A história da empresária Anita Louise Regina Harley, herdeira das Casas Pernambucanas, voltou ao centro das atenções após o lançamento do documentário “O Testamento: O Segredo de Anita Harley”, do Globoplay, em fevereiro. A produção reacendeu o interesse por uma disputa judicial que se arrasta há quase uma década e segue sem solução.
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Anita está em coma desde novembro de 2016, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, o caso se transformou em uma batalha na Justiça que envolve o controle de um patrimônio bilionário e a definição de quem teria sido sua companheira legal.
Entenda o caso
Duas versões, uma disputa
No centro do processo estão duas mulheres: Sônia Aparecida Soares, conhecida como Suzuki, e Cristine Alvares Rodrigues, ex-secretária da empresária.
Sônia afirma ter vivido uma união estável com Anita por mais de três décadas e entrou com ação judicial em 2017. Em 2023, obteve uma decisão favorável em primeira instância, mas o entendimento foi revertido posteriormente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerou improcedente o pedido.
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Já Cristine sustenta que manteve um relacionamento com Anita desde a década de 1970. Embora tenha tido o pedido inicialmente negado, ela voltou a ter espaço no processo após a retomada da análise de sua apelação, que agora será avaliada pelos desembargadores.
Idas e vindas na Justiça
O caso é marcado por decisões conflitantes e sucessivos recursos. A Justiça brasileira não permite, em regra, o reconhecimento simultâneo de duas uniões estáveis, o que faz com que os processos se influenciem mutuamente.
Segundo apuração do Valor Econômico, após a derrota em segunda instância, a defesa de Sônia deve recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Ao mesmo tempo, o avanço recente da ação de Cristine altera o equilíbrio da disputa, que hoje é considerado mais favorável a ela, ainda que sem definição.
Outro ponto relevante é o reconhecimento da filiação socioafetiva de Arthur Soares Miceli, filho de Sônia. Ele chegou a obter decisões favoráveis nas instâncias anteriores, mas o tema também aguarda análise no STJ.
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Fortuna bilionária e ausência de testamento
A disputa gira em torno de um patrimônio expressivo. Anita é a principal acionista das Casas Pernambucanas, que possui ativos estimados em R$ 9,5 bilhões e patrimônio de cerca de R$ 1 bilhão, segundo dados recentes.
A situação é agravada pela possibilidade de a empresária não ter deixado um testamento válido, o que amplia a incerteza sobre a destinação dos bens. Sem uma definição sobre herdeiros ou companheira legal, a Justiça tem determinado a nomeação de curadores externos para administrar a fortuna.
Quase dez anos após o AVC, o caso permanece em aberto. A disputa judicial, que começou em 2017, se intensificou nos últimos anos e deve chegar ao STJ nas próximas semanas. Enquanto isso, a falta de consenso sobre a vida pessoal de Anita e a ausência de uma decisão definitiva mantêm o impasse sobre o futuro de seu patrimônio — e sobre quem, de fato, teve um relacionamento com a empresária.
*Com informações de O Valor Econômico e CNN Brasil







