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Violência policial

Catarinense que mora no centro dos protestos nos EUA relata tensão no país

A estudante mora em Mineápolis, epicentro dos protestos pela morte de George Floyd

06/06/2020 - 17h56 - Atualizada em: 06/06/2020 - 19h47

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Protesto Mineapolis black lives matter
Protestos começaram em Mineápolis e seguiram para o mundo inteiro nas últimas semanas
(Foto: )

A catarinense Luana Karl, de 18 anos, natural de Joinville, tem visto de perto os protestos contra a violência racial nos Estados Unidos. Moradora de Mineápolis (centro das manifestações) desde o ano passado, a jovem relata que embora os atos após a morte de George Floyd tenham começado violentos, se tornaram pacíficos durante a última semana.

— Com a continuação dos protestos, principalmente no final de semana do dia 30 de maio, quando ocorreu a maior parte dos incêndios e depredações, o governador estabeleceu “curfews”, ou seja, toques de recolher, não só em Mineápolis, mas em grande parte da região. Acompanhando as notícias, podemos ver que nessa semana os protestos estão prevalentemente pacíficos, por isso o clima melhorou muito e já não sentimos mais tanto medo.

A violência policial contra a comunidade negra é o foco das manifestações que reúnem multidões mesmo durante a pandemia da Covid-19 — que tem os maiores números exatamente nos Estados Unidos. A motivação desses atos foi o assassinato de George Floyd, negro morto durante uma abordagem policial na cidade em que a catarinense mora.

Para Luana, estar no centro dos protestos e onde tudo começou trouxe medo e ansiedade nos primeiros dias. Com receio de "estar no lugar errado e na hora errada", mudou a rotina e ficou ainda mais dentro de casa. Com os protestos somados à pandemia, ela diz que chegou a pensar em voltar ao Brasil, mas agora já vê a situação ficando mais tranquila. Para ela, os protestos são necessários para combater o racismo que existe no país e no mundo:

— Os protestos existem para não somente exigir justiça pelo ocorrido com George Floyd, mas também para exigir que não aconteça novamente. Em relação aos incêndios de prédios e até roubos de supermercados e lojas, eu acredito que isso é uma resposta negativa à opressão e perseguição decorrentes do racismo. Mais do que certo ou errado, os protestos violentos acabam sendo uma reação ao preconceito sofrido pela comunidade negra americana.

Entenda

Os Estados Unidos vivem desde o dia 26 de maio uma onda de protestos contra a violência racial no país, em uma tensão cujo estopim foi a morte de George Floyd, um ex-segurança negro que foi morto em uma ação policial. Floyd foi detido e imobilizado por um policial branco, que o manteve sufocado no chão, ajoelhado sobre o pescoço.

A cena foi filmada e transmitida nas redes sociais, e mostram o homem dizendo "eu não consigo respirar" antes de desmaiar e morrer. Floyd teria sido detido por tentar fazer uma compra usando uma nota falsa de 20 dólares.

O caso ocorreu em Mineápolis, no estado de Minnesota, e motivou protestos na cidade, em todo o país e ao redor do mundo. Na internet, campanhas como a BlackLivesMatter viralizaram em protestos no mundo inteiro nas últimas semanas, enquanto nos EUA milhares de manifestantes tomaram as ruas de cidades como Nova Iorque e Washington - na frente da Casa Branca.

Epicentro de todo o movimento, a cidade de Mineápolis vive semanas de protestos diários desde a morte de Floyd.

Luana Karl
Natural de Joinville, Luana mora em Mineápolis há um ano e dois meses
(Foto: )

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