A condenação de Camila Fernanda Franca Pereira, acusada de matar o próprio marido, empresário Gustavo Alberto Sagaz, de 34 anos, com 36 facadas, em Florianópolis, encerra um caso que se arrasta desde 2023 e que teve reviravoltas na Justiça.
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Inicialmente absolvida em júri popular, ela voltou a ser julgada e, nesta quinta-feira (19), foi considerada culpada e sentenciada a mais de 26 anos de prisão. (Veja abaixo a linha do tempo do caso)
Agosto de 2023 — crime e desaparecimento
Entre os dias 27 e 29 de agosto, o empresário Gustavo Alberto Sagaz, de 34 anos, foi morto dentro da casa onde vivia com a companheira, no bairro Ingleses do Rio Vermelho, em Florianópolis.
Segundo a denúncia, a mulher teria dopado a vítima antes de desferir 36 golpes de arma branca. O crime teria ocorrido na presença da filha mais nova do casal, então com dois anos.
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Após o homicídio, o corpo foi colocado no carro da família e abandonado no Parque Estadual do Rio Vermelho, na região das dunas da Praia do Moçambique. Durante o período em que Sagaz foi considerado desaparecido, a investigação apontou que o celular dele permaneceu na residência.
Fim de agosto de 2023 — corpo é encontrado
O corpo do empresário foi localizado no dia 29 de agosto. A Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio qualificado, com suspeita de ocultação de cadáver.
Perícias e dados extraídos do celular indicaram que a companheira teria estado no local onde o corpo foi deixado, utilizando o carro do casal.
Investigação — motivação financeira
De acordo com o Ministério Público, o crime teria sido motivado por desentendimentos relacionados à administração financeira da empresa da família.
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A acusação sustenta que havia dívidas ocultadas pela mulher e que ela teria interesse em receber o seguro de vida da vítima, além de ficar com os bens do casal.
2025 — absolvição no primeiro júri
No primeiro julgamento, realizado em 2025, o Conselho de Sentença reconheceu que a mulher praticou o crime, mas optou pela absolvição.
Em relação à ocultação de cadáver, os jurados entenderam que houve o ato, porém não atribuíram a autoria à acusada.
Na ocasião, a defesa alegou que novos elementos apresentados no processo — mantidos sob sigilo — trouxeram outra perspectiva aos jurados. Já o Ministério Público considerou que a decisão foi contrária às provas dos autos, destacando que a absolvição ocorreu por maioria, e não por unanimidade.
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A absolvição foi posteriormente anulada pela Justiça, o que levou à realização de um novo júri popular.
Março de 2026 — novo julgamento e condenação
Nesta quinta-feira (19), a mulher voltou a ser julgada pelo Tribunal do Júri da Capital. Após horas de sessão, o Conselho de Sentença a condenou por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
A pena foi fixada em 26 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado. A Justiça também determinou a perda do poder familiar sobre os dois filhos do casal.
O direito de recorrer em liberdade foi negado. Procurada, a defesa de Camila informou que não irá se manifestar.
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