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    Eleições 2018

    Campanhas ao governo de SC declaram uso de R$ 9,9 milhões de fundo eleitoral

    Dados foram retirados do sistema da Justiça Eleitoral

    24/09/2018 - 07h46

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    Por Redação NSC

    Os nove candidatos ao governo de Santa Catarina declararam até esta segunda-feira (24), à Justiça Eleitoral, que vão usar pelo menos R$ 9,93 milhões do chamado Fundo Especial Eleitoral. Essa quantia equivale a 83,44% de todos as receitas que chegaram aos comitês de campanha no Estado.

    A conta leva em consideração também a participação de Ângelo Castro (PCO), cuja candidatura foi impedida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). No caso dele, o partido declarou que usaria R$ 600,00 do fundo especial, para pagar gastos com serviços contábeis e advocatícios. Todas as receitas somadas chegam a R$ 11,9 milhões.

    A minirreforma política aprovada em 2017 estabeleceu a criação do Fundo Especial Eleitoral, além de um teto de gastos para as campanhas. Os valores máximos a serem gastos são determinados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base no número de eleitores de cada estado. Candidatos ao governo podem gastar até R$ 9,1 milhões.

    Outra mudança é que os candidatos estão proibidos de receber recursos de empresas. Agora, quem quiser ajudar um candidato precisa fazer a doação como pessoa física.

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    Campanha desigual

    Apesar dessas mudanças, o cenário ainda é de desigualdade financeira nas campanhas de Santa Catarina. As campanhas de Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (MDB) concentram 90% de tudo o que foi arrecadado. Cada uma tem cinco vezes mais recursos financeiros do que a terceira maior campanha, a de Décio Lima (PT).

    O candidato do MDB foi o que mais arrecadou em Santa Catarina: R$5.659.816,51. Quase tudo tem como origem o próprio partido. O diretório local direcionou pouco mais de R$ 3 milhões para Mariani, enquanto o nacional doou R$ 2,5 milhões ao candidato. Na conta do partido ainda há uma doação estimada em R$ 8 mil de um veículo Chevrolet Trailblazer ano 2016 para uso durante a campanha.

    Entre as pessoas físicas, o senador Dario Berger (MDB) foi o mais generoso: doou R$ 30 mil. Gerson Berti, presidente da Associação dos produtores de energia de Santa Catarina e ex-diretor da Celesc, direcionou R$ 20 mil para a campanha e Tufi Michreff Neto, ex-secretário de turismo, cultura e esporte do Estado, doou R$ 3 mil e um Jeep Compass para utilizar na campanha. O candidato ainda arrecadou de R$ 3 mil a R$ 200 de outras 21 pessoas.

    Merisio não fica atrás e já arrecadou R$ 5.064.863,83 para a campanha. Assim como Mariani, a maior parte do dinheiro vem de partidos políticos com 94.08%. A diferença é que o pessedista recebeu doações além dos R$ 3,1 milhões recebidos pelo diretório estadual e da cessão do imóvel sede do PSD estimado em R$ 15 mil para a campanha: foram R$ 1,5 milhão do PP nacional e R$ 150 mil do diretório nacional do Democratas.

    O postulante do PSD ao Governo também é o único que recebeu a doação de outro candidato. O deputado federal Esperidião Amin, que concorre a uma vaga no Senado, direcionou R$ 100 mil do próprio fundo eleitoral para Merisio.

    A arrecadação de pessoas físicas ficou restrita a duas sócias da empresa madeireira Adami, com sede em Caçador, que doaram R$ 93 mil e R$ 57 mil, respectivamente. A prestação de contas também tem o valor simbólico de R$ 20 arrecadados pela internet.

    As duas candidaturas com mais dinheiro também detalham os serviços prestados pelos profissionais que atuam nas campanhas. Rodrigo Moratelli, ex-comandante da Defesa Civil estadual e coordenador da campanha de Merisio, fez uma doação de serviços de administrador estimada em R$ 4.151,93. A declaração do pessedista traz a prestação de serviços de outras 19 pessoas, do contador ao motorista.

    Mariani também divulgou a informação de oito profissionais que atuam na campanha. O detalhamento da função, porém, é mais genérico: em vez do cargo, há apenas “serviços voluntários” e “doações de serviços próprios”, com valores variando entre R$ 2 mil e R$ 1 mil.

    Realidades distintas

    Décio Lima tem uma realidade à parte: arrecadou menos de um quinto de Mariani e Merisio, mas consideravelmente mais que os demais candidatos. E isso se deve ao diretório nacional do PT, que direcionou R$ 916.666,66 para a campanha — realizadas 24 de agosto e 6 de setembro. Não há registro de doações de pessoas físicas para a campanha do petista.

    A campanha de Leonel Camasão (PSOL) é a que mais diversificou as fontes de arrecadação. A principal, com 89,81%, continua sendo a doação partidária, com 108 mil do diretório estadual do próprio partido e R$ 9 mil do Partido Comunista Brasileiro. Também há duas doações de R$ 1 mil provenientes de pessoas físicas, sendo um professor do IFSC e um membro da executiva do partido.

    Já Ingrid Assis (PSTU) arrecadou o menor valor: R$ 1.450,00. Inclusive, ela foi a única a não receber repasses do partido. Todo o dinheiro declarado até agora tem como fonte quatro doações de pessoas físicas. O maior valor, R$ 600, foi depositado por Diogo Leal Pauletto, candidato do partido a vice-prefeito de Florianópolis na eleição de 2012.

    Portanova ainda não declarou gastos

    O candidato Rogério Portanova (Rede) é o único entre os nove postulantes ao governo de Santa Catarina que ainda não divulgou os dados. A reportagem tentou contato com a equipe de Rogério Portanova, mas não teve resposta.

    De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), não há consequências imediatas para os candidatos que não detalharam as receitas ou despesas. Porém, essa é uma irregularidade que será levada em conta no julgamento final das contas de campanha, realizado após as eleições.

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