O Brasil rompeu uma barreira histórica ao ingressar, pela primeira vez, no grupo de países com “muito alto desenvolvimento humano”, a faixa mais elevada do ranking global divulgada na última terça-feira (26), na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Brasília (DF).
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O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país atingiu a marca recorde de 0,805, superando os reflexos da crise sanitária dos anos anteriores e consolidando uma trajetória de recuperação puxada por investimentos sociais.
Os dados são do relatório Radar IDHM, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Fundação João Pinheiro, utilizando como base a Pnad Contínua do IBGE.
O indicador, que varia de 0 a 1, mostra um salto consistente quando comparado ao patamar de 2012, quando o indicador brasileiro era de 0,744.
O motor do avanço: como os programas sociais mexeram no ponteiro
O relatório da ONU deixa claro que o avanço histórico não é um acaso estatístico, mas o resultado de escolhas políticas coordenadas. O grande motor dessa transformação foi o pilar da Educação, cujo índice específico saltou de 0,679 em 2012 para 0,798.
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Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a principal engrenagem por trás dessa melhoria educacional foi a consolidação de programas de transferência de renda, com evidente protagonismo para o Bolsa Família.
Ao condicionar o benefício à frequência escolar monitorada, o programa reduziu o trabalho infantil e aumentou a permanência de estudantes de baixa renda na escola, gerando maior impacto entre famílias negras.
Essa engrenagem reforça a tese defendida pelos técnicos do próprio organismo internacional durante o lançamento dos dados em Brasília, de que o desenvolvimento brasileiro não irá melhorar se não for efetivamente inclusivo, o que exige trazer a população negra e as mulheres para o centro das políticas públicas.
O redesenho do mapa do desenvolvimento
Historicamente concentrado no Sul e Sudeste, o desenvolvimento humano de alto nível começou a se interiorizar e a ganhar força no Nordeste do país.
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Pela primeira vez na série histórica da ONU, sete regiões metropolitanas da Região Nordeste alcançaram a faixa de “muito alto desenvolvimento”, transformando áreas que antes puxavam a média nacional para baixo em motores que agora empurram o índice para cima.
Esse avanço regional é liderado pela região metropolitana de Natal, que atingiu o patamar de 0,822, seguida de perto por Aracaju e Grande Teresina, ambas com 0,809. Completando esse grupo que superou a barreira histórica de 0,800, estão Recife e São Luís, com 0,806, além de Salvador e João Pessoa, que registraram a marca de 0,803.
O nó estrutural: a lentidão da renda
Se a educação voou e a longevidade manteve um patamar elevado (alcançando 0,860), o componente Renda avançou a passos lentos. Ele subiu de 0,732 em 2012 para 0,760, permanecendo na faixa de “alto” (e não “muito alto”) desenvolvimento.
Embora os programas de transferência de renda e assistência social do governo tenham retirado 17,4 milhões de pessoas da linha da pobreza nos últimos dois anos e expandido as classes A, B e C, converter esse ganho social em salários maiores e empregos de alta tecnologia na iniciativa privada continua sendo o principal desafio macroeconômico do país.
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*Com edição de Nicoly Souza






