No início, não havia vitrines sofisticadas, mesas disputadas ou filas de turistas. Bastava uma janela aberta em uma casa ao lado da histórica Igrejinha do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. Era dali que Clarice Alves Bortolli, 59, professora aposentada e apaixonada por cozinha, entregava os brigadeiros que preparava artesanalmente na própria cozinha. Sem imaginar, ela dava início a uma história que, anos depois, transformaria um pequeno negócio familiar em uma das cafeterias mais conhecidas da capital catarinense: a Amoriko.

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A relação da família com o Ribeirão da Ilha, um dos bairros mais tradicionais da Capital, começou décadas antes. Nos anos 1970, os avós dos atuais sócios compraram uma casa na região, que passou a ser destino frequente da família paulista durante férias e feriados.

Foi apenas em 2012, porém, que a ligação se tornou definitiva. Naquele ano, a família decidiu trocar São Paulo por Florianópolis. A mudança coincidiu com o crescimento das lojas especializadas em brigadeiros gourmet na capital paulista, tendência que inspirou Clarice a apostar em uma receita simples: produzir doces artesanais.

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Na verdade, a ideia inicial nem era abrir uma cafeteria. Em 2011, ela começou a produzir brigadeiros com o objetivo de fornecê-los para restaurantes e estabelecimentos da região. A tentativa, no entanto, não deu certo.

— Visitei alguns estabelecimentos oferecendo o produto, mas ninguém se interessou. Foi justamente essa negativa que mudou tudo. Pensamos: “Se ninguém quer vender nossos brigadeiros, vamos vender nós mesmos” — relembra Clarice.

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A solução encontrada foi transformar a janela da casa da família em um pequeno ponto de vendas. O que começou de forma despretensiosa rapidamente chamou a atenção de moradores e turistas que passavam pelo Ribeirão da Ilha.

— Desde o início nós acreditávamos no potencial dos brigadeiros e também no potencial do Ribeirão da Ilha como um destino de turismo e gastronomia. Aos poucos as pessoas foram chegando, trazendo amigos, indicando para outras pessoas, e percebemos que ali existia algo muito maior do que imaginávamos conta.

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“Boca a boca” ajudou a transformar o negócio

O boca a boca fez o restante do trabalho. Com a demanda em crescimento, Clarice, o marido Claudio Roberto Bortolli, de 72 anos, e os filhos João paulo Bortolli, de 46 anos e Maria Carolina Bortolli, de 45, decidiram transformar a ideia em um negócio. A antiga garagem da casa, com apenas 20 metros quadrados, deu lugar ao primeiro espaço físico da marca.

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A expansão aconteceu de forma gradual. Sem grandes investimentos ou um planejamento elaborado, a família foi adaptando a antiga residência conforme o movimento aumentava.

— Começamos praticamente do zero, aprendendo enquanto fazíamos. Tudo foi sendo construído passo a passo — diz Clarice.

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Segundo ela, o desafio maior veio depois, quando foi preciso profissionalizar a empresa sem abrir mão da essência que conquistou os clientes.

— Queríamos crescer sem perder o atendimento próximo, o ambiente acolhedor e o cuidado artesanal em cada detalhe.

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O próprio Ribeirão da Ilha ajudou a moldar a identidade da cafeteria. Mais do que cenário do empreendimento, o bairro faz parte da história da família.

— O Ribeirão faz parte da nossa história muito antes da Amoriko existir. É onde passamos a infância e criamos muitas das nossas memórias. Em muitas viagens visitávamos cafeterias que nos inspiravam e sempre voltávamos pensando: “Seria maravilhoso ter um lugar assim no Ribeirão”. Hoje sentimos que esse sonho se tornou realidade — diz Clarice.

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Ano após ano, o café ganhou um salão maior, deck e uma cozinha ampliada para atender à demanda crescente. O cardápio também deixou de ser composto apenas pelos brigadeiros que deram origem ao negócio.

Brigadeiro segue sendo o carro-chefe da casa

Hoje, além dos doces, o espaço oferece tortas, sobremesas, salgados e cafés especiais, todos produzidos de forma artesanal. Embora os brigadeiros permaneçam como o principal símbolo da marca, outras receitas autorais também conquistaram espaço entre os clientes.

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É o caso da Tart’Ache, torta de pistache com frutas vermelhas criada pela equipe da casa.

— Ela nasceu da vontade de criar uma sobremesa que unisse ingredientes de alta qualidade e muito equilíbrio de sabores. Hoje, além dos brigadeiros, é o produto mais consumido e também o mais encomendado da casa — conta Clarice.

O empreendimento se consolidou como um dos principais pontos gastronômicos do Ribeirão da Ilha. Frequentado por moradores e turistas durante todo o ano, o café ocupa a primeira colocação entre os estabelecimentos de Florianópolis no Tripadvisor e recebe milhares de clientes anualmente.

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Para Clarice, mais importante do que o reconhecimento é perceber o espaço que a Amoriko passou a ocupar na vida das pessoas.

— Talvez eu não imaginasse exatamente o tamanho que a Amoriko alcançaria, mas sempre tive a certeza de que estávamos construindo algo especial. O que mais me surpreende é ver como algo que começou na janela da nossa casa passou a fazer parte da vida de tantas pessoas. Hoje recebemos clientes que comemoram aniversários conosco, fazem pedidos para casamentos, presenteiam pessoas queridas e voltam anos depois contando que a Amoriko marcou momentos importantes de suas vidas. É quando percebemos que nunca vendemos apenas brigadeiros. Sempre estivemos criando memórias.

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