O mercado chinês virou uma espécie de laboratório do futuro do automóvel. Em poucos anos, marcas que eram pouco conhecidas fora da Ásia passaram a disputar espaço com gigantes globais, lançar elétricos baratos, SUVs cheios de telas e sedãs capazes de encostar em esportivos de luxo.

Continua depois da publicidade

E alguns desses carros já vendem muito por lá, mas ainda parecem distantes das ruas brasileiras. Segundo ranking de vendas de maio de 2026 compilado pelo CarNewsChina, todos os dez carros mais vendidos da China no mês eram eletrificados. Pela primeira vez, modelos a combustão ficaram fora do top 10 do maior mercado automotivo do planeta.

Entre os nomes da lista, há modelos já conhecidos dos brasileiros, como Tesla Model Y e Model 3, e outros que ainda soam quase como ficção para quem acompanha o mercado nacional. É o caso do Xiaomi SU7, do Leapmotor A10, do Li Auto i6, do Aito M6 e do Wuling Hongguang Mini EV.

Xiaomi SU7

O caso mais curioso é o do Xiaomi SU7. A marca ficou mundialmente famosa pelos celulares, mas entrou no setor automotivo com um sedã elétrico que virou fenômeno na China.

Em maio de 2026, o SU7 foi o 3º carro mais vendido do país, com 24.023 unidades, atrás apenas do Geely Xingyuan/EX2 e do Tesla Model Y. O desempenho chama atenção porque a Xiaomi ainda é uma novata no setor automotivo, mas já aparece brigando com marcas tradicionais e com a própria Tesla.

Continua depois da publicidade

O sedã tem visual esportivo, proposta tecnológica e uma estratégia bem parecida com a que tornou a marca popular nos smartphones: entregar muita tecnologia por um preço agressivo. Por enquanto, no entanto, o carro ainda não é vendido oficialmente fora da China. A Xiaomi já indicou que só deve considerar a venda de carros em outros países a partir de 2027.

Xiaomi SU7 virou fenômeno na China ao levar a marca conhecida pelos celulares para o mercado de carros elétricos (Xiaomi, divulgação)

Leapmotor A10

Outro nome que aparece forte no ranking chinês é o Leapmotor A10. Em maio de 2026, o modelo ficou em 4º lugar, com 22.306 unidades vendidas no mercado local.

A Leapmotor até já tem operação ligada ao Brasil, em parceria com a Stellantis, mas o A10 ainda não é o carro escolhido para desembarcar por aqui. A marca trabalha no país com os modelos B10 e C10, inclusive com plano de produção local confirmado pela Stellantis.

Leapmotor A10 aparece entre os modelos chineses que vendem bem no país asiático, mas ainda não chegou oficialmente ao Brasil (Leapmotor/Stellantis, divulgação)

Li Auto i6

O Li Auto i6 também apareceu entre os mais vendidos da China em maio de 2026, na 5ª posição, com 20.878 unidades.

Continua depois da publicidade

A Li Auto é uma das marcas chinesas que mais cresceram no segmento de carros eletrificados, especialmente com SUVs e modelos familiares de alta tecnologia. O i6 reforça essa estratégia com uma proposta moderna e voltada a consumidores que buscam carros grandes, conectados e com cara de produto premium.

No Brasil, porém, a Li Auto ainda não tem presença oficial. Por isso, apesar de estar entre os carros que mais vendem na China, o i6 segue distante das concessionárias brasileiras.

Li Auto i6 aposta em visual futurista e tecnologia para disputar espaço no concorrido mercado chinês de eletrificados (Li Auto, divulgação)

Aito M6

O Aito M6 é outro nome que merece atenção. O SUV apareceu em 9º lugar no ranking de maio de 2026, com 18.148 unidades vendidas. A marca Aito é ligada ao grupo Seres e tem forte participação da Huawei em tecnologia, especialmente em conectividade, sistemas inteligentes e assistência à condução.

O M6 chama atenção por oferecer versões elétricas e de autonomia estendida, uma solução em que o carro roda com motor elétrico, mas pode usar um motor a combustão como gerador de energia.

Continua depois da publicidade

A Aito já começou a olhar para mercados fora da China, com planos para Oriente Médio e Europa, mas a presença internacional ainda é pequena. Menos de 1% das vendas da marca eram internacionais, embora a empresa queira elevar esse percentual nos próximos anos.

Aito M6 é um SUV eletrificado ligado ao ecossistema da Huawei e está entre os carros que chamam atenção na China (Aito, divulgação)

Wuling Hongguang Mini EV

O Wuling Hongguang Mini EV talvez seja o mais diferente da lista. Pequeno, urbano e barato, ele ficou em 8º lugar no ranking chinês de maio de 2026, com 18.308 unidades.

O modelo virou um fenômeno justamente por seguir o caminho contrário dos SUVs grandes e caros. É um elétrico compacto, feito para deslocamentos curtos e uso urbano, com preço muito mais baixo que o de modelos tradicionais.

No Brasil, onde carros de entrada praticamente desapareceram das vitrines, um modelo desse tipo chamaria atenção. Mas também enfrentaria desafios grandes como normas de segurança, adaptação ao gosto local, rede de assistência e preço final depois de impostos e importação.

Continua depois da publicidade

Wuling Hongguang Mini EV ficou famoso na China por ser um elétrico urbano, compacto e mais acessível (Wuling/GM, divulgação)

Por que alguns campeões chineses não vêm para cá?

O sucesso na China não significa chegada automática ao Brasil. Muitas marcas priorizam primeiro o mercado doméstico, que já é gigantesco, antes de pensar em exportação. Outras ainda precisam criar rede de concessionárias, peças, pós-venda e assistência técnica.

Também há casos em que o carro até “chega”, mas com outro nome. O Geely Xingyuan, por exemplo, líder de vendas na China em maio de 2026, é conhecido internacionalmente como Geely EX2 — e o EX2 já aparece no catálogo brasileiro da marca. Por isso, ele não entra na lista dos que ainda estão fora do Brasil.

A BYD vive situação parecida. Modelos como Qin, Yuan e Sealion têm famílias ou equivalentes próximos já vendidos por aqui, como King DM-i, Yuan Plus, Yuan Pro e Sealion 7. Por isso, nem sempre dá para dizer que um sucesso chinês “não chegou”.

Continua depois da publicidade