A possibilidade de uma “dobradinha improvável” surpreendeu o noticiário político desta semana de olho nas eleições 2026. Um ensaio de uma aliança entre os pré-candidatos a presidente Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) movimentou o tabuleiro da direita.
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A hipótese surgiu após o presidenciável Ronaldo Caiado admitir a possibilidade e dizer que mantém conversas com Zema. A sinalização pública ocorre duas semanas após a revelação do áudio do principal candidato da direita, Flávio Bolsonaro (PL), ao banqueiro Daniel Vorcaro, com pedido de dinheiro para custear o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, ao fundador do Banco Master.
Caiado e Zema estiveram juntos em agenda em Florianópolis há cerca de 10 dias, em um painel promovido pela Associação Empresarial da Capital (Acif). Nesta semana, os dois participaram, também juntos, de um compromisso em São Paulo.
As aproximações aumentaram os rumores sobre uma possível dobradinha de ambos. A construção poderia utilizar o argumento de unificação da direita em um momento de queda de popularidade de Flávio Bolsonaro nas pesquisas em razão da crise ligada ao caso Master.
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Caiado admite conversa com Zema
O sinal mais forte de possível união veio de Ronaldo Caiado. Em entrevista à Rádio Nova Difusora, de São Paulo, o ex-governador de Goiás admitiu a possiblidade.
— Nós conversamos, existe esse sentimento. Ele [Zema] é uma pessoa aberta. Estamos avaliando. Nesse momento, as duas candidaturas [Lula e Flávio Bolsonaro] estão em uma posição, que é preciso ter humildade para reconhecer, bem acima de nós. No momento em que nós unirmos forças, elas poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno — afirmou Caiado.
Zema respondeu questionamentos sobre o tema em um evento com investidores em São Paulo — público entre o qual o presidenciável do Novo tem procurado aumentar a presença nas últimas semanas. Segundo informações do portal g1, Zema adotou tom mais cauteloso, afirmando que conversas são naturais neste momento, mas que as definições sobre candidaturas ocorrem apenas nas convenções, entre agosto e setembro.
Quem aceitaria ser vice?
Um impasse para a dobradinha até o momento estaria em quem cederia o lugar na cabeça de chapa à eventual aliança. Tanto Caiado quanto Zema gostariam de permanecer na condição de candidato, recebendo o atual adversário no posto de vice.
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O presidenciável do PSD afirmou que não houve entendimento sobre essa composição.
— Não avançamos na tese de quem será vice de quem. Vamos nos manter cada vez mais próximos. Teremos outra reunião daqui a dez dias, em São Paulo, já pré-marcada, e vamos conversar política — afirmou, em entrevista nesta semana a outra emissora de rádio.
Outra dificuldade estaria na resistência dentro do próprio Novo. Parte do partido já vem criticando a postura de Zema, que apostou em ataques a Flávio Bolsonaro após a divulgação do áudio e Vorcaro.
Embora tenham candidatos a presidente adversários, Novo e PL são aliados em algumas disputas estaduais, a exemplo de Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello (PL) terá como vice na chapa o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo).










