviados, eles serão atualizados.
Confira as posições dos parlamentares de SC
DEPUTADOS FEDERAIS
- Ana Paula Lima (PT)
“De quem é o Master mesmo? É dos Bolsonaros. Criminosos e mentirosos! Que usam Santa Catarina para palco e sorriem mentindo sem remorso na cara do povo”, escreveu, em publicação no Instagram.
- Carlos Chiodini (MDB)
O deputado respondeu via assessoria de imprensa defendendo investigações e esclarecimentos sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. Leia a íntegra:
“O escândalo envolvendo o Banco Master precisa de esclarecimentos urgentes. O pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, por parte do senador Flávio Bolsonaro precisa de uma apuração coerente. Pedido privado ou não, o senador, que é pré-candidato a presidência, deve explicar qual é a sua relação com o dono do banco, envolvido na maior fraude bancária da história do Brasil. Se houve irregularidades, os envolvidos devem arcar com as consequências.
E não podemos esquecer que esse rombo financeiro tem muitas pessoas prejudicadas. Quem foi lesado, quem tinha conta no banco liquidado ou quem teve o dinheiro da aposentadoria, envolvido no caso, merece respeito e justiça. A sociedade merece saber o que de fato aconteceu”. - Carol De Toni (PL)
A deputada republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro.
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- Daniel Freitas (PL)
O deputado republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro, e acrescentou na legenda um pedido de CPI sobre o caso: “CPI DO MASTER JÁ!”. Nesta quinta, via assessoria, o deputado divulgou um posicionamento em que defende que o senador não teria cometido nenhuma ilicitude. Leia abaixo a íntegra:
“Se Flávio quisesse esconder alguma coisa, não apoiaria uma CPI para investigar o Master. Aliás, quem não assinou até agora foram os parlamentares de esquerda. Por que será? Flávio não cometeu nenhuma ilicitude; não houve relações espúrias ou oferta de vantagens. Flávio está em primeiro lugar na grande maioria das pesquisas e, diante disso, será atacado diuturnamente por seus algozes até outubro. Seguiremos firmes”.
- Daniela Reinehr (PL)
A deputada republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro, e acrescentou na legenda críticas ao PT, utilizando emojis atentos para ilustrar o que seria “o PT criando narrativas” e bonecos sonolentos em alusão ao momento de “O PT votando pela CPI do Master”.
- Gilson Marques (Novo)
Ao responder sobre o assunto em uma caixa de perguntas em seu perfil no Instagram, o deputado comentou o caso: “Falar com um investigado no maior golpe financeiro da história do país um dia antes de sua prisão é gravíssimo. É o mesmo que Moraes fez e denunciamos, não teria por que ser diferente agora”. O parlamentar também alertou que o episódio poderia fortalecer a pré-candidatura de Lula e do PT e defendeu que Flávio assinou pedido de criação de CPI sobre o caso Master. Por fim, disse esperar explicações do senador sobre o episódio: “Do Flávio eu espero o mesmo que todo brasileiro de bem: explicações e hombridade para assumir qualquer ilegalidade que tenha participado. Precisamos de homens públicos sem rabo preso para o desafio que vem adiante”.
- Ismael (PL)
O deputado republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro.
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- Julia Zanatta (PL)
A deputada publicou um vídeo no Instagram em que critica na legenda a manifestação do ex-governador de Minas Gerais, o presidenciável Romeu Zema (Novo). “Zema não esperou UM DIA para usar Flávio como trampolim. Até ontem queria ser vice, hoje já falou ‘IMPERDOÁVEL’. Isso não é aliado. FLÁVIO PRESIDENTE”, escreveu.
- Pedro Uczai (PT)
A prisão de Daniel Vorcaro joga luz sobre uma relação que precisa ser investigada a fundo: segundo o Intercept, Flávio Bolsonaro tratava diretamente com o dono do Banco Master sobre milhões de dólares para financiar o filme de propaganda política de Jair Bolsonaro. As mensagens revelam intimidade, dependência financeira e cobrança por novos repasses. Flávio chamava Vorcaro de “irmão”, agradecia dizendo que “tudo isso só está sendo possível por causa de vc” e pedia socorro para não perder contrato, ator, diretor e equipe. O caso tem cara de financiamento político disfarçado de cinema. Um banqueiro investigado, um banco que acabou em liquidação e o filho de Bolsonaro negociando milhões para bancar a construção de uma narrativa eleitoral. Isso exige apuração imediata”, escreveu o deputado e líder do PT na Câmara, em post na rede social X.
- Ricardo Guidi (PL)
O deputado republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro.
- Zé Trovão (PL)
O deputado republicou o vídeo de Flávio Bolsonaro em que ele se defende das acusações e nega ilegalidades nos contatos com Vorcaro, e acrescentou na legenda a seguinte frase: “Chegou a hora de separar os bandidos dos inocentes custe o que custar CPMI do Master Já!”
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Não comentaram o caso:
- Geovania de Sá (Republicanos)
- Cobalchini (MDB)
- Fábio Schiochet (União)
- Jorge Goetten (Republicanos)
- Rafael Pezenti (MDB)
SENADORES
- Jorge Seif (PT)
O senador publicou um texto no Instagram em que afirma que “em setembro de 2025, Daniel Vorcaro era um banqueiro respeitado, frequentava os grandes círculos do poder e se reunia com ministros, autoridades, parlamentares e empresários. Ninguém sabia dos bastidores obscuros que vieram à tona”. Ele afirma que o senador não teria como prever os fatos que ocorreram nos meses seguintes, com as investigações sobre Master, e finalizou com mensagem de apoio ao presidenciável. “Relacionamento institucional, apoio cultural ou diálogo político não transformam ninguém em cúmplice de crimes futuros. O Brasil precisa parar de condenar pessoas retroativamente com base em fatos que só aconteceram depois. Estamos juntos meu amigo @flaviobolsonaro”.
- Esperidião Amin (PP)
O senador comentou o caso em entrevista à reportagem do NSC Total. Confira abaixo a resposta do senador sobre o episódio envolvendo Flávio e Vorcaro:
Meu posicionamento é o mesmo: assinei todos os pedidos de CPI sobre o Banco Master. Eu ajudei no grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) a retirar as provas que estavam no gabinete do presidente do Senado e devolvê-las à Polícia Federal. Ajudei a pressionar para que o inquérito saísse nas mãos do Toffoli e fosse às mãos de outro relator, o André Mendonça, e estou satisfeito com essa mudança. Agora, está provado o seguinte: nós precisamos da CPI do Master. Agora parece que todos concordam.
Não conheço o suficiente [sobre o áudio de Flávio Bolsonaro], não sou juiz. Acho que a investigação deve prosseguir. Esse caso não pode ser julgado sem, primeiro, se esclarecer o contexto, e, segundo, sem o direito de defesa. Eu defendo a investigação pela PF e pela CPI.
Não comentaram o caso
- Ivete da Silveira (MDB)






