Blumenau enfrenta uma infestação sem precedentes do mosquito da dengue, vive explosão de casos e está à beira de uma epidemia da doença. O alerta, que vem seguido de um apelo à população por mais conscientização, é da supervisora do Programa de Combate à Dengue na cidade, Eleandra Casani. A título de comparação, a quantidade de internados em enfermarias por conta da doença na segunda-feira (4) era a mesma que a de hospitalizados nesses mesmos espaços por Covid-19.

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Na semana passada, enquanto havia nove infectados pelo coronavírus nos hospitais, eram 24 pessoas internadas com sintomas de dengue. O número de casos confirmados passou de 200 nos três primeiros meses deste ano, 15 vezes mais do que em todo 2021.

A presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre amarela, zika e chikungunya, tem se intensificado no município desde 2020, recorda a supervisora. 

A falta de cuidados dos moradores contribuiu para o cenário atual, acredita Eleandra. Só neste ano, cerca de 2 mil focos com larvas foram encontrados pelos bairros. O número é superior ao mesmo período do ano passado, quando havia 1.282 focos registrados.

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Desde janeiro foram confirmados 287 casos, o que representa um aumento de 36% em relação à semana passada, quando o município tinha 211 infectados. Outros 646 casos são considerados suspeitos e aguardam o resultado dos exames. Há quatro pessoas internadas com suspeita em enfermarias, mesma quantidade de hospitalizados por Covid-19.

Para configurar epidemia em Blumenau, explica Eleandra, a quantidade de contaminados deve ser de 1.050.

Dos 35 bairros, 17 são considerados infestados e são monitorados diariamente: Água Verde, Centro, Do Salto, Escola Agrícola, Garcia, Fortaleza, Itoupavazinha, Itoupava Norte, Itoupava Seca, Jardim Blumenau, Ponta Aguda, Salto do Norte, Tribess, Velha, Velha Central, Vila Nova e Victor Konder. Entre os que apresentam os piores números está a Escola Agrícola e região.

— No ano passado tivemos 13 pessoas doentes e já foi muito. A situação só foi piorando. As pessoas não estão cuidando, trabalhamos enxugando gelo. Se a população não colaborar vamos ter epidemia mês que vem, talvez até antes. Se todos fizessem sua parte não teríamos tantos problemas — desabafa a coordenadora.

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Entre os descuidos mais comuns estão os de deixar acumular água em vasos de plantas, bromélias e no lixo. Como já há mosquitos contaminados circulando pela cidade, a melhor forma de combatê-los é não os deixando nascer. Para isso, atitudes simples são essenciais.

Como combater a dengue

– evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;

– guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;

– mantenha lixeiras tampadas;

– deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;

– plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;

– trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;

– mantenha ralos fechados e desentupidos;

– lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;

– retire a água acumulada em lajes;

– dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;

– mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;

– evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;

– denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;

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– caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

Os trabalhadores da secretaria fazem visitas de orientação nas casas das regiões que apresentam as piores situações. Além disso, também fazem a pulverização manual com Ultra Baixo Volume (UBV), popularmente conhecido como fumacê, nos bairros Garcia, Velha Itoupava Norte, Água Verde e Vila Nova. A ação acontece diariamente a partir das 5h da manhã.

Sintomas de dengue

A primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C) de início abrupto, que tem duração de dois a sete dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

As pessoas que apresentem os sintomas da doença devem procurar atendimento nas unidades Estratégia Saúde da Família (ESF) ou Unidade de Saúde da Família (USF), os antigos AGs. A busca por atendimento em caso de suspeita permite evitar o agravamento do quadro e inclusive a evolução para morte.

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