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Casos ativos de Covid em Blumenau duplicam em 24 horas e internações em UTI disparam

Prefeitura fará reunião de emergência nesta quarta-feira (5) para discutir surto

05/01/2022 - 07h34

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Talita
Por Talita Catie
Postos de saúde registram alta demanda de pacientes com sintomas gripais
Postos de saúde registram alta demanda de pacientes com sintomas gripais
(Foto: )

O número de casos ativos de Covid-19 em Blumenau mais do que dobrou nas últimas 24 horas. O mesmo aconteceu com as internações em leitos de UTI, que passaram de seis para 15 pacientes. Os dados constam no último boletim divulgado pela prefeitura. 

Esse cenário acende um alerta na administração municipal, que convocou para esta quarta (5) uma reunião de emergência para discutir o novo surto da doença.

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Segundo a Secretaria de Promoção da Saúde, foram contabilizados 256 testes positivos nesta terça. É o maior número de casos em um só dia desde 17 de março de 2021, como mostra o gráfico abaixo. Na segunda, a quantidade foi de 102. Os números não estavam na casa dos três dígitos desde 23 de agosto do ano passado.

Enquanto Blumenau processava, em média, 350 testes por dia antes do recesso de fim de ano, neste começo de 2022 a quantidade teve um salto expressivo. Foram 619 na segunda e 1.010 nesta terça. Isso significa que em apenas dois dias a cidade já fez 15% dos exames que fazia num mês inteiro antes do Natal e Réveillon, quando a quantidade era de 10,5 mil testes/mês.

Os dados refletem a alta demanda de pacientes com síndromes respiratórias nos postos de saúde — onde há registro de filas e demora no atendimento desde o começo da semana — e também nos hospitais da cidade, como mostrou o colunista Evandro de Assis

No Hospital Santa Catarina, entre 35% e 40% dos atendimentos são por síndrome gripal. No Santa Isabel, de 15 de novembro a 4 de dezembro, foram 217 atendimentos de síndromes gripais. Porém, entre 5 de dezembro e 4 de janeiro, passou para 456. O Hospital Santo Antônio não informou a situação até a publicação deste texto. 

— Eu diria que é uma consequência previsível. Nós já tínhamos consciência dessa variante na África e aqui no Brasil não seria diferente. O que faltava era a detecção dela, mas era uma questão de tempo para ela se espalhar. E por conta da alta transmissibilidade, nada mais oportuno que esses aglomeros que aconteceram no final do ano e que continuam — pontua o médico infectologista Amaury Mielle.

UTIs começam a sentir o impacto

Nesta terça-feira (4) o diretor de Atenção em Saúde de Blumenau, Cláudio Piloto, disse em entrevista ao Santa que os hospitais demoram um pouco mais a sentir o impacto do aumento de casos na ocupação dos leitos. A cidade vinha nos últimos dias com cerca de 12,1% das 66 vagas de UTI Covid ocupadas. 

Entretanto, nas últimas 24 horas o percentual saltou para 25,8%. O dado inclui pacientes de outras cidades, mas a quantidade de blumenauenses é expressiva. Na segunda era 6. Nesta terça, 15.

— Uma coisa lamentável é que não foi feito nada para diminuir esse impacto. Nós sabíamos que iriamos enfrentar essa variante, mas se manteve as flexibilizações, não houve limitações. Não estamos falando de algo que pegou alguém de surpresa. Agora, tudo está lotado, com filas de espera gigantescas. É lamentável. Estamos nos encaminhando para o inevitável, que é um colapso nos atendimentos — diz o especialista.

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