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Caso Bernardo: os argumentos finais das defesas e do Ministério Público 

Após os depoimentos dos réus e das testemunhas, debates se seguiram ao longo de dois dias 

15/03/2019 - 17h33

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Por GaúchaZH
Promotor Bruno Bonamente mostra imagens de uma loja onde Graciele foi comprar uma televisão, logo após a morte de Bernardo, em Frederico Westphalen
(Foto: )

A sentença do júri no julgamento do Caso Bernardo deve sair no final da tarde desta sexta-feira (15). Nas sessões de quinta e sexta, os advogados dos réus e o Ministério Público promoveram debates a respeito de detalhes do julgamento, para tentar convencer os jurados sobre qual sentença seria mais adequada para os quatro réus.

O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini, foram presos pelo crime, assim como Edelvânia e Evandro Wirganovicz — eles respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Confira, a seguir, os principais momentos dos argumentos das defesas e dos promotores:

"Eles tramaram a morte do filho e do enteado", diz promotor

Durante a explanação do Ministério Público (MP), que se iniciou na tarde desta quinta-feira (14), os promotores acusaram Leandro Boldrini e Graciele Ugulini de terem planejado a morte do menino. Também defenderam a condenação de todos os réus com pena máxima. Um dos pontos mais tensos foi a exibição de fotografias do corpo do menino.

– Por baixo dos panos, eles (Graciele e Boldrini) tramaram a morte do filho e do enteado. Ele não estava lá presente, mas ele tinha o domínio de todas as ações que foram desempenhadas pela Graciele, pela Edelvânia e também pelo Evandro – acusou o promotor Bruno Bonamente.

"O Leandro achava que era um bom pai", diz defesa de Boldrini

O primeiro advogado a falar pela defesa dos réus, no julgamento pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, em Três Passos, foi Ezequiel Vetoretti. A defesa sustentou que o pai não sabia do crime e que foi enganado pela mulher. Graciele Ugulini, que era madrasta do garoto, também é ré no processo, assim como os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz.

— Ele é uma pessoa fria. Ele foi criado, como disse, na ponta do facão. O irmão dele é assim também. Esse é o Leandro autêntico que vem aqui. Mas ele amava o Bernardo (...). O Leandro não tem nada a esconder. Ele podia vir aqui e fazer teatro. Eu podia dizer: Leandro, chora. Não querem desmistificar o monstro que fizeram o Leandro. O Leandro achava que era um bom pai — afirmou o advogado.

Defesa de Graciele pede semi-imputabilidade

A defesa de Graciele foi a segunda a falar na noite de quinta-feira em Três Passos. O advogado Vanderlei Pompeo de Mattos manteve a versão, já apresentada pela ré, de que o menino morreu após ingerir medicamentos, por acidente. Por isso, pediu que o crime seja desclassificado para homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.

No entanto, o advogado afirmou que, caso os réus entendam que houve homicídio doloso, com intenção, julguem a possibilidade de semi-imputabilidade. Com isso, não seria excluída a imputabilidade, mas, caso isso seja aceito pelos jurados, ao fazer a dosimetria da pena, a juíza Sucilene Engler poderia reduzir a pena de Graciele. Isso sob o argumento de que a ré não teria plena capacidade de compreensão sobre os fatos.

Defesa de Edelvânia alega demora no julgamento e fala em "mãos sujas de sangue"

Em sua fala inicial, a defesa de Edelvânia reclamou da demora do júri para julgar sua cliente, visto que os réus estão presos há quase cinco anos preventivamente. Gustavo Nagelstein, um dos advogados de Edelvânia, afirmou que ela nunca recebeu dinheiro de Graciele, contradizendo o Ministério Público, que aponta recebimento de R$ 6 mil para ajudar a matar e ocultar o cadáver de Bernardo.

Em sua manifestação, o advogado Jean Severo disse que o Ministério Público tem "as mãos sujas de sangue" na morte de Bernardo, em referência à manutenção da guarda do menino com o pai por decisão de um juiz e parecer favorável do MP.

— Eu não estou pedindo um milagre para vocês. Estou pedindo para absolverem duas pessoas de bem, que querem voltar para casa e trabalhar — apelou Severo aos jurados, referindo-se a Edelvânia e Evandro.

"Evandro caiu de paraquedas no processo"

Último advogado a falar no quarto dia de julgamento, Luiz Geraldo Gomes dos Santos afirmou que não existe elemento probatório contra Evandro Wirganovicz e que seu cliente "caiu de paraquedas no processo só porque estava pescando".

— Estamos tratando aqui com a vida de uma pessoa que pode ficar mais 12 anos atrás das grades. Quem tem que provar isso aqui não provou nada — disse o advogado de Evandro.

"Bernardo grita por justiça e só vocês podem fazer justiça", diz promotor a jurados

Ao apresentar a réplica às considerações finais da defesa, a Promotoria pediu nesta sexta-feira (15) pena máxima aos quatro réus do caso Bernardo . Diante do conselho de sentença, o promotor Bruno Bonamente, titular do processo, pediu que os jurados façam justiça.

— Bernardo não grita mais por socorro. Ele foi silenciado. Tenho certeza de que hoje Bernardo grita por justiça, justiça, justiça! É isso que ele quer. E só vocês podem fazer justiça. Pedimos condenação em pena máxima — afirmou Bonamente.

Logo após o Ministério Público (MP) falar por duas horas durante réplica, foi dado início à tréplica. As duas horas foram divididas entre as quatro defesas, com 30 minutos para cada.

"Esse filho não era um incômodo para ele", alega advogado de Leandro Boldrini

O primeiro advogado a argumentar foi Rodrigo Grecellé, um dos responsáveis pela defesa do médico Leandro Boldrini, acusado de ter sido mentor do assassinato do filho.

— Esse filho não era um incômodo para ele — defendeu o advogado, referindo-se à expressão "estorvo", que foi usada diversas vezes pelo MP, que acusa Boldrini de ter planejado o crime.

“Me perdoa”, diz Edelvânia em carta ao irmão Evandro

As defesas de Edelvânia e de Evandro Wirganovicz pediram a absolvição do réu por todos os crimes. A mulher confirma que teve envolvimento na morte de Bernardo Uglione Boldrini, alegando que foi acidental, mas nega que o irmão tenha participação.

Uma carta que a irmã escreveu para Evandro foi lida pela defesa ao longo dos 30 minutos que tiveram para apresentar argumentos. “Meu amado, me perdoa por você estar aí preso sem ter feito nada”, diz trecho do documento.

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