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    Câncer de cabeça e pescoço: o que é e como prevenir 

    Incidência de HPV contribui para o aumento de casos na população mais jovem 

    27/07/2019 - 17h05

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    Por Luan Martendal
    Vacina para prevenir o HPV está disponível pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos
    Vacina para prevenir o HPV está disponível pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos
    (Foto: )

    Existe um tipo de câncer até pouco tempo incomum, mas que vem aumentando o número de casos no mundo nos últimos anos: o conjunto de tumores que se manifestam em regiões como boca, língua, amígdalas, faringe e laringe. Neste sábado, 27 de julho é o Dia Mundial de Conscientização e Enfrentamento ao Câncer de Cabeça e Pescoço, que deu origem ao movimento #JulhoVerde, de alerta e prevenção a doença.

    O câncer de cabeça e pescoço é diagnosticado em cerca de 41 mil pessoas no País, por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O órgão aponta ainda que o câncer de boca, laringe e demais áreas que envolvem essa região do corpo é atualmente o segundo tipo da doença mais frequente nos homens, superado apenas pelo câncer de próstata. Nas mulheres, o câncer da tireoide é o quinto mais frequente.

    O câncer se caracteriza pela multiplicação desenfreada de células, provocando a formação de tumores que podem afetar diversos órgãos e tecidos do corpo. De acordo com o médico oncologista Lucas Sant'Ana, no caso dos cânceres que envolvem a região da cabeça e do pescoço, num primeiro momento o cidadão acometido pela doença pode não apresentar sintomas.

    — Infelizmente os sintomas iniciais são muito discretos e tendem a aparecer com a progressão da doença, por isso é importante estar atento às manifestações atípicas na boca e no pescoço e procurar o diagnóstico médico. Quanto antes detectado, maior é a chance para a cura do câncer de cabeça e pescoço. O diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, pode deixar sequelas no paciente — alerta.

    Aumento de ocorrências em jovens por transmissão de HPV

    A Infecção pelo Papilomavírus humano (HPV) tem contribuído para o aumento de casos de câncer de cabeça e pescoço na população mais jovem, conforme aponta a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço - SBCCP. O dado preocupa, tendo em vista que tradicionalmente os principais fatores que desencadeiam esse tipo de câncer são o tabagismo e o alcoolismo.

    Hoje, dos cerca de 41 mil novos casos anuais da doença, a maioria deles é diagnosticado entre idosos de 60 aos 65 anos. No entanto, está se tornando cada vez mais comum o aparecimento de casos relacionados ao HPV entre a população abaixo dos 45 anos. Conforme o oncologista Lucas Sant'Ana, a transmissão deste vírus acontece principalmente via sexual.

    — No caso dos tumores de cabeça e pescoço, ele pode ocorrer por meio do sexo oral, sendo que a melhor maneira de se prevenir é pela utilização de preservativo durante relação. Também existe vacina preventiva, que embora tenha sido inicialmente direcionada para prevenção do câncer de colo de útero, por prevenir a infecção pelo HPV, também tem potencial de proteção contra o câncer de cabeça e pescoço — explica.

    No Brasil, a vacina está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos. Segundo Lucas Sant'Ana, além do HPV, vírus como o EBV e o HIV estão associados ao câncer de cabeça e pescoço. A exposição excessiva à radiação solar ultravioleta também pode representar fator de risco para câncer de lábio.

    CONHECENDO O CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO:

    O que é?

    Os tumores de cabeça e pescoço são uma denominação genérica do câncer que se localiza em regiões como boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe (onde é formada a voz), esôfago, tireóide e seios paranasais.

    Sintomas

    São manifestações comuns manchas na boca, dor em região oral ou para deglutir, feridas com cicatrização demorada, rouquidão persistente e dificuldade para engolir. Nas fases mais avançadas da doença, podem ainda surgir nódulos na região cervical.

    Diagnóstico

    Profissionais de saúde da família, assim como dentistas, são fundamentais para o diagnóstico das lesões iniciais, fase em que os índices de cura são mais elevados. Inicialmente é feito um exame para detecção da lesão através da inspeção da cavidade oral, enquanto para tumores mais profundos é necessário o emprego do nasofibrolaringoscópio. Após a visualização da lesão, realiza-se a biópsia.

    Complicações

    Dependendo do tipo de tratamento realizado, certas complicações podem ocorrer. A cirurgia pode levar a alterações estéticas, dificuldade de fonação, dificuldade de deglutição e necessidade de traqueostomia. Radioterapia pode levar a xerostomia (boca seca) e queimaduras na região oral. Quimioterapia pode causar queda da imunidade, problemas renais, náuseas e vômitos. Além das complicações inerentes à doença em si, o tratamento do câncer de cabeça e pescoço também pode levar à grande morbidade.

    Tratamento

    O tipo do tratamento e as chances de cura dependem do estágio em que a doença se encontra. Para tumores em fases iniciais, a cirurgia isolada pode ser curativa em grande parte dos casos. Para estágios mais avançados, outras abordagens terapêuticas podem ser necessárias, como quimioterapia e radioterapia, e as possibilidades de cura diminuem.

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