A família de Ana Carolina da Silva, de 42 anos, encontrada morta junto ao marido, o policial militar Jefferson Sagaz, de 37, em um motel na Grande Florianópolis, em 11 de agosto, questionou o resultado do inquérito apresentado pela Polícia Civil na quarta-feira (1º). Em nota divulgada nesta quinta (2), os familiares da empresária afirmaram que ela não era usuária de drogas e pediram uma investigação “rigorosa, transparente e imparcial”.
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“Embora laudos apontem a presença de substâncias em seu sangue, afirmamos com total certeza que Ana não era usuária de drogas. Diante das inconsistências, levantamos a séria preocupação de possível ingestão forçada ou envenenamento e exigimos investigação rigorosa, transparente e imparcial”, diz a nota da família.
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A Polícia Civil negou a possibilidade de novas investigações e informou que o inquérito foi finalizado. Ao NSC Total, o delegado Felipe Simão disse que a investigação levou em consideração elementos científicos.
— Todas as hipóteses levantadas na nota de repúdio (da família) não têm fundamento científico, mas em dados de convivência casual, que não corresponde à verdadeira intimidade do casal — disse o delegado.
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Já a Polícia Científica reiterou, em comunicado enviado à reportagem, os detalhes dos resultados do inquérito.
“Todos os exames periciais realizados seguiram rigorosos protocolos científicos e foram conduzidos por Peritos Oficias e equipes técnicas especializadas, com total isenção e independência. A imparcialidade é um dos pilares do trabalho da Polícia Científica, e nossos resultados são sempre baseados em evidências técnico-científicas”, disse a corporação.
Veja fotos do casal
Veja a nota da família na íntegra
Nota de Repúdio
É com profunda indignação que nós, da família da Ana Carolina da Silva, conhecida como Ana da Mood, repudiamos as notícias falsas que vêm sendo divulgadas.
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Embora laudos apontem a presença de substâncias em seu sangue, afirmamos com total certeza que Ana não era usuária de drogas. Diante das inconsistências, levantamos a séria preocupação de possível ingestão forçada ou envenenamento e exigimos investigação rigorosa, transparente e imparcial.
Nosso objetivo é preservar a memória e a dignidade de Ana, garantindo que a verdade prevaleça sobre especulações cruéis e injustas. Não aceitaremos que sua história seja manchada por suposições irresponsáveis.
Seguiremos firmes em busca de respostas, com a certeza de que a justiça será feita.
Florianópolis, 01/10/2025
Família de Ana Carolina da Silva
Veja a nota da Polícia Científica na íntegra
“A Polícia Científica de Santa Catarina reitera o conteúdo dos Laudos Periciais emitidos no caso do casal encontrado sem vida em um quarto de motel no dia 12 de agosto e apresentados em coletiva de imprensa conduzida pela Polícia Civil.
Todos os exames periciais realizados seguiram rigorosos protocolos científicos e foram conduzidos por Peritos Oficias e equipes técnicas especializadas, com total isenção e independência. A imparcialidade é um dos pilares do trabalho da Polícia Científica, e nossos resultados são sempre baseados em evidências técnico-científicas.
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Reforçamos nosso compromisso permanente com a verdade, a justiça e a cidadania, colocando a ciência a serviço da sociedade”.
Entenda
O inquérito foi concluído em 16 de setembro. De acordo com a perita-geral Andressa Fronza, a causa da morte foi intoxicação exógena pelo uso combinadod e cocaína e álcool.
— A causa de ambas as mortes foi a mesma. Foi intoxicação exógena, favorecendo o processo de intermação (hipertermia induzida pelo calor), com desidratação intensa, colapso térmico, dentre outros, culminando com a falência orgânica e a morte — declarou a perita-geral.
Segundo delegado Felipe Simão, a água da banheira pode ter chegado a 50°C no momento da morte. Além disso, a ventilação de ar quente estava ligada. Resquícios de cocaína também foram encontrados no quarto do motel, conforme o delegado.
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Um fator que pode ter contribuído para as mortes, conforme o delegado, é que Ana e Jefferson não tinham o hábito de usar drogas.
— A grande questão que foi tratada acerca dos depoimentos que nós tomamos é que eles não tinham o hábito de fazer uso de cocaína. Então, pode ser que talvez a constituição corporal, tanto dele quanto dela, não fossem compatíveis com o uso eventual de uma substância como essa — declarou Felipe Simão.
O diretor de Medicina Legal da Polícia Científica, Fernando Oliva da Fonseca, explicou que os níveis de álcool no sangue eram altíssimos – 18,14 decigramas por litro para Ana Carolina e 16,4 para Jefferson. Para referência, níveis entre 3 e 5 decigramas por litro já podem induzir ao coma em algumas pessoas, conforme o diretor.
— A tendência das pessoas quando entra numa banheira, se ela vai esquentando demais, a pessoa tem uma reação de ou desligar, ou misturar com água fria ou sair da banheira. (Com o uso de drogas e álcool) Pode ter havido justamente isso: a pessoa entra em torpor, a temperatura vai subindo e ela não sente isso e não tem uma reação de defesa, uma reação de fuga do calor — explicou o diretor de medicina legal da Polícia Científica, Fernando Oliva da Fonseca.
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“Coração gigante”
Segundo a família, Ana Carolina e Jefferson estavam juntos há cerca de 20 anos, entre namoro e casamento. Eles eram pais de uma menina de quatro anos e viviam no bairro Campinas, em São José.
Jefferson era policial militar, trabalhava como guarda na Academia de Polícia Militar da Trindade e estava de folga no dia da morte. Segundo o comandante da PM Cleber Pires, ele era uma pessoa querida entre colegas.
— Era um excelente policial militar e desempenhava com alegria suas funções — descreveu o comandante, responsável pela instituição.
Ana Carolina era dona de uma franquia de esmalterias com unidades nos bairros Campinas e Kobrasol. Ela fundou a empresa há cerca de nove anos.
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— A Ana era dinâmica, autêntica. Ela era a cara da empresa — conta Joice Martins Botelho, esposa do primo de Ana.
Segundo a familiar, Ana era apaixonada pela filha.
— Nada que eu fale vai chegar perto do que ela era… Um coração gigante, mãe super dedicada. Uma filha e irmã incrível, carinhosa e batalhadora — relembra Joice.
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