Uma confusão envolvendo a tradicional banda gaúcha Garotos de Ouro virou caso de polícia no último sábado (14) em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Dois grupos, usando o mesmo nome, apareceram juntos para a realização de um único show no Rancho Timbé.
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A apresentação musical estava prevista para ocorrer às 2h, durante a programação de um rodeio no espaço. No entanto, antes do show, duas bandas se apresentaram ao contratante do evento, conforme o relatório da Polícia Militar (PM), que foi acionada para apurar a situação.
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“Os dois grupos passaram a se acusar mutuamente de uso indevido do nome ‘Garotos de Ouro’, sendo que ambos afirmavam possuir agenda marcada para se apresentar no mesmo local e horário”, cita o relatório policial. Aos agentes, Danieli Beck Machado, representante de uma das bandas no local, afirmou que possuía um contrato com Pedro Alvim Duarte Junior, responsável pelo Rancho Timbé, para a realização do show.
Além disso, a equipe policial também conversou com o motorista da segunda banda, que afirmou que, junto com os integrantes, percorreu 886 quilômetros de Vila Nova do Sul, no Rio Grande do Sul até Joinville, para a realização da apresentação no Rancho Timbé.
O representante desse grupo, Gustavo de Mello Padilha, estava ausente no momento e disse ao NSC Total que os integrantes da banda também não estavam na cidade, contrariando o relatório da PM e uma publicação oficial sobre a agenda de shows em março de 2026.
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PM verificou documentos
Uma das informações relevantes que solucionaram momentaneamente o caso foi o registro judicial da marca “Garotos de Ouro”. Danieli Beck Machado, filha de Marisa Edina Beck, detentora da marca, possuía uma decisão judicial que a autoriza a utilizar o nome “Banda Garotos de Ouro” e cumprir a agenda de apresentações vinculadas à banda.
Após a confusão, a banda administrada por Gustavo teria deixado o local. Na mesma noite, a banda da família Machado subiu ao palco e realizou o show, que contou com um público de aproximadamente cinco mil pessoas.
Origem da banda original
Os irmãos Airton e Ivonir Machado deram início à banda gaúcha que se consolidou como uma das mais tradicionais da região Sul do país. A trajetória da banda começou em Cruz Alta, cidade do Rio Grande do Sul.
Marisa Beck foi a primeira esposa de Airton Machado e sócia proprietária da banda Garotos de Ouro desde a sua fundação, sendo 50% dela e 50% do artista. Após o falecimento dele, em um acidente de trânsito em 2021, a filha, Danieli, assumiu a parte da empresa que antes pertencia ao pai.
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Atualmente, Marisa continua como detentora da marca, registrada no INPI sob número 821681400, sendo seu uso restrito exclusivamente aos responsáveis legais.
Briga na justiça se arrasta por meses
No mesmo ano do acidente, em 2021, Gustavo de Mello Padilha se tornou representante comercial da banda para a captação de recursos. Na época, ele era casado com Danieli que, segundo Marisa, esteve à frente da gestão da banda desde o falecimento do pai.
— Ele [Gustavo] fez um contrato de exclusividade comigo para buscar recursos pela Lei Rouanet. Esse projeto existiu e esteve na mão dele — conta Marisa.
Já em meados do ano passado, Gustavo e Danieli se divorciaram e a banda Garoto de Ouros virou caso de justiça. Isso porque o ex-marido queria continuar representando a banda, o que não era aceito pela família Machado.
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— Elas moveram um processo para tentar tirar a gestão da banda de mim, tentando desmanchar o contrato que eu tenho com elas até 2030. Foi indeferido pelo juiz e me manteve como gestor da banda — diz.
No entanto, após apontamentos de Danieli e Marisa, a Justiça decidiu revogar o benefício concedido a Gustavo por “abuso do direito e do desvirtuamento da tutela de urgência”.
“Contudo, as provas juntadas, em especial pelas rés, demonstram que o autor, Gustavo de Mello Padilha, utilizou-se da decisão judicial não para cumprir o contrato de representação, mas para tentar assumir o controle total da banda, agindo como se fosse o proprietário da marca e do negócio”, decidiu o juíz.
Conforme despacho do processo, assinado em 26 de janeiro deste ano, o juiz determinou que Gustavo deixe de utilizar a marca, nome ou qualquer símbolo associado à banda.
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Veja o que Gustavo Padilha não pode fazer, conforme a Justiça:
- Apresentar-se, por qualquer meio, como representantes, gestores ou administradores da banda “Garotos de Ouro”;
- Utilizar a marca, nome ou qualquer símbolo associado à banda “Garotos de Ouro” para promover shows, eventos ou qualquer atividade de seu grupo musical paralelo;
- Realizar shows ou apresentações utilizando o nome “Garotos de Ouro” ou qualquer variação que possa induzir o público a erro;
- Utilizar o perfil oficial da banda no Instagram (@garotosdeourooficial) ou qualquer outra rede social em nome do grupo, devendo, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, fornecer os dados de acesso (login e senha) às rés, sob pena de expedição de ofício à META para bloqueio da conta;
- Manter contato com contratantes, músicos ou funcionários da banda “Garotos de Ouro” para tratar de assuntos comerciais ou administrativos relativos ao grupo.
Ainda segundo o documento, caso Gustavo descumprisse a decisão teria que pagar uma multa diária no valor de R$ 8 mil, sem prejuízo da apuração de perdas e danos e da responsabilidade por crime de desobediência.
O caso, porém, foi o início de diversos processos envolvendo Gustavo, Danieli e Marisa. A maioria segue em andamento na comarca de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul.






