Nos últimos anos, a literatura erótica conquistou um espaço significativo no mercado editorial brasileiro. Com um público crescente e uma comunidade engajada, o mercado editorial tem se adaptado, trazendo novos formatos e produtos que vão além do livro impresso. Eventos literários, brindes e edições ilustradas se tornaram estratégias essenciais para conquistar novos leitores.
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Entre os nomes brasileiros que impulsionam esse gênero está Mila Wander, escritora pernambucana que, ao longo de mais de 12 anos de carreira, consolidou-se como uma das principais vozes do segmento, já possuindo mais de 40 obras publicadas e o alcance de mais de 4 milhões de leitores.
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Em entrevista ao NSC Total, Mila destaca como o crescimento do gênero erótico na literatura contemporânea, impulsionado por best-sellers nacionais e internacionais, mudou nos últimos anos e vêm conquistando cada vez mais o público brasileiro.
— A literatura erótica contemporânea veio com tudo, como uma onda que veio para ficar. No início, ainda existia um receio, uma dúvida sobre a aceitação do público e existia um padrão muito fixo. Hoje, isso mudou. O público está mais acostumado com essa narrativa, espera um aprofundamento e temos uma diversidade maior de personagens e enredos —, afirma a autora.
Dark romance
O gênero dark romance tem conquistado um público cada vez maior, principalmente impulsionado pelo sucesso nas redes sociais. No TikTok, a hashtag #darkromance ultrapassou 1,5 milhão de vídeos e 8,4 bilhões de visualizações em 2024.
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O romance sombrio mergulha em temas que, muitas vezes, flertam com o proibido, trazendo protagonistas moralmente ambíguos e relações que oscilam entre o desejo e a redenção. Para muitos leitores, essas histórias representam uma fuga intensa da realidade, um convite para sentir na pele o arrebatamento e a tensão de amores que desafiam convenções.
Segundo Mila, a literatura erótica e o dark romance sofreram mudanças ao longo dos anos. De enredos focados em submissão e padrões, como a secretária que se apaixona pelo CEO poderoso, a narrativa passou a explorar relações mais diversas e dinâmicas. O gênero também tem sido influenciado por fenômenos culturais, como séries, filmes e até eventos mundiais.
— Existem fenômenos que vêm de fora, com determinadas temáticas, influenciados pelo entretenimento em geral, como séries, filmes e eventos, como Olimpíadas, por exemplo. Normalmente, os livros trazem o imaginário do homem que faz tudo pela mulher, o homem protetor capaz de atrocidades para protegê-la. O homem que é mau com todos, menos com ela —.
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Desafios do gênero
Mas um dos desafios da literatura erótica é equilibrar o romance e a sensualidade, sem reduzir a história apenas ao sexo. Para Mila esse é um dos aspectos mais importantes:
— Os livros são romances e, sim, têm cenas explícitas, mas existe uma história por trás. Muita coisa acontece antes do momento erótico. Não é pornografia, é um romance que explora todas as suas dimensões. Ao invés de fechar a porta e dizer ‘eles se amaram a noite inteira’, a gente conta tudo o que acontece entre quatro paredes —.
O mais recente lançamento da autora, “Obcecada pelo Mafioso”, segue essa linha. O livro narra a história de Cris, uma estudante que, ao costurar o ombro baleado de um mafioso chamado Miguel, entra em um mundo de perigo e desejo. A obra apresenta uma paixão ardente e cenas que exploram a forte atração entre os personagens. “O desejo entre os dois aumenta a ponto de não conseguirem se segurar. Agora, o leitor terá de descobrir se esse sentimento pode se transformar em amor e se Cris sobreviverá para aproveitá-lo”.
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A evolução da narrativa erótica e seus Fenômenos
A literatura erótica também se tornou um espaço para discussões sobre relacionamento, prazer e empoderamento feminino. Em seu clube de leitura, Mila compartilha que esse ambiente se tornou um espaço seguro para mulheres falarem sobre suas experiências. — O público que consome livros eróticos aumentou muito nos últimos anos. Hoje, há um sentimento maior de pertencimento, e a literatura erótica se tornou mais do que um gênero: virou um espaço de conversa, de trocas e de liberdade —.
No clube do livro da Mila há 700 mulheres falando abertamente sobre os livros, sobre sexualidade e sobre as histórias de vida. “É uma comunidade que se apoia e divide angústia e experiências”. No grupo há também o compartilhamento de elementos que tem impulsionado o sucesso do segmento: ilustrações explícitas de personagens e cenas dos livros.
— Os leitores têm curiosidade de saber quem seria para cada personagem. Hoje, já defino os avatares, para que quem leia consiga visualizar melhor. Isso ajuda na divulgação dos livros, além de ser um atrativo. Tenho leitoras que colecionam ilustrações e compartilham com outras, que acabam consumindo os livros por causa disso —.
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O uso da tecnologia também se tornou essencial para a interação com os leitores. —Hoje, utilizamos uma tecnologia robotizada: quando alguém comenta uma palavra específica no Instagram, a tecnologia faz o envio automático de ilustrações e materiais exclusivos, sem precisar de um trabalho manual. Isso é um diferencial para o engajamento —, finaliza.
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