Celso Amorim decide viajar à Ucrânia após críticas às falas de Lula sobre guerra

O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo

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(Foto: Wilson Dias/arquivo Agência Brasil)

Após a repercussão negativa das falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra no Leste Europeu, Celso Amorim, assessor especial da Presidência para a política externa, visitará a Ucrânia. O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, após encontro com representantes da Associação de Ucranianos de Portugal, que realizaram um pequeno ato em frente à embaixada brasileira em Lisboa nesta sexta (21).

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A viagem ainda não tem data para ocorrer.

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“O presidente Lula determinou e me orientou que dissesse que o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, o ex-chanceler Celso Amorim, que esteve na Rússia, vai visitar a Ucrânia.”
Principal conselheiro de Lula para política internacional, Amorim se reuniu recentemente com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, um gesto que irritou aliados do Ocidente, contrários à Rússia, ainda que as declarações do presidente brasileiro tenham sido as responsáveis por provocar grande repercussão.

A fala de Lula que gerou mais reações ocorreu em Pequim, durante sua visita à China. Na ocasião, cobrou que os EUA “parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz” para encaminhar um acordo no Leste Europeu, uma referência ao envio de armas para que Kiev se defenda das ofensivas russas.

A queixa de representantes dos EUA e da Europa é a de que Lula teria enviado em poucos dias uma sequência de acenos à Rússia e à China, aliada de Putin, em meio à guerra. Eles citam, além da ida de Amorim a Moscou, da viagem à China e das declarações apontando o dedo para os EUA, a recente passagem do chanceler russo, Serguei Lavrov, por Brasília, fechando um pacote de provocações a importantes sócios do Brasil, que encaram a guerra como a principal crise de segurança em curso hoje.

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Já Portugal abriga uma grande comunidade ucraniana, que, ao saber da passagem de Lula pelo país, logo se organizou para rechaçar as falas do presidente de que a Ucrânia também é responsável pela guerra.
As falas fizeram o governo em Kiev convidar Lula pela segunda vez para visitar o país. Em um post no Facebook, o porta-voz da chancelaria ucraniana, Oleg Nikolenko, afirmou desejar que o petista compreenda “as verdadeiras causas da agressão russa e suas consequências para a segurança global”.

“A Ucrânia observa com interesse os esforços do presidente do Brasil para encontrar uma solução para a guerra. Ao mesmo tempo, a abordagem que põe vítima e agressor na mesma balança e acusa os países que ajudam a Ucrânia […] de incentivarem a guerra não está de acordo com a realidade”, disse Nikolenko.

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Membro da comitiva do petista na viagem a Portugal, Macedo foi escalado para se reunir com representantes do grupo e expressar solidariedade por parte do governo brasileiro. “No diálogo não tinha animosidade. Pelo contrário, foi uma reunião muito boa”, afirmou. O ministro disse ainda que Lula pediu que ele, em nome do presidente, se “solidarizasse com a dor das famílias vitimadas por essa guerra”.

“Assim como ele tem uma obsessão de acabar novamente com a fome no Brasil —infelizmente o país voltou ao mapa da fome—, ele também tem essa determinação de ajudar esse conflito a acabar”.
Embora sem avanços concretos até aqui, uma das propostas do governo Lula para a guerra é a criação de um “clube da paz”, fórum de países que Brasília entende como não alinhados a nenhum dos lados do conflito para mediar as negociações entre Kiev e Moscou.

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Após o encontro, os ucranianos afirmaram que não irão participar da manifestação contra Lula organizada pelo partido de ultradireita Chega, marcada para terça (25), quando o petista discursa no Parlamento luso.

*Por Giuliana Miranda

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