Quem dirigiu um carro flex mais antigo provavelmente se lembra da cena: além de abastecer o tanque principal, era preciso abrir o capô e colocar uma pequena quantidade de gasolina em um reservatório de plástico.

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Conhecido como tanquinho de partida a frio, o compartimento parecia estranho em um veículo que podia rodar apenas com etanol. Afinal, por que um carro abastecido com álcool também precisava de gasolina?

A resposta depende da idade e do sistema usado pelo automóvel. Nos modelos equipados com o reservatório, a gasolina continua sendo necessária. Nos carros mais novos, porém, o motorista geralmente não precisa abastecer nenhum recipiente adicional.

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Para que servia o tanquinho de gasolina?

O reservatório tinha uma tarefa específica: ajudar o motor a funcionar nas primeiras tentativas de partida quando havia muito etanol no tanque principal e a temperatura estava baixa.

O etanol possui características que dificultam sua vaporização durante uma partida a frio. Sem combustível vaporizado em quantidade suficiente, a mistura dentro do motor pode não entrar em combustão com facilidade.

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Para contornar o problema, o sistema retirava uma pequena dose de gasolina do tanquinho e a enviava ao motor. Como a gasolina vaporiza mais facilmente nessas condições, ela ajudava o carro a pegar. Depois que o motor entrava em funcionamento, o veículo voltava a utilizar normalmente o combustível do tanque principal.

O motorista não precisava apertar botão nem escolher qual combustível seria usado. Sensores e a central eletrônica avaliavam fatores como temperatura e proporção de etanol no tanque.

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Quem abastece com etanol ainda precisa colocar gasolina?

Sim, caso o veículo tenha o tanquinho de partida a frio. Mesmo que o reservatório seja usado poucas vezes durante o ano, ele deve conter a gasolina indicada pela fabricante.

O manual da Chevrolet Spin 2021, por exemplo, recomendava verificar semanalmente o nível e manter o compartimento abastecido. A marca orientava ainda o uso de gasolina de maior durabilidade ou, na falta dela, gasolina aditivada.

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Rodar com o tanquinho vazio pode não causar qualquer sintoma em um dia quente. O problema tende a aparecer quando a temperatura cai: o motor demora a pegar, exige várias tentativas ou simplesmente não entra em funcionamento.

Por outro lado, se o carro não possui o pequeno reservatório, não há necessidade de colocar gasolina sob o capô. O sistema de partida a frio já foi projetado para trabalhar sem essa ajuda externa.

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Gasolina esquecida também pode virar problema

Como o conteúdo do tanquinho é consumido apenas em determinadas condições, a gasolina pode permanecer parada por muito tempo. Combustível envelhecido perde propriedades e pode criar depósitos no reservatório, nas mangueiras e no pequeno injetor responsável pela partida.

As orientações variam conforme o veículo. O manual do Fiat Grand Siena 2019, por exemplo, recomendava substituir a gasolina do reservatório caso ela não fosse consumida durante três meses.

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Por isso, não existe uma recomendação única válida para todos os carros. O manual do proprietário deve ser consultado para saber qual gasolina usar, quando verificar o nível e em quanto tempo o combustível deve ser renovado.

Também não se deve colocar etanol, diesel, água ou qualquer outro líquido no compartimento. Manuais da Chevrolet alertavam que o uso de combustível incorreto poderia provocar danos graves ao veículo.

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Que fim levou o tanquinho sob o capô?

O começo do fim ocorreu quando as fabricantes passaram a aquecer o próprio etanol antes de ele chegar ao motor. Com o combustível aquecido, tornou-se possível formar a mistura necessária para a partida mesmo em dias frios, dispensando a gasolina auxiliar.

Uma das tecnologias mais conhecidas foi o FlexStart, desenvolvido pela Bosch. Em vez de recorrer ao pequeno reservatório, o sistema usa elementos elétricos para elevar a temperatura do combustível próximo aos injetores.

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A solução chegou às ruas brasileiras em 2009 com o Volkswagen Polo E-Flex, apresentado como o primeiro flex do mercado nacional sem o tanquinho de gasolina.

Depois disso, sistemas semelhantes começaram a aparecer em veículos de outras fabricantes. O Fiat Mobi 2022, por exemplo, já descrevia em seu manual uma solução de aquecimento que dispensava o reservatório auxiliar.

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Como saber se o carro possui o reservatório?

O modo mais seguro é consultar o manual do proprietário. Também é possível verificar o compartimento do motor, procurando um pequeno tanque identificado como reservatório de partida a frio.

Ele não deve ser confundido com os recipientes do líquido de arrefecimento, fluido de freio ou água do limpador de para-brisa. Abrir ou abastecer o reservatório errado pode causar prejuízo e colocar a segurança em risco.

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Se houver dúvida sobre qual recipiente é o tanquinho, o ideal é não completar nada antes de consultar o manual ou uma oficina. A peça que um dia foi presença quase obrigatória sob o capô hoje virou lembrança de uma fase importante da história dos carros flex brasileiros.