Bolsonaro trava embate com Ciro, Tebet e Soraya, e Lula é atacado por ausência em debate

Atual presidente se tornou alvo principal das críticas dos adversários e púlpito reservado a Lula ficou vazio

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Bolsonaro foi o principal das críticas dos adversários e púlpito reservado a Lula ficou vazio no debate de sábado (24) (Foto: Reprodução/SBT)

Em debate marcado pela ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente Jair Bolsonaro (PT) se tornou alvo principal das críticas dos adversários e protagonizou embates com Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil).

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Substituto do bolsonarista Roberto Jefferson (PTB), impedido de concorrer, Padre Kelmon (PTB) fez dobradinhas com Bolsonaro, em meio a perguntas recheadas de críticas à esquerda sobre aborto e perseguição aos cristãos na Nicarágua.

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O debate deste sábado (24) foi organizado em pool por SBT, CNN Brasil, O Estado de S. Paulo, Terra, Veja e as rádios Eldorado e Nova Brasil.

O púlpito reservado a Lula ficou vazio. O petista disse que não poderia comparecer porque já tinha compromissos agendados previamente e porque não haveria tempo para ele se preparar. Ele deve participar do debate da Globo no dia 29. 

Enquanto seus adversários debatiam no estúdio, o ex-presidente criticava Bolsonaro em comício na noite deste sábado (24) em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

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— Todo dia ele fala ‘eu não sou ladrão’. Ele vai ver se é ladrão ou não quando eu tomar posse e acabar com esse sigilo. Qualquer coisinha, ele faz um decreto de sigilo de 100 anos. Vou acabar no primeiro dia com isso, para [a gente] ver o que está escondido — disse.

A ausência do líder nas pesquisas foi criticada pelos demais candidatos. Bolsonaro disse que essa atitude demonstra falta de compromisso com a população, Ciro chegou a falar que o petista está de salto alto, e Tebet disse que o ex-presidente pede à população um cheque em branco – a expressão tem sido usada diante da falta de detalhes sobre o que pretende fazer se for eleito.

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Sem o petista, Bolsonaro protagonizou os embates mais duros com as senadoras Tebet e Thronicke. Na primeira pergunta, Tebet cobrou o presidente sobre o corte de recursos para merenda e creches e indagou por que ele não dá prioridade para as crianças.
Ela lembrou ainda de palavras chulas que o presidente diz.

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Na resposta, Bolsonaro insinuou que a emedebista dá apoio velado a Lula e disse que fala sim alguns palavrões, mas não defende ladrão.

Ele acusou tanto Tebet como Thronicke de se beneficiarem com verbas das emendas de relator, o chamado orçamento secreto, gastas com pouca transparência, e disse que o Orçamento é feito a quatro mãos, com o Executivo e o Legislativo.

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— Eu não sei para onde vai o dinheiro do orçamento secreto — chegou a afirmar o presidente.

Em suas interações com o presidente, Thronicke fez referências veladas à aquisição de leite condensado, viagra e próteses penianas pelo Exército ao atacar Bolsonaro.

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— O que é o que é, não reajusta merenda escolar, mas gasta milhões com leite condensado, tira remédio da farmácia popular, mas mantém a compra de viagra, não compra vacina para Covid, mas distribui prótese peniana para os amigos? — afirmou a senadora. Ela disse ainda que o presidente “não deveria cutucar onça com sua vara curta”.

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Com alta rejeição entre as mulheres e desgastado após ataque à jornalista Vera Magalhães no debate anterior, o presidente focou suas críticas às duas senadoras principalmente na verba que elas usaram das emendas de relator.

Bolsonaro também ouviu críticas de Ciro Gomes (PDT). O pedetista, em terceiro lugar, distribuiu os ataques entre Lula e Bolsonaro de forma equivalente e citou mais de uma vez investigações contra os filhos dos dois líderes nas pesquisas.

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Em dobradinha com Bolsonaro, Padre Kelmon (PTB) teve discussão ríspida com Tebet em questão sobre o aborto. A senadora chegou a falar que jamais se confessaria com o padre. “O feminismo no Brasil precisa ser entendido não como uma pauta de esquerda, mas como uma pauta cristã”, afirmou.

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Bolsonaro voltou a criticar no debate o STF (Supremo Tribunal Federal) e disse que mudará a corte com as duas nomeações que poderá fazer em um eventual segundo mandato.

— Com quatro pessoas lá dentro pensando em prol do Brasil, o Supremo mudará a forma de agir. Não mais mudará a vida de todos nós — afirmou, referindo-se à duas nomeações que já fez –os ministros André Mendonça e Nunes Marques.

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Antes do evento, ele comentou decisão de Mendonça retirando a censura sobre reportagem do UOL a respeito de compra de imóveis pelo clã Bolsonaro com dinheiro vivo.

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— Viram a decisão do Supremo sobre imóveis ontem? Vamos cumprir a decisão do Supremo. O UOL fez um trabalho sujo. Desde 1990 levantou os imóveis que familiares meu compraram, não levantou o que vendram — disse o presidente. 

— Continua valendo decisão do Supremo de ontem, mas quem persistir nos ataques de imóveis meu é da minha família vai responder Civil e criminalmente.

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Ausência de Lula 

Após condicionar sua participação em debates à formação de um pool de emissoras, Lula deverá comparecer a somente dois deles no primeiro turno das eleições.

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O ex-presidente teve seu desempenho criticado no debate organizado pelo pool da TV Bandeirantes, Folha, UOL e TV Cultura, em agosto, principalmente por não responder diretamente a questionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre corrupção.

A presidente do PT e coordenadora da campanha de Lula, Gleisi Hoffmann, disse que o petista irá ao debate da TV Globo, o último antes do primeiro turno, na próxima quinta-feira (29).

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Na noite desta sexta (23), Lula disse que o SBT demorou para formar um pool para o debate, o que a emissora nega.

— Eu tenho profundo prazer de participar de debate. É bom participar. Lamentavelmente o debate do SBT demorou um pouco. A minha coordenação mandou uma carta para fazer um pool e, quando veio a resposta, eu já tinha agenda no Rio de Janeiro e em São Paulo — afirmou o petista.

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Ele que não poderia desmarcar os atos que já tinha confirmado presença. 

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— Porque faltando uma semana para as eleições, você desmarcar compromissos avisados para o povo é muito delicado.

Em nota, o SBT afirma que, diferentemente do que foi declarado pelo candidato, a formação do pool ocorreu antes da sugestão feita pela campanha do petista.

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“Em 22 de março, os quatro grupos enviaram formalmente email às campanhas presidenciais, comunicando a realização do debate e informando as datas escolhidas para os confrontos do primeiro e do segundo turno”, diz um trecho do texto.

Ainda segundo a nota divulgada pela emissora, “em 28 do mesmo mês, foi realizada a primeira reunião presencial com representantes dos candidatos convidados. A campanha de Lula esteve presente em tal reunião, assim como em todas as demais reuniões convocadas para discutir os detalhes e regras do debate”.

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Reportagem por Angela Pinho e Carlos Petrocilo

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