A investigação da Polícia Civil aponta que o feminicídio registrado em Maravilha, no Oeste de Santa Catarina, na madrugada deste domingo (25), ocorreu em um contexto de conflitos no relacionamento, marcado por ciúmes, desentendimentos e comportamentos característicos do ciclo de violência contra a mulher. A vítima estava dormindo no momento do crime.

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As informações foram repassadas pelo delegado Daniel Godoy Danesi, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), responsável pela apuração do caso. Segundo ele, o companheiro relatou, em depoimento, que agiu movido por raiva, embora não tenha apresentado um motivo específico para o ataque.

— Ele mencionou que estava com muita raiva dela. Havia desentendimentos no relacionamento, relacionados a não aceitação de algumas condutas da vítima, além de ciúmes. Esse cenário se encaixa no ciclo de violência que envolve crimes contra a mulher — explicou o delegado.

Durante a apuração, a Polícia Civil também identificou que o homem teria ameaçado de morte uma amiga da vítima. A situação está sendo analisada dentro do inquérito policial. O suspeito teve a prisão convertida em preventiva, segundo o delegado.

Feminicídio ocorreu na madrugada, enquanto vítima dormia

A mulher morta foi identificada como Ana Deyse Gomes Provensi, de 36 anos. Ela foi estrangulada dentro da casa onde vivia com o companheiro, no bairro Kasper. O crime é investigado como feminicídio. Conforme a Polícia Civil, não havia medida protetiva vigente em favor da vítima.

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O crime ocorreu durante a madrugada. Horas depois, ainda no domingo, o companheiro de Ana se apresentou espontaneamente na sede da Polícia Militar e confessou o assassinato. Ele foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça.

A residência da família foi isolada para o trabalho da Polícia Científica, que realizou a coleta de vestígios para auxiliar na reconstrução da dinâmica do crime. Um inquérito policial foi instaurado para apurar todas as circunstâncias, incluindo as motivações, o histórico do relacionamento e eventuais ameaças feitas pelo suspeito.

Quem era Ana Deyse

Natural de São Paulo, Ana vivia há alguns anos em Maravilha ao lado do companheiro e dos três filhos, que agora estão sob os cuidados de familiares. Pessoas próximas a descrevem como uma mulher de “coração enorme e bondoso”, além de uma mãe dedicada e presente na rotina das crianças.

Nas redes sociais, amigos e colegas publicaram mensagens de despedida e homenagens. Em uma das postagens, ela é lembrada como “uma mãe exemplar, muito dedicada em tudo”. Outra mensagem diz: “Minha eterna Ana. Que Deus te receba de braços abertos”.

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Ana estava prestes a concluir um curso técnico em enfermagem, sonho que, segundo conhecidos, representava o desejo de cuidar do próximo e construir um futuro melhor para a família. A morte causou forte comoção entre colegas de aula e professores.

Luto e homenagem

A comoção se estendeu à comunidade na noite de segunda-feira (26), quando amigos, colegas e moradores de Maravilha participaram de uma caminhada em homenagem à vítima. O ato foi organizado pelo Instituto MH, onde Ana estudava, que decretou três dias de luto.

A caminhada teve início em frente à escola e foi marcada por silêncio, oração e pedidos por justiça. Com velas brancas nas mãos, os participantes prestaram uma homenagem simbólica, em um gesto de respeito, amor e repúdio à violência contra a mulher.