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    Bolívia em crise: catarinense que vive no país relata conflitos violentos

    Presidente Evo Morales renunciou ao cargo neste domingo (10), após alegar ter sido Forçado por militares e opositores. País vizinho vive uma crise desde a denúncia de fraude nas últimas eleições presidenciais.

    11/11/2019 - 15h20 - Atualizada em: 11/11/2019 - 19h05

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    Lucas
    Por Lucas Paraizo
    Protestos na Bolívia
    Bloqueios foram montados por opositores. Na placa, "detector de masistas" faz referência ao partido MAS, de Evo Morales
    (Foto: )

    A Bolívia vive dias de tensão e protestos após a renúncia do presidente Evo Morales. A crise foi desencadeada por denúncias de fraudes nas eleições, seguida a convocação de um novo pleito. O NSC Total conversou com o catarinense Renan Boaventura Bitencourt, de 26 anos, que mora na Bolívia desde janeiro de 2018 e contou que cidades estão bloqueadas e vários serviços estão parados no país.

    Natural de Rio do Sul, ele cursa Medicina na Universidad Católica Boliviana San Pablo (UCBSP), em Santa Cruz da la Sierra.

    — A situação que a Bolívia se encontra começou a tomar forma no dia 21 de outubro, um dia após a eleição, quando a oposição começou a denunciar a possível existência de fraude no processo eleitoral. Como uma atitude tomada pela oposição, que é a maioria em Santa Cruz, decidiram bloquear a cidade toda, com início no dia 22 ao meio-dia, que acabou sendo mudado para o dia 23. Os mercados nesses dias estavam lotados de pessoas, o clima de tensão e muitas fake news já rondavam nos grupos de WhatsApp criando uma falsa impressão de que já não havia mais nem comida nos supermercados, afirmação falsa que eu pude verificar, havia menor quantidade e variedade de carnes apenas, mas diversos outros alimentos estavam em grande quantidade.

    O morador explica que a partir daí, começaram fiscalizações sobre preços para tentar controlar elevações.

    — A prefeitura de Santa Cruz começou então a verificar os principais mercados públicos da cidade em relação ao preço praticado nos produtos básicos, como forma de impedir sobre-elevação de preço, o que resultou bem eficaz — contou o estudante.

    Renan relata que as farmácias e hospitais estão funcionando normalmente, mas os mercados abrem somente até o meio-dia. Há também denúncias de preços mais elevados que o comum. Ele diz que nos pontos de bloqueio é permitido passar ambulâncias, veículos com transporte de alimentos aos mercados e veículos com materiais hospitalares e medicamentos. Quem apresentar passagem também pode passar em direção ao aeroporto, segundo o catarinense.

    — Quando se iniciou esse clima de tensão na Bolívia, o consulado brasileiro em Santa Cruz recomendou aos brasileiros muita cautela e de preferência o resguardo em suas residências, já que se escutava e ainda se escuta sobre casos de violência que ocorrem pelas ruas. Houve duas mortes na região de Montero, ao Norte de Santa Cruz, com isso aumentou a preocupação da população brasileira, que solicitou ajuda ao consulado, que respondeu prontamente que não tem estrutura para auxiliar os brasileiros aqui, já que não há como transportar todos em segurança novamente ao Brasil.

    Nas universidades, Renan conta que as atividades pararam já no dia 22 de outubro. As aulas estão suspensas e em uma instituição os alunos estão tendo lições pela internet. Na UCBSP, onde o catarinense estuda, não há ainda uma definição em relação aos conflitos:

    — Atualmente estou no aguardo de uma solução da universidade, que imagino que deve ser breve, já que após a renuncia de Evo Morales ondas de violência tomaram conta do país, principalmente na madrugada desta segunda (11), que causaram pânico nas cidades de La Paz, El Alto e Santa Cruz de la Sierra, com denúncias inclusive de invasões a residências e comércios.

    Por enquanto, Renan explica que ainda não há perspectiva de curto prazo para dias mais tranquilos no país vizinho.

    — As fronteiras seguem fechadas, e os bloqueios seguem na cidade. O líder cívico de Santa Cruz informou que deve ser mantido o bloqueio pelo menos até o final do dia 12, quando se analisará a situação. Por outro lado, conflitos constantes e violentos indicam que isto está bem longe de acabar — relatou o catarinense.

    Evo e os aliados acusam os militares e a oposição de um golpe, e denunciam prisões ilegais e abusos de autoridade e violência nas cidades bolivianas. O comandante nacional da Polícia, Vladimir Calderón, no entanto, disse à imprensa local que não há ordens de prisão contra Evo ou ex-membros do governo. A situação política do país segue instável, sem presidente e sem uma clara linha sucessória após uma série de outras renúncias antes e depois de Morales.

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