O carro automático tem só dois pedais: freio e acelerador. Mesmo assim, há motoristas que, em momentos de tensão, distração ou por força do hábito em carros manuais, acabam pisando no acelerador quando queriam frear. O resultado pode ser um susto, uma batida em baixa velocidade ou até acidentes graves em garagens, estacionamentos e entradas de prédios.

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Esse tipo de ocorrência é conhecido em estudos internacionais como pedal misapplication, algo como “aplicação errada do pedal”. Na prática, é quando o motorista aciona o pedal errado, geralmente acelerando em vez de frear. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego dos Estados Unidos, a NHTSA, estima que existam cerca de 15 casos por mês no país, mas ressalta que o número pode ser subestimado porque nem sempre a causa real do acidente é registrada.

Cenas assustadoras no Brasil

A confusão entre freio e acelerador também já rendeu cenas tão curiosas quanto assustadoras. Em Goiânia, uma motorista de 77 anos perdeu o controle do carro automático dentro do estacionamento de um hipermercado e avançou sobre a área das motos, atingindo vários veículos em sequência. Já em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, outra motorista se envolveu em um acidente na saída de um shopping depois de também confundir os pedais durante a manobra.

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Os dois casos ajudam a mostrar por que esse tipo de erro chama tanta atenção. Não estamos falando de alta velocidade nem de situações extremas, mas de momentos aparentemente simples, como estacionar ou sair de uma vaga. É justamente aí que mora o risco: em espaços apertados, com muita informação ao redor e pouco tempo para reagir, uma pisada errada pode transformar uma manobra comum em um grande susto.

Por que o erro acontece mais em carro automático?

No carro automático, o problema costuma aparecer mais em situações de baixa velocidade. Isso acontece porque o motorista passa muito tempo alternando entre freio e acelerador em espaços apertados. Em estacionamento, por exemplo, é preciso olhar retrovisor, virar o volante, calcular distância de parede, pedestre, coluna, guia e outros carros. A atenção fica dividida justamente no momento em que o pé precisa ser mais preciso.

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A própria NHTSA identificou que 77% dos casos encontrados em reportagens ocorreram em estacionamentos ou entradas de garagem. Em uma base de acidentes da Carolina do Norte, onde esse tipo de ocorrência era registrado com mais detalhe, 57% dos casos também estavam ligados a estacionamentos ou garagens.

O carro anda sozinho e isso muda tudo

A explicação não está apenas na posição dos pedais. O automático muda o comportamento do carro. Diferentemente de um manual, ele pode começar a se movimentar assim que o motorista tira o pé do freio, mesmo sem acelerar. Esse movimento em D ou R ajuda nas manobras, mas também exige que o condutor mantenha o pé bem-posicionado e pronto para frear.

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Se o carro se move de um jeito inesperado, o motorista pode reagir no susto. E, quando acredita que está pisando no freio, tende a pressionar ainda mais o pedal. Se o pé estiver no acelerador, a tentativa de corrigir o erro faz o carro avançar com mais força.

Garagens e estacionamentos aumentam o risco

Pesquisadores apontam que estacionamentos concentram esse tipo de erro porque reúnem vários fatores ao mesmo tempo: baixa velocidade, pouco espaço, manobras curtas, marcha à ré, pedestres circulando e necessidade de fazer pequenos ajustes no pedal e no volante.

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Em uma rua aberta, o motorista pode ter alguns metros para perceber o erro e reagir. Em uma garagem, uma pisada errada já pode ser suficiente para atingir parede, portão, vitrine, coluna ou outro carro.

O hábito do carro manual também pode atrapalhar

Outro ponto é o costume de quem passou anos dirigindo carro manual. No manual, o pé esquerdo trabalha na embreagem. No automático, ele deve ficar parado no descanso.

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Quando o motorista tenta usar os dois pés, um no freio e outro no acelerador, pode acabar pressionando os dois pedais ou reagindo de forma errada em um momento de nervosismo. Por isso, a recomendação mais segura é usar apenas o pé direito para frear e acelerar.

Como evitar a confusão dos pedais

A forma mais segura de evitar o problema é simples, mas exige disciplina: usar apenas o pé direito para frear e acelerar, deixar o pé esquerdo apoiado, ajustar bem o banco e evitar manobras apressadas.

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Em vagas apertadas, a dica é aproveitar o movimento natural do carro automático com o pé sempre pronto no freio, sem acelerar além do necessário. Também vale redobrar a atenção na troca entre D, R e P. Parte dos sustos acontece quando o motorista acha que o carro vai para um lado, acelera, e o veículo se move no sentido oposto ao esperado.

No fim, a confusão dos pedais no carro automático não acontece porque o motorista “não sabe dirigir”. Ela costuma nascer da soma entre hábito, pressa, susto, distração e pouco espaço para corrigir. E é justamente por parecer um erro simples demais que ele pode pegar tanta gente desprevenida.

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