A busca por produtividade aliada ao bem-estar tem impulsionado uma combinação inusitada que começa a ganhar as prateleiras de cafeterias especiais e a rotina de entusiastas do “biohacking” no Brasil: a mistura de café com chá verde. Embora pareça uma novidade da vida moderna, a junção de duas das bebidas mais consumidas do mundo é uma tradição milenar em países da Ásia e da África, utilizada justamente para modular os efeitos da cafeína no organismo.
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O segredo da eficácia dessa mistura reside no equilíbrio químico. Enquanto o café oferece o pico de energia e alerta, o chá verde é rico em L-teanina, um aminoácido que promove o relaxamento sem causar sonolência.
Quando consumidos juntos, a L-teanina ajuda a suavizar a “trepidação” e a ansiedade que algumas pessoas sentem após o café, resultando no “foco relaxado”.
FOTOS: Café com Chá Verde, equilíbrio e tradição
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Tradições pelo mundo: do Yuenyeung ao Spreeze
Embora o conceito esteja em alta no Ocidente, ele já possui nomes e receitas consagradas em diferentes culturas:
- Yuenyeung (Hong Kong): Criada na década de 1950, a bebida mistura café concentrado com Chá Preto e leite. O nome faz referência aos patos-mandarins, que na cultura chinesa simbolizam opostos que se completam.
- Kopi Cham (Malásia e Singapura): Um clássico das ruas asiáticas, o “cham” (que significa misturado em malaio) combina as duas bebidas com leite condensado, sendo servido tanto quente quanto gelado.
- Spreeze (Etiópia): No berço mundial do café, é comum encontrar a mistura servida em camadas, permitindo que os sabores do chá e do café se fundam gradualmente a cada gole.
- Matcha Espresso Latte: A versão mais moderna e “instagramável”, que utiliza o Chá Verde em pó (matcha) com leite e uma dose de espresso (termo original italiano), já é tendência em capitais brasileiras como São Paulo e Curitiba.
Sobre Chá Verde e Chá Preto: ambos nascem da espécie Camellia sinensis*. A grande diferença entre eles está no nível de oxidação das folhas após a colheita:
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- Chá Preto: As folhas passam por uma oxidação completa. Elas são expostas ao ar para secar e escurecer, o que cria um sabor mais robusto, encorpado e uma cor escura. Geralmente, possui um teor de cafeína mais elevado.
- Chá Verde: O processo de oxidação é interrompido logo no início através do calor (vapor ou aquecimento em bandejas). Isso preserva a cor esverdeada original, as catequinas (antioxidantes) e resulta em um sabor mais leve, fresco e herbáceo.
*No caso, os dois chás têm a L-teanina.
Como preparar e o que observar
Para quem deseja testar o benefício em casa, a recomendação é o equilíbrio. O uso de um saquinho de chá verde diretamente na xícara de café preto é a forma mais simples de começar.
Uma boa sugestão é evitar cafés de torra extraforte, comuns em supermercados, pois o amargor excessivo pode mascarar as notas herbáceas do Chá Verde. O ideal é optar por cafés de torra média, que possuem acidez e doçura mais equilibradas, permitindo uma experiência sensorial completa.
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Além do ganho no foco, a combinação potencializa a ingestão de antioxidantes, como as catequinas do Chá Verde, que auxiliam no combate aos radicais livres e na saúde cardiovascular.
*O que é “biohacking“: consiste na otimização da biologia humana por meio de ajustes no estilo de vida, tecnologia e nutrição. A prática abrange desde hábitos acessíveis, como jejum intermitente e meditação, até intervenções complexas, a exemplo do uso de suplementos cognitivos e dispositivos de monitoramento, visando ampliar a longevidade e a eficiência do corpo.
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