A mistura de cocaína e álcool, que contribuiu para a morte do casal Ana Carolina da Silva e Jefferson Sagaz em um motel de São José, na Grande Florianópolis, causa uma série de efeitos no corpo humano. Os dois morreram no dia 11 de agosto, devido ao uso das substâncias associado à permanência dentro da banheira com água quente, conforme concluiu o inquérito da Polícia Civil.
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De acordo com laudos da Polícia Científica, os níveis de álcool no sangue de ambos eram altíssimos – 18,14 decigramas por litro para Ana Carolina e 16,4 para Jefferson. Para referência, níveis entre 3 e 5 decigramas por litro já podem induzir ao coma em algumas pessoas.
O uso das substâncias fez com que os dois entrassem em estado de torpor, o que impediu eles de perceber o perigo antes de desmaiar na banheira do motel, de acordo com a Polícia Científica. A temperatura da água chegou a 50 °C, o que agravou o quadro e levou à falência de órgãos.
Conforme a perita-geral da Polícia Cientifica Andressa Boer Fronza, as concentrações tanto de álcool quanto de cocaína nos corpos já poderiam ser suficientes para causar toxicidade a ponto de levar ao óbito. No entanto, a permanência deles na água quente da banheira aumentou o risco da morte.
— A causa de ambas as mortes foi a mesma. Foi intoxicação exógena, favorecendo o processo de intermação (hipertermia induzida pelo calor), com desidratação intensa, colapso térmico, dentre outros, culminando com a falência orgânica e a morte — declarou a perita-geral.
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Quais os efeitos da mistura de álcool e cocaína
Sozinhos, o álcool (um depressor do sistema nervoso central) e a cocaína (um estimulante) já impõem um grande estresse ao corpo. A combinação dos dois é perigosa, pois dá origem a uma outra substância: o cocaetileno.
— No organismo, ele tem alguns efeitos, principalmente no sistema cardíaco. Além disso, a substância fica mais tempo no organismo, podendo causar efeito por mais tempo — explica Camila Marchioni, coordenadora do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC).
Segundo o National Institute on Drug Abuse (NIDA) dos Estados Unidos, o cocaetileno é formado no fígado. Esse metabólito intensifica os efeitos eufóricos da cocaína, mas também aumenta significativamente o risco de morte súbita. Ele é mais cardiotóxico do que a cocaína sozinha, elevando a pressão arterial, a frequência cardíaca e o risco de arritmias fatais e ataques cardíacos.
Veja fotos do casal
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Casal não tinha hábito de usar drogas
Segundo o delegado Felipe Simão, responsável pelo caso, o casal tinha uma vida social agitada. No entanto, pessoas próximas relataram que eles não tinham o hábito de usar cocaína.
— Pode ser que a constituição corporal, tanto dele quanto dela, não fossem compatíveis com o uso de uma substância como essa, principalmente associado à ingestão de bebida alcoólica — afirmou o delegado.
Jefferson e Ana Carolina tiveram um domingo agitado antes de irem ao motel, conforme o delegado. A comemoração começou por volta das 10h, em um food park no bairro Capoeiras, em Florianópolis, onde passaram o dia ingerindo uma grande quantidade de bebida alcoólica.
Por volta das 21h, eles saíram acompanhados de amigos para uma casa noturna, ainda conforme o delegado. Ambos permaneceram no local por algumas horas e, depois, decidiriam ir para uma outra festa em uma boate no bairro Coqueiros. No entanto, uma amiga que os acompanhava, percebendo o estado de embriaguez de Ana Carolina, alertou que ela não estaria em condições de entrar. O casal então desistiu do plano e, por volta da meia-noite, deu entrada no motel na região de São José.
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Ana e Jefferson foram encontrados mortos na noite do dia seguinte, após familiares darem falta do casal. Os corpos foram achados na banheira sem sinais de violência. Mais tarde, laudos descartaram as possibilidades de afogamento, choque elétrico e intoxicação por monóxido de carbono.
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