O que parece só uma mania do bebê virar a cabeça para o mesmo lado, pode acender um alerta importante. O torcicolo muscular congênito, a condição descrita pela pediatria, pode limitar os movimentos do pescoço nos primeiros meses de vida e interferir no desenvolvimento motor da criança, além de alterar o formato da cabeça quando não é tratado o quanto antes.
Continua depois da publicidade
O problema costuma surgir durante a gestação ou na hora do parto. O posicionamento do bebê dentro do útero, traumas no nascimento e alterações no músculo esternocleidomastoideo estão entre as causas mais comuns. Isso gera uma limitação no pescoço, fazendo com que o bebê mantenha a cabeça inclinada ou virada quase sempre para o mesmo lado.
De acordo com o fisioterapeuta pediátrico Icaro Ramalho, o impacto vai além da postura. “O torcicolo está totalmente ligado à alteração do desenvolvimento motor. Às vezes o bebê não consegue engatinhar, não faz o apoio em quatro e o problema pode ser um torcicolo não tratado”, diz Icaro.
Alteração no formato da cabeça do bebê
O que caminha junto com o torcicolo é a mudança no formato da cabeça do bebê. Como os ossos ainda são flexíveis nessa fase, apoiar repetidamente o mesmo lado pode levar à plagiocefalia posicional, que é o achatamento do crânio.
Continua depois da publicidade
A limitação no pescoço faz com que o bebê mantenha sempre a mesma posição, o que aumenta a pressão em uma área específica da cabeça. Essa condição é mais comum do que se imagina, aparecendo em uma parcela significativa de bebês nos primeiros meses de vida.
Um dos principais indícios estão dificuldade para girar o pescoço para os dois lados, preferência por um lado só, inclinação da cabeça, presença de achatamento no crânio e até desconforto em alguns movimentos.
Formas de tratar
Colocar brinquedos em posições estratégicas é uma forma simples e eficaz de estimular o bebê. Ao posicionar objetos coloridos ou que chamem a atenção do lado menos utilizado, a criança é incentivada naturalmente a virar a cabeça, ajudando a trabalhar a mobilidade do pescoço de forma leve e lúdica.
Continua depois da publicidade
Os exercícios de mobilidade também são aliados importantes. Movimentar suavemente a cabeça do bebê para os lados, levando o queixo em direção aos ombros, inclinar delicadamente a cabeça do bebê para aproximar a orelha de cada ombro ajuda a ampliar a flexibilidade cervical.
Na hora de dormir no colo, posicionar a criança com o lado mais limitado para a parede faz com que ela, instintivamente, vire a cabeça para o lado oposto em busca de estímulos visuais, ajudando a trabalhar a mobilidade do pescoço de forma leve e no ritmo da criança.
Por fim, ao perceber esses comportamentos, vale procurar um fisioterapeuta pediátrico. O tratamento normalmente é orientado aos pais. Quanto mais cedo começar, maiores são as chances de corrigir o problema e garantir um desenvolvimento saudável.
Continua depois da publicidade
Por Henrique Moraes



