O bebê de dois meses, que morreu após dar entrada em um hospital em São João Batista, na Grande Florianópolis, na madrugada desta terça-feira (5), tinha sinais de desnutição e problemas de saúde, informou o médico legista. Ainda assim, a causa da morte da criança segue sendo investigada pela Polícia Civil. Ninguém foi preso até esta quarta-feira (6) por envolvimento no caso.

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O caso foi registrado por volta de 05h30min de terça-feira após o bebê ser encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com parada cardiorrespiratória. Em depoimento à polícia, a cuidadora do bebê relatou ter acordado por volta das 03h50min para alimentar a criança, quando percebeu que o bebê já estava frio. Ela informou que teria avisado a mãe da criança e acionado o Samu.

A mãe, por sua vez, informou que estava trabalhando no período noturno, tendo tomando ciência do caso após ser chamada .As duas responsáveis foram levadas para a delegacia para adoção das providências legais cabíveis.

A polícia investiga suspeitas de maus-tratos, omissão de socorro ou outra conduta que possa ter levado a morte do bebê. A mãe e a babá não foram presas.

Bebê apresentava sinais de desnutrição

De acordo com a Polícia Civil, a criança pesava menos de dois quilos (cerca de 1,9 quilos), apresentava costelas aparentes, pele ressecada e sinais compatíveis com desnutrição proteico-energética.

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Apesar do baixo peso alarmante para a idade, o médico legista responsável pelo exame cadavérico esclareceu que não é possível, neste momento, atribuir a condição à negligência ou omissão de socorro. Segundo a perícia, o bebê apresentava uma série de malformações, incluindo fenda palatina (abertura no céu da boca); micrognatia (mandíbula excessivamente pequena) e crânio de tamanho reduzido.

Perícia não encontrou sinais de maus-tratos

O perito também informou que não encontrou indícios de maus-tratos no exame cadavérico. Segundo ele, não havia lesões externas ou internas decorrentes de causa externa ou de instrumento. D ea cordo com a Polícia Civil, a informação afasta, neste momento, a existência de sinais físicos objetivos de violência ou agressão contra a criança.

O médico legista também explicou que não havia comida no canal da respiração e que os pulmões não mostravam sinais de falta de ar. Por isso, mesmo que a abertura no céu da boca (fenda palatina) possa dificultar o comer e facilitar que a criança se engasgue, o exame feito no corpo não encontrou nenhum resto de comida ou líquido nos pulmões. Isso afasta, por enquanto, a ideia de que a morte tenha sido causada por descuido na hora de alimentar o bebê ou por ele ter aspirado a comida.

O perito também explicou que a cirurgia para corrigir problemas como a abertura no céu da boca (fenda palatina) precisa ser avaliada por um médico especialista. Não dá para dizer se a criança já deveria ter operado ou se a cirurgia precisava ser feita agora sem antes olhar todo o histórico de saúde do bebê. Às vezes, a cirurgia precisa esperar por causa de problemas no coração ou outras doenças que a criança já tenha de nascença. Por isso, por enquanto, não se pode culpar a família por não ter feito a cirurgia.

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A investigação agora aguarda exames complementares de patologia e a análise do prontuário médico da gestação e do nascimento para determinar se a morte ocorreu por causas naturais, síndrome genética ou morte súbita.

Ligação foi interpretada pelo Samu como um trote

A Polícia Militar precisou ser acionada após o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) identificar sinais de frieza e até risadas na primeira ligação feita às equipes de socorro pela cuidadora da criança, por volta das 3h50min.

Na conversa, a babá teria informando que a criança estava em parada cardiorrespiratória, quando há a interrupção da respiração e dos batimentos cardíacos. No entanto, a ligação foi interpretada pelo Samu como um trote pelo comportamento da mulher. Segundo a PM, o profissional de saúde teria dito que o primeiro contato com o Samu foi feito pela mulher após a criança passar “aproximadamente 20 minutos em parada cardiorrespiratória”.

Posteriormente, a mulher liga novamente para o SAMU. A médica plantonista realiza, então, uma chamada de vídeo com a cuidadora e confirma que a criança está em parada cardiorrespiratória. No momento, são repassadas orientações para início imediato das manobras de reanimação enquanto a equipe de socorro se desloca até a casa, no bairro Ribanceira do Sul.

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Local onde a criança estava já havia sido alvo do Conselho Tutelar

Em relato à PM, o Conselho Tutelar disse que foi acionado pelo hospital depois que a criança deu entrada no hospital sem um responsável legal. Ao verificar o endereço da casa onde a criança estava, constatou que já houve registros anteriores de possíveis violações, onde a cuidadora presta atendimento a outras crianças.

mãe e a cuidadora foram conduzidas até a Delegacia de Polícia Civil. Até a última atualização desta matéria, a polícia não havia informado se elas foram presas e se foi aberto um inquérito para investigar o caso.