Comprar um carro elétrico significa gastar menos com combustível e manutenção, mas uma parte dessa economia pode desaparecer quando chega a hora da revenda. Levantamentos do mercado brasileiro mostram que, na média, os elétricos ainda perdem valor mais rapidamente do que híbridos e veículos a combustão.
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Os carros elétricos lançados em 2022 acumulavam desvalorização média de 50,5% até junho de 2026, segundo o IBV Auto, índice elaborado pelo banco BV com dados de transações reais de veículos financiados. Entre modelos a combustão comparáveis, a queda no mesmo intervalo foi de apenas 13,2%.
Nos veículos lançados em 2023, a diferença continua expressiva: os elétricos perderam, em média, 46,1%, contra 26,1% dos híbridos e 19,6% dos carros movidos exclusivamente a combustão.
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Elétrico perde mais valor em um ano?
A resposta geral é sim, mas a intensidade da queda depende bastante do modelo. Um levantamento da Webmotors baseado em dados da Tabela Fipe comparou os preços registrados entre janeiro e dezembro de 2024 e encontrou diferenças superiores a 30 pontos percentuais entre carros elétricos.
O Renault Kwid E-Tech foi o caso mais extremo entre os modelos analisados, com desvalorização de 42,05% em apenas um ano. O Peugeot e-208 GT ficou perto desse resultado, com perda de 40,77%.
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Em patamares menos acentuados apareceram o Mini Cooper elétrico, com queda de 27,18%, o BYD Dolphin Plus, com 17,41%, e o BYD Dolphin convencional, com 14,92%.
Exemplos de desvalorização em um ano
| Modelo elétrico | Desvalorização |
|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | 42,05% |
| Peugeot e-208 GT | 40,77% |
| Mini Cooper elétrico | 27,18% |
| BYD Dolphin Plus | 17,41% |
| BYD Dolphin | 14,92% |
| GWM Ora 03 Skin | 13,96% |
| GWM Ora 03 GT | 11,96% |
Os percentuais se referem ao levantamento realizado com os valores registrados entre janeiro e dezembro de 2024. Eles não representam uma projeção garantida para os próximos anos, mas ajudam a mostrar como a escolha do modelo influencia o prejuízo na revenda.
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Por que o carro elétrico desvaloriza tanto?
Um dos principais motivos está no próprio mercado de carros novos. Nos últimos anos, a chegada de novas montadoras e de modelos chineses mais baratos provocou uma sequência de cortes de preços.
Quando o valor de um zero-quilômetro diminui, o usado também precisa ficar mais barato para continuar atraente. Um proprietário que comprou antes da redução acaba vendo o valor de seu carro cair mesmo que ele esteja conservado e tenha poucos quilômetros rodados.
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O banco BV também aponta o lançamento de veículos mais baratos e tecnologicamente superiores como uma das pressões sobre os elétricos antigos. Novas gerações chegam com maior autonomia, recarga mais rápida, baterias aprimoradas e equipamentos que não existiam poucos anos antes.
É um processo parecido com o que acontece com celulares e computadores: o produto continua funcionando, mas uma versão mais moderna e competitiva reduz o interesse pela anterior.
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Bateria também preocupa quem compra usado
A bateria é um dos componentes mais caros de um carro elétrico e ainda provoca dúvidas no mercado de seminovos. Antes da compra, é importante verificar o estado de saúde do conjunto, a autonomia apresentada pelo veículo e o período restante da garantia.
Embora as baterias sejam projetadas para durar muitos anos, o comprador do usado pode exigir um desconto maior quando não há um diagnóstico claro sobre sua capacidade. O histórico de revisões, a garantia de fábrica e um laudo técnico podem ajudar a reduzir essa insegurança.
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A liquidez também pesa. Carros populares a combustão contam com um público maior, ampla rede de oficinas e compradores que já conhecem seus custos. O mercado de elétricos usados está crescendo, mas ainda é menor e mais seletivo.
Nem todo elétrico perde dinheiro da mesma maneira
O GWM Ora 03 mostra que não é possível colocar todos os carros elétricos no mesmo grupo. A versão GT desvalorizou 11,96% no levantamento da Webmotors, resultado melhor do que o de alguns SUVs a combustão da mesma faixa de preço.
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No mesmo estudo, o Hyundai Creta N Line perdeu 16,38%, enquanto o Jeep Renegade S T270 recuou 19,58%. O Ora 03 Skin também teve desempenho competitivo, com queda de 13,96%.
Isso indica que reputação da marca, preço inicial, quantidade de unidades disponíveis, procura no mercado de usados e política comercial da montadora podem ser tão importantes quanto o tipo de motor.
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Um elétrico lançado por um preço competitivo e que não sofre grandes reduções na concessionária tende a preservar melhor seu valor. Já um modelo que recebe cortes sucessivos ou ganha rapidamente um substituto mais moderno pode enfrentar uma queda maior.





