A quantidade de pessoas obesas no Brasil aumentou nos últimos 30 anos. Os dados fazem parte de uma pesquisa publicada na revista Lancet, que reuniu dados de mais de 200 milhões de pessoas em 196 países e contou com a participação de pesquisadores catarinenses. Apenas no Brasil foram utilizados dados de 800 mil pessoas.

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Os resultados mostraram que o percentual de pessoas obesas quase triplicou nos últimos 32 anos, passando de 11,9% em 1990 para 32,6% em 2022.

O estudo comparou a quantidade de pessoas obesas em 1990 e em 2022, e contou com a participação de mais de mil pesquisadores. A catarinense Suzana Cararo Confortin, do programa de pós graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), fez parte do grupo por meio do estudo EpiFloripa Idoso, que tem um recorte em Florianópolis.

— A gente avalia os idosos acima de 60 anos ao longo do tempo. A nossa primeira pesquisa foi em 2009. Esses dados são coletados em determinados momentos e analisados. O grupo de colaboração tem acesso a esses dados e aí eles analisam junto com todos os outros — diz a pesquisadora.

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A catarinense explica que, no mundo, mais de 1 bilhão de pessoas tem obesidade. Isto quer dizer que uma a cada oito pessoas são obesas. Já no Brasil, o que mais impactou na taxa geral da população é que um a cada três pessoas são obesas, demonstrando um percentual muito maior do que no resto do mundo. 

Os dados relacionados ao Brasil mostram que, entre os adultos, 27 milhões de mulheres eram consideradas obesas em 2022, o que significa um aumento de mais de 20% em relação aos números de 1990. Já entre os homens, o aumento foi de pouco menos de 20%, com um total de 19 milhões de obesos em 2022.

Esse crescimento da doença na população adulta preocupa os especialistas. Segundo Leandro Avany Nunes, médico especialista em obesidade, parte da população brasileira já atingiu o nível de obesidade mórbida.

— Aquela obesidade grave, a que a gente chama obesidade mórbida, que causa muitas doenças, a gente já tem de 5 a 7% da população com ela. Por isso que é um ponto de atenção, estamos chegando a níveis críticos. A obesidade já está sendo tratada e encarada assim como foi o tabagismo há 20 anos atrás. — diz o especialista.

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Obesidade em crianças e jovens

Segundo os dados de 2022, pouco mais de 3 milhões de meninas entre 5 e 19 anos são consideradas obesas no Brasil. Um número 11% maior que em 1990. Já entre os meninos, a quantidade de obesos chegou a quase 4 milhões, um crescimento de 14% no período.

A nutricionista infantil Gabriela Búrgio diz estar atendendo cada vez mais casos de obesidade em crianças.

— Antigamente, a preocupação com as crianças no Brasil era a desnutrição. Hoje estamos entendendo que a obesidade e sobrepeso estão tomando conta. Isto porque a indústria de alimentos ultraprocessados está crescendo muito. Hoje em dia, um cacho de banana está mais caro do que um pacote de bolacha recheada — explica a nutricionista.

Perspectiva para o futuro

O médico Leandro Avany Nunes reforça que geralmente a doença está ligada à genética. Nesses casos, os pacientes precisam fazer tratamentos específicos para pessoas obesas e não para o comportamento alimentar.

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— Existem basicamente três tipos e tratamento para obesidade: o clínico, que é comportamental, ou seja, trata através de dieta, exercício e medicação. Existe também o tratamento através do balão intragástrico, e a cirurgia bariátrica, que é um combate específico à doença — explica o médico.

A pesquisadora Suzana aconselha à conscientizar as próximas gerações para mudar este cenário no futuro:

— A gente precisa pensar em políticas públicas para conscientizar as crianças, investindo em conscientização nas escolas para prevenção e promoção de hábitos saudáveis.

*Sob supervisão de Luana Amorim

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