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Saúde

Aumentam os casos de intoxicação de crianças com álcool em gel, alerta pediatra

Uso do produto para higienização durante a pandemia exige atenção dos pais

12/06/2020 - 10h49 - Atualizada em: 12/06/2020 - 11h08

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Juliana
Por Juliana Gomes
Uso frequente do álcool em gel expõe as crianças ao risco de acidentes
Uso frequente do álcool em gel expõe as crianças ao risco de acidentes
(Foto: )

De janeiro a abril deste ano, houve um aumento no número de crianças intoxicadas por álcool em gel no país, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram 108 registros no país em 2020, frente a 17 casos em 2019, o que representa um aumento de 535,2%. A maioria dos acidentes ocorrem em casa.

Em entrevista ao Notícia na Manhã, a presidente do Departamento Científico de Toxicologia da Sociedade Catarinense de Pediatria Fabíola de Moura Cremonese de Mello alertou para a importância de manter o produto longe das crianças especialmente neste período de enfrentamento do coronavírus.

- O que tem acontecido é que elas têm mais acesso ao álcool que está nas residências em todos os momentos para higienização de mãos, as crianças pequenas acabam se confundindo e, na curiosidade, ingerem o álcool. Elas bebem o álcool, umas porque se confundem com água, se ele estiver em um recipiente diferente da sua embalagem original, e as menores bebem para explorar, para saber o que é aquilo em que os pais estão mexendo – explicou Fabíola.

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Fabíola de Moura Cremonese de Mello explica que as crianças menores são as mais expostas ao risco de intoxicação, pois até dois anos, é próprio do desenvolvimento infantil usar a boca para explorar o ambiente.

- A ingestão de pequenas quantidades vai causar reações menores e de grande quantidades problemas mais graves. A maioria das intoxicações de crianças acontecem na residência, mas em qualquer ambiente em que a criança não esteja sob supervisão e tenha acesso ao álcool em gel, pode acontecer um acidente – enfatizou.

Fabíola destaca que os produtos de limpeza em geral devem ser um ponto de atenção dos pais e responsáveis, especialmente neste período em que a população está fazendo uso, com mais frequência do que o normal, de produtos para desinfecção de ambientes.

- Então, cabe realmente aos pais manter esse produto fechado e longe das crianças, em armários com travas ou que estejam em uma altura em que a criança não tenha acesso. O levantamento maior (feito pela Anvisa) foi sobre o álcool, mas também aumentou o número de casos com outros produtos, por exemplo, a água sanitária que também tem sido bastante utilizada na limpeza da casa – relatou.

Nos casos de intoxicação, a população deve entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (0800 643 5252) e buscar atendimento de emergência pediátrica.

Ouça a entrevista:

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