Fumaça, chamas e às vezes até alguns bombeiros trabalhando. Vídeos de carros elétricos ou carregadores pegando fogo costumam viralizar rápido. Devido à circulação desse tipo de conteúdo, muita gente fica na dúvida se um carro elétrico tem mais chance de incendiar do que um modelo a gasolina, diesel ou flex.

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O que muda, na verdade, é o comportamento do incêndio quando a bateria entra em combustão, não necessariamente significa que o carro elétrico pegue fogo mais fácil.

Segundo levantamento da AutoInsuranceEZ de 2023, elétricos registraram cerca de 25 incêndios a cada 100 mil unidades vendidas, contra 1.530 em veículos a gasolina e 3.475 em híbridos nos Estados Unidos. Já na Coreia do Sul, a taxa também foi menor nos elétricos: 1,3 incêndio a cada 10 mil veículos elétricos, contra 1,9 nos modelos a combustão.

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Na Austrália, o governo registrou 14 incêndios em baterias de carros elétricos de 2021 e abril de 2026, enquanto havia mais de 500 mil elétricos em circulação no país em abril de 2026.

Por que o medo é tão grande?

Porque o incêndio de um elétrico é diferente. Em vez de combustível líquido, o ponto crítico é a bateria de íons de lítio. Se ela sofre dano, defeito interno, superaquecimento ou entra em reação em cadeia, pode ocorrer a chamada fuga térmica, quando as células da bateria aquecem rapidamente e propagam o fogo.

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O Fire Safety Research Institute, ligado à UL Research Institutes, afirma que incêndios em baterias de veículos elétricos trazem riscos específicos e ainda exigem mais dados para estratégias totalmente eficientes de combate. A instituição também aponta que métodos tradicionais de supressão podem não ser tão eficazes quanto são em carros a combustão.

Outro ponto é que a bateria pode reacender mesmo depois de o fogo parecer controlado. Por isso, órgãos como a NHTSA, dos Estados Unidos, mantêm guias específicos de resposta emergencial por marca e modelo para orientar bombeiros, equipes de resgate, guincho e armazenamento de veículos eletrificados

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O que acontece no Brasil?

No Brasil, testes feitos pela ABVE em parceria com bombeiros de São Paulo incendiaram dez veículos elétricos para avaliar a intensidade do fogo. Segundo a AutoData, a conclusão apresentada foi que o incêndio de um elétrico é similar ao de um carro a combustão, e nenhum tipo de bateria testado apresentou fogo mais intenso ou perigoso do que o de um modelo convencional.

O ponto de atenção, especialmente em prédios, está menos no carro em si e mais na estrutura de recarga. A recomendação técnica é usar carregadores adequados, como wallbox instalado por profissional habilitado, e evitar improvisos em tomadas comuns. Nos debates sobre normas para garagens, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) afirma que o foco passou a ser a segurança dos estacionamentos como um todo, não apenas das vagas para elétricos.

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O risco cresce principalmente quando há colisão forte com dano na bateria, instalação elétrica mal feita, carregador inadequado, superaquecimento, defeito de fabricação ou manutenção irregular. Também pesa o ambiente: uma garagem fechada, sem ventilação, detector de fumaça ou sistema de combate a incêndio, torna qualquer incêndio mais difícil, seja em carro elétrico, híbrido ou a combustão.

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