O caso dos quatro jovens encontrados mortos em Biguaçu, na Grande Florianópolis, completa um mês nesta quarta-feira (28), desde o desaparecimento até a confirmação da identidade dos corpos localizados em uma área de mata da cidade, no dia 3 de janeiro. Até o momento, segundo a Polícia Civil, ninguém foi preso e o caso segue em segredo de justiça.

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Bruno Máximo da Silva, de 28 anos, Daniel Luiz da Silveira, 28, Guilherme Macedo de Almeida, 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, 19, desapareceram em São José, também na Grande Florianópolis. As últimas imagens dos jovens, obtidas por câmeras de segurança, mostram três das quatro vítimas em frente a um prédio onde Guilherme e Pedro moravam, por volta das 3h do dia 28 de dezembro. Depois, eles foram vistos pela última vez no Centro de Florianópolis.

Os quatro jovens tinham vindo para Santa Catarina para trabalhar. Os corpos foram encontrados no dia 3 de janeiro abandonados às margens de uma estrada de Biguaçu com sinais de violência e em estado de decomposição. A identificação foi feita por familiares.

Desde então, as investigações seguem acontecendo. Poucos dias após os corpos terem sido encontrados, o delegado Pedro Mendes havia explicado que nenhuma hipótese do que aconteceu estava descartada. Câmeras de segurança estão sendo analisadas pela Polícia Civil, para que o passo a passo dos jovens antes do crime seja identificado.

Na ocasião, o delegado não descartou a possibilidade da morte ter sido decorrente de uma briga de facção criminosa, por exemplo. Nesta terça-feira (27), a Polícia Civil confirmou que o crime pode ter envolvimento com facções criminosas.

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Duas das vítimas tinham passagens por tráfico de drogas em Minas Gerais, conforme informações da polícia. Entretanto, outras informações não foram divulgadas, já que o caso corre em segredo de justiça.

Veja as fotos

Suspeito foi morto pela polícia

No dia 16 de janeiro, um suspeito de ter envolvimento no crime foi morto pela polícia em Navegantes, no Litoral Norte catarinense. O homem, de 30 anos, era considerado foragido pela Justiça. Segundo informações da PM, ele tentou reagir contra os policiais e estava usando uma arma de fogo.

O delegado Anselmo Cruz, da Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), afirmou que o homem era um dos principais suspeitos de ser responsável pela morte dos jovens. Além disso, ele teria os mantido em cárcere no Morro da Boa Vista, em São José.

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O suspeito era natural de São José e já era investigado por sequestros e homicídios na região. Havia dois mandados de prisão em aberto contra ele, com condenações por homicídio e tráfico de drogas. Antes de ser morto, ele ficou cerca de 10 anos preso.

Outras pessoas também são investigadas por suspeita de envolvimento na morte dos jovens. A Polícia Civil, no entanto, não detalhou quantas pessoas podem ter participado do crime, e afirmou que a investigação continua em andamento.

Quem eram os jovens

Familiares dos jovens manifestaram indignação com o caso. Ao g1, Rosa Maria Máximo, mãe de Bruno, afirmou que o filho deixou Guaranésia, em Minas Gerais, em outubro de 2025, em busca de melhores oportunidades de vida em Santa Catarina. Conforme a mãe da vítima, o filho era amoroso, preocupado com a família e tinha muitos planos, com esforço e comemoração em toda conquista.

Segundo a família, ele iria começar um novo trabalho como soldador em janeiro deste ano. Bruno era pai de duas crianças: uma de 1 ano e outra de 3, mantendo contato frequente com eles, segundo a mãe do rapaz.

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André Luiz da Silveira, pai de Daniel, disse que o filho pediu para que a família não se preocupasse com ele, já que ele estava com trabalho garantido e, assim, conseguiria ajudar a colocar as contas em dia. Segundo o pai, Daniel era “sonhador e responsável”, e gostaria de enviar dinheiro para ajudar no pagamento das despesas da família.

Já Guilherme era educado, trabalhador e também tinha muitos sonhos, saindo de Minas Gerais para o Estado catarinense após a morte do avô no final de 2025, segundo Elizabete de Macedo Almeida, mãe do jovem. Conforme o relato dela, Guilherme ligava para ela todos os dias para dizer que a amava.

Pedro era protetor, carinhoso e apegado à família, segundo a mãe, Sílvia Aparecida do Prado. De acordo com ela, ele gostava de estar com os amigos, andar de moto e fazer planos. Ele trabalhava em um restaurante.

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