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Saúde

Aumento de casos de Covid e servidores doentes provocam filas nos AGs de Blumenau

Pacientes relatam espera de até 6 horas no ambulatório da Fortaleza; prefeitura tenta agilizar contratações para suprir necessidades

17/01/2022 - 11h22 - Atualizada em: 18/01/2022 - 06h23

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Talita
Por Talita Catie
Imagem do AG Fortaleza por volta das 10h desta segunda-feira
Imagem do AG Fortaleza por volta das 10h desta segunda-feira
(Foto: )

A segunda-feira (17) começou com longa fila de pacientes no Ambulatório Geral (AG) da Fortaleza, em Blumenau. Imagens feitas nas primeiras horas da manhã mostram dezenas de pessoas aguardando embaixo de uma tenda e outras sentadas nas calçadas do entorno da unidade. 

Elas relataram ter ouvido das equipes que o tempo médio de espera por atendimento poderia chegar a pelo menos seis horas. A prefeitura diz que está trabalhando para contratar mais profissionais e ampliar as equipes — muitas defesadas por causa de servidores infectados. 

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Ana Martin, de 40 anos, começou a busca por testagem para Covid-19 indo primeiro ao AG do Centro nesta manhã. Ela afirma que não havia fila no local, porém não foi atendida por estar fora da região onde mora. Saiu dali então e se dirigiu a um posto de saúde no bairro Tribess, onde, segundo a mulher, havia apenas 3 pessoas aguardando. 

Novamente foi orientar a buscar o AG Fortaleza, o mais perto da residência dela.

— Cheguei [no AG Fortaleza] por volta das 8h e a fila já estava enorme. Para você ter uma ideia, em recebi a senha 31, mas eles ainda estavam atendendo a 930 [que ia até mil e depois recomeçava]. É incontável o tanto de gente que tem aqui. A enfermeira falou que leva de seis a sete horas para atender — relata Ana.

A paciente conta que ao chegar na unidade o paciente recebe uma senha para passar por triagem. Nesta etapa é verificada a indicação para fazer o teste de Covid, recomendado a partir do terceiro dia de sintomas. Depois, espera o resultado e, se for positivo, entra em outra fila para consulta com médico. Se algum remédio for receitado, precisa passar pela farmácia.

Para tentar dar conta da alta demanda, a equipe do AG Fortaleza foi dividida em duas. Uma para casos gripais e outra para as demais queixas. Ainda assim, o que o fotógrafo do Santa, Patrick Rodrigues, viu nesta manhã de segunda-feira foi muita gente em busca de atendimento nas duas filas.

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Assista ao vídeo gravado por uma paciente nesta manhã no AG Fortaleza

A situação vem se repetindo desde o começo do mês, quando a cidade passou a ter recordes diários de novos casos de Covid-19. Neste domingo (16), o número de pessoas com o vírus ativo em Blumenau chegou a 4.741 — o maior número deste o início da pandemia. O aumento, porém, não reflete nas UTIs, que estão com uma taxa de ocupação de 9,1%. 

Diferente de outros momentos da pandemia, quando os hospitais sentiam o impacto do crescimento na curva de casos, agora são os pontos de saúde que recebem a maior demanda.

Com a circulação de uma variante menos letal, mas mais transmissível, o cenário atual impacta nas unidades básica e também reflete na quantidade de servidores da saúde infectados, o que torna complicado o atendimento na porta de entrada dos pacientes com suspeita de Covid. 

A prefeitura informou na semana passada que tinha quase 100 profissionais da saúde afastados por Covid-19 e anunciou ter chamado servidores que estavam de férias para tentar da conta da quantidade de pacientes.

Só nos AGs a busca por serviços médicos dobrou na primeira semana de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Promoção da Saúde. O impacto também foi sentido nos prontos-socorros dos hospitais. Todos emitiram comunicado alertando para um volume elevado de pacientes que reflete no tempo de espera por uma consulta.

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) anunciou na semana a abertura de um processo seletivo para ampliar as equipes nos postos. Outra solução encontrada pelo município foi firmar parceria com empresas para coleta de exames de Covid, como mostrou o colunista Pedro Machado. 

Nesta segunda-feira (17), duas unidades de ESF não abriram as portas porque a maioria dos funcionários estava com Covid-19, com suspeita ou teve contato com alguém infectado. No posto Harold Ewald, no bairro Itoupavazinha, cinco dos seis funcionários estão afastados. A única profissional que não contraiu o vírus foi realocada para a ESF Frederico Jensen, para ajudar no atendimento lá.

> Blumenau fecha duas unidades de saúde por causa de profissionais com Covid-19

Imagem da ESF Frederico Jensen na manhã desta segunda-feira. Unidade está atendendo os pacientes da ESF ESF Harold Ewald, fechada porque os funcionários estão com Covid-19
Imagem da ESF Frederico Jensen na manhã desta segunda-feira. Unidade está atendendo os pacientes da ESF ESF Harold Ewald, fechada porque os funcionários estão com Covid-19
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Contraponto

A assessoria de imprensa da prefeitura diz que tem se empenhado para conseguir comportar a alta demanda buscando mais profissionais, mas que muitos também têm sido acometidos pelo coronavírus.

No caso específico do AG Fortaleza aponta não ser possível determinar se os pacientes que estão na fila nesta segunda-feira (17) apresentam sintomas gripais, suspeita de Covid ou qual outra queixa, pois muitos ainda nem passaram pela triagem.

A Secretaria de Saúde apela para que os pacientes, sobretudo aqueles com sintomas leves, busquem atendimento nos postos de saúde perto de casa. E só se dirijam aos AGs em casos mais graves ou quando o ambulatório for a unidade de referência do paciente.

Confira abaixo nota da prefeitura: 

A Prefeitura de Blumenau informa que o número de atendimentos nos Ambulatórios Gerais aumentou consideravelmente nas últimas duas semanas, assim como na rede privada. Nas duas primeiras semanas de janeiro, foram feitos mais de 170 mil atendimentos na atenção básica.

No mesmo período do ano passado, os Ambulatórios Gerais fizeram cerca de 110 mil atendimentos entre consultas médicas, vacinação, dispensação de medicação e outros atendimentos ofertados nas duas primeiras semanas do ano. A Secretaria de Promoção da Saúde identificou que a grande maioria dos atendimentos de síndromes gripais, são casos de sintomas leves que poderiam ser atendidos pelas equipes de saúde das unidades ESF.

O poder público reforça que segue trabalhando para contratar novos profissionais para reforçar as equipes, mas que há dificuldade de encontrar profissionais. Atualmente, 66 vagas estão disponíveis no processo seletivo que está em aberto e terá convocação nesta segunda-feira, dia 17, a partir das 18h no Salão Nobre.

Orientação do especialista

As regras de manter distanciamento social e usar máscaras seguem valendo. Mas o infectologista Amaury Mielle faz um alerta adicional. A variante Ômicron, predominante no Brasil, é muito mais transmissível e máscaras de pano, por exemplo, não protegem o suficiente. O recomendando é usar máscara N95 ou cirúrgicas.

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