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Bolsonaro chama de "balela" documentos oficiais sobre mortos na ditadura 

"Você acredita em Comissão da Verdade?", perguntou o presidente a jornalistas

30/07/2019 - 16h29 - Atualizada em: 30/07/2019 - 16h57

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Por Folhapress
Presidente falou com a imprensa ao sair do Palácio da Alvorada nesta terça-feira
(Foto: )

* Por Talita Fernandes e Rubens Valente

Um dia depois de ironizar o desaparecimento do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (30) não ter documentos que descrevam como Fernando Santa Cruz desapareceu em 1974, após ser preso pelo DOI-Codi, órgão da ditadura militar (1964-1985).

— O que eu sei é o que falei para vocês. Não tem nada escrito que foi isso, foi aquilo. Meu sentimento era esse — disse o presidente da República, em entrevista pela manhã.

Contestado por jornalistas com o fato de haver documentos públicos que mostram que o desaparecimento se deu após prisão pelo Estado, o presidente questionou a Comissão da Verdade.

— Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma — afirmou. — Nós queremos desvendar crimes. Na questão de 64, não existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela.

Um dia antes, ao reclamar sobre a atuação da OAB na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do atentado à faca do qual foi alvo, Bolsonaro disse que poderia explicar ao presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar.

— Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele — disse.

— Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro — afirmou o presidente.

Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974, depois de ter sido preso junto de um amigo, chamado Eduardo Collier, por agentes do DOI-CODI, no Rio de Janeiro. Fernando era estudante de Direito, funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica em São Paulo e integrante da Ação Popular Marxista-Leninista. Felipe tinha dois anos quando o pai desapareceu.

Em live pelas redes sociais, também na segunda-feira, Bolsonaro insinuou que Fernando teria sido alvo de ataques da esquerda e não da ditadura.

No relatório da Comissão da Verdade, responsável por investigar casos de mortos e desaparecidos no período, não há registro de que Fernando tenha participado de luta armada. O documento, inclusive, ressalta que ele, à época do desaparecimento, "tinha emprego e endereço fixos e, portanto, não estava clandestino ou foragido dos órgãos de segurança".

A família de Fernando Santa Cruz afirmou que deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) após Bolsonaro dizer que conhecia o paradeiro dele. Questionado se está disposto a explicar o caso para as autoridades, Bolsonaro não respondeu e passou a relembrar do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em 2002.

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