Brasília vai completar 66 anos com as luzes da Esplanada apagadas e o foco voltado para estancar a crise. Em seu primeiro movimento como governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP) anunciou o cancelamento de toda a programação festiva da Capital Federal, transferindo o orçamento de R$ 25 milhões integralmente para a Secretaria de Saúde.

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A medida, anunciada na segunda-feira (30), é um lance ousado de sobrevivência política: Celina sabe que não há fogos de artifício que escondam o gargalo das filas nos hospitais regionais em um ano em que cada voto conta.

O cálculo do Buriti: gestão de danos ou coragem?

Interlocutores do Palácio do Buriti admitem que a decisão vai além do financeiro. É uma tentativa de desvincular a imagem da gestão do ex-governador Ibaneis Rocha, acusado de participação no caso do banco Master.

Para a oposição, no entanto, o movimento cheira a “gestão de danos” tardia, enquanto a base governista tenta vender o corte como uma “coragem administrativa” necessária para enfrentar as endemias sazonais que castigam o Distrito Federal.

O risco da Esplanada vazia

Ao abrir mão da visibilidade positiva de grandes shows nacionais, a governadora assume um risco calculado já pensando no pleito que acontecerá em outubro.

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Agora, a cobrança sobre o GDF será dobrada, se os próximos meses não forem positivos para a governadora, a herança de Ibaneis pode virar munição pesada para os adversários que vão disputar o pleito no final do ano.

Lenda dos Túneis Secretos de Brasília: mitos e verdades

*Com edição de Luiz Daudt Junior.