No silêncio da mata, cercada por árvores, trilhas e pela curva do rio Chapecozinho, uma pequena cápsula chama a atenção de quem busca desacelerar. Em vez de paredes convencionais, concreto ou grandes estruturas, a proposta é simples e ousada: dormir em meio à natureza, ouvindo o som do vento, dos pássaros e da água correndo. A experiência acontece em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, dentro do empreendimento NaTrilha, localizado na Linha Voltão, interior do município.

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A ideia surgiu do desejo de reconectar as pessoas ao ambiente natural. Segundo a idealizadora e gerente do espaço, Ediane Tonello Piasseski, tudo começou a partir da relação que ela mesma criou com o lugar.

— Primeiro de tudo, o espaço na trilha foi construído com um objetivo muito claro, que é conectar as pessoas à natureza. Ali existem vários bosques, vários ambientes, e um dos pontos mais marcantes é o mirante da volta do rio Chapecozinho, onde ele contorna a reserva indígena Chapecó. A partir dali, eu senti uma conexão muito forte com a natureza e pensei que tudo o que fosse feito precisava valorizar isso — conta.

A hospedagem em cápsula foge do conceito tradicional de hotel ou chalé. Com raio de 1,20 metro, o espaço acomoda até duas pessoas e conta com colchão, roupas de cama, toalhas de banho, iluminação, tomadas, ventilação e até acesso à internet. A estrutura, apesar de compacta, garante conforto sem perder o contato com o ambiente externo.

A proposta, segundo Ediane, é justamente sair do padrão urbano.

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— A ideia é sair das quatro paredes. No dia a dia agitado da cidade, mesmo em cidades do interior, a gente vive uma correria constante. Quando pensamos nesse espaço, foi justamente para criar ambientes que valorizassem as árvores, as vistas, a liberdade. A pessoa dorme na cápsula, mas quando abre a porta, está completamente conectada com a natureza — diz.

Cápsula em Xanxerê
Interior da cápsula une simplicidade, conforto e funcionalidade em poucos metros quadrados (Foto: Arquivo Pessoal, Divulgação)

Ao lado das cápsulas, os visitantes têm acesso a quiosques cobertos, equipados com geladeira, churrasqueira, pia, mesa, bancos e energia elétrica. O chão de brita, longe de ser apenas uma escolha estética, também segue a lógica de sustentabilidade e praticidade.

— A gente pensa tudo para facilitar a manutenção e a limpeza, mas sem perder o sentido do lugar. A brita vem da natureza, são pedras processadas, mas naturais. Tudo ali precisa dialogar com o ambiente, nada pode destoar — explica.

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Além da hospedagem, quem se aventura até o NaTrilha encontra laguinhos, áreas de sombra, redes fixadas nas árvores e diferentes opções de trilhas, que podem ser feitas de forma autoguiada ou com acompanhamento. O acesso às cápsulas e às trilhas é feito por agendamento, garantindo uma experiência mais reservada e tranquila.

Outro diferencial do projeto está no reaproveitamento de materiais. A cápsula, segundo Ediane, ganharam uma segunda vida após serem descartadas pela indústria.

— O objetivo foi reutilizar algo que a indústria considerava obsoleto. Dar uma segunda vida. Eu penso muito nisso: o que eu posso reaproveitar para não criar lixo, para não desperdiçar. Tudo tem custo, tudo tem valor. Quando a gente encontrava uma solução possível, a gente seguia em frente — relata.

Instaladas em uma área sombreada, a cápsula reforça a proposta de integração com a natureza.

— Você dorme dentro dela, mas o principal é o que acontece quando você sai. A ideia é estar fora, sentir o lugar, caminhar, respirar. É esse contato direto com a natureza que a gente quer proporcionar — conclui.

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