Uma batalha jurídica que já dura quase oito anos coloca sob os holofotes a sucessão de uma das maiores fortunas do varejo brasileiro. No centro da disputa está o patrimônio de Anita Louise Regina Harley, de 76 anos, maior acionista individual da Pernambucanas.
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Internada em coma desde 2016 após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), a empresária não deixou testamento registrado, o que abriu caminho para um complexo embate entre ex-funcionárias e herdeiros reconhecidos judicialmente.
Entenda o caso
O império de Anita Harley
Anita é bisneta de Herman Lundgren, fundador das Casas Pernambucanas. Com mais de 115 anos de história, a rede é um pilar do varejo nacional, com mais de 500 lojas e 14 mil colaboradores.
A empresária detém 48% das ações da Nopasa, a holding que controla metade do grupo. Em 2022, seu patrimônio foi avaliado pela revista Forbes em R$ 2 bilhões, colocando a empresária entre as dez mulheres mais ricas do setor de varejo no Brasil.
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Os personagens do conflito
Sem filhos biológicos, o destino da fortuna de Anita é disputado por três pessoas:
- Cristine Rodrigues: Ex-assessora pessoal da empresária. Baseia sua defesa em um “Testamento Vital” de 1999, que lhe dava poderes para decidir sobre a saúde e os bens de Anita em caso de incapacidade. O documento, porém, foi invalidado pela Justiça e é alvo de recurso.
- Sônia Aparecida Soares: Ex-funcionária que morou com Anita por décadas. Teve a união estável com a empresária reconhecida judicialmente no ano passado.
- Arthur Miceli: Filho biológico de Sônia. A Justiça reconheceu a maternidade socioafetiva de Anita em relação a ele, tornando-o herdeiro e, por um período, o curador oficial dos bens da empresária.
Curatela
A gestão dos bens, a chamada curatela, tem sido um jogo de xadrez. Em abril de 2022, Arthur Miceli assumiu a função, no lugar de Guilherme Sant’Anna, advogado que estava na função desde 2017, ganhando o poder de representar os votos de Anita nas decisões estratégicas da Pernambucanas.
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Entretanto, em 2023, a própria mãe de Arthur, Sônia, acionou a Justiça para destituir o filho do cargo e assumir ela mesma a curatela. O pedido foi inicialmente negado, mas a defesa de Sônia aguarda o julgamento de um recurso. Caso vença, Sônia passará a ser a voz oficial de quase metade da holding que controla a varejista.
*Com informações de Valor Econômico







