Os irmãos do menino de três anos morto por não dar “bom dia” ao pai podem ter sofrido agressões semelhantes. A criança foi espancada pelo pai, Dandre Jermaine Grayson, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta-feira (8).
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Mayanna Angelina Rodgers, mãe do menino, foi presa preventivamente pela Polícia Civil nesta quinta-feira (9). A polícia considerou a omissão dela no caso. O pai da criança, que é missionário e norte-americano, está preso preventivamente desde domingo (5).
Segundo a Polícia Civil, em pelo menos dois outros estados brasileiros há registros de que os filhos de 5, 7 e 9 anos do casal também teriam sido vítimas de agressões semelhantes. Um bebê de 1 ano também é filho do casal, mas não há confirmação de que ele tenha sofrido violência. A família mora no Brasil há nove anos.
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As crianças foram encaminhadas para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. O homem também é investigado por supostos episódios de violência doméstica contra a esposa do missionário. Uma medida protetiva foi solicitada.

Pai confessou ter espancado filho por não receber “bom dia”
Em depoimento à polícia, o pai confessou ter agredido o filho com socos e batido a cabeça do menino contra o chão porque a criança não lhe deu “bom dia”. Antes da prisão de Mayanna, a investigação apura se ela também era vítima de violência doméstica, segundo o g1.
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A polícia havia, inclusive, solicitado uma medida protetiva para a mulher. A família morava no distrito de Águas Claras, no interior de Viamão, há cerca de seis meses.
Na manhã desta quinta, com autorização da própria mãe, houve a captação dos órgãos do menino para doação.
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Prefeito de Viamão se revoltou com o caso
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que “o Estado Falhou” em relação a esse caso, já que a criança já tinha sido levada a uma unidade de saúde em 2025 com hematomas.
A família era acompanhada pelo Conselho Tutelar, assim como pela rede de assistência, composta pelas secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.
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— Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Eu me responsabilizo como prefeito sobre isso. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede — disse.
Pelo menos sete encontros já tinham sido promovidos pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) com a família, mas o prefeito criticou o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que, segundo ele, preconiza o abrigamento institucional como a última etapa.
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— O sistema falhou. Independente do que o SUAS preconiza, a gente não pode permitir que uma criança de 3 anos de idade, que teve três momentos que se identificou algum tipo de agressão, algum tipo de marca, algum tipo de violência — afirmou.
Em janeiro deste ano, o menino também teria quebrado o braço, com a justificativa de que a criança teria se machucado no sofá da casa. Além disso, o filho mais velho do casal, de 9 anos, também foi levado a um centro de saúde com um ferimento no rosto.
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— É o primeiro passo que me faz entender que houve a falha do nosso sistema. Deveria de imediato ter sido avisado. Nossos psicólogos têm que criar vínculos com as famílias, mas outros órgãos têm o dever, e um deles é o nosso Conselho Tutelar, de chamar a polícia, de investigação, de acionar o Ministério Público — apontou o prefeito.

