A ciência do envelhecimento ganhou um novo protagonista nos últimos anos: as chamadas células “zumbis”. Elas não morrem, não funcionam direito e ainda podem prejudicar tecidos saudáveis. Agora, pesquisadores investigam como eliminá-las para retardar o desgaste do organismo.

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O tema ganhou força com estudos recentes que buscam identificar e remover essas células com mais precisão. A descoberta abre caminho para terapias capazes de reduzir inflamações e preservar o funcionamento dos órgãos ao longo do tempo.

Mas, antes de pensar em tratamentos, é preciso entender o que realmente acontece dentro do corpo quando essas estruturas aparecem. E a explicação começa em um fenômeno conhecido como senescência celular.

Um estudo publicado na revista Aging Cell descreve uma nova técnica baseada em aptâmeros de DNA, moléculas capazes de reconhecer essas células com grande precisão. A abordagem pode ajudar cientistas a detectá-las em tecidos vivos e direcionar futuras terapias.

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O perigo das células “zumbis”

As células senescentes surgem quando estruturas do corpo sofrem danos graves, como estresse oxidativo ou lesões no DNA. Em vez de morrerem naturalmente, elas entram em uma espécie de pausa permanente no ciclo celular.

Isso significa que deixam de se dividir, mas continuam metabolicamente ativas. Com o tempo, passam a liberar substâncias inflamatórias que afetam células vizinhas e comprometem o funcionamento dos tecidos.

Por isso, muitos cientistas as chamam de “zumbis”. Elas permanecem no organismo mesmo depois de perder a função original e podem contribuir para o envelhecimento e para doenças associadas à idade.

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Inflamação silenciosa que desgasta o corpo

Quando se acumulam, essas células liberam um conjunto de moléculas inflamatórias conhecido como fenótipo secretor associado à senescência, chamado de SASP.

Esse processo cria um estado de inflamação crônica de baixo grau, muitas vezes chamado de inflammaging. Ele desgasta lentamente o organismo e pode afetar diversos sistemas do corpo.

Pesquisas indicam que esse ambiente inflamatório está relacionado ao surgimento de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e degeneração de tecidos ao longo do envelhecimento.

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Nova tecnologia ajuda a identificar as células

Um dos desafios da ciência sempre foi identificar essas células com precisão dentro dos tecidos vivos. Isso acontece porque ainda não existe um marcador universal capaz de diferenciá-las das células saudáveis.

Para enfrentar o problema, cientistas desenvolveram uma técnica baseada em aptâmeros, pequenos fragmentos de DNA que se dobram em estruturas capazes de se ligar a proteínas específicas na superfície celular.

No estudo, os pesquisadores analisaram mais de 100 trilhões de sequências de DNA até encontrar moléculas capazes de reconhecer proteínas presentes em células senescentes, distinguindo-as das saudáveis.

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Reciclagem celular pode ajudar na prevenção

Além das novas terapias, alguns processos naturais do organismo também ajudam a reduzir o impacto dessas células. Um deles é a autofagia, mecanismo responsável por reciclar componentes danificados dentro das células.

Esse sistema funciona como uma limpeza interna. Ele identifica estruturas defeituosas e as reutiliza para produzir novas moléculas, ajudando a manter o equilíbrio celular.

Pesquisas sugerem que hábitos como alimentação equilibrada, períodos controlados de jejum e redução do estresse oxidativo podem estimular esse mecanismo e diminuir o acúmulo de células senescentes.

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Terapias senolíticas

Com o avanço das pesquisas, cientistas começaram a desenvolver medicamentos chamados de senolíticos. O objetivo é eliminar seletivamente as células envelhecidas sem prejudicar as saudáveis.

Testes iniciais já investigam combinações de substâncias capazes de remover essas células e melhorar funções do organismo em algumas doenças relacionadas à idade.

A expectativa dos especialistas é que, no futuro, essas estratégias façam parte de uma medicina focada não apenas em tratar enfermidades, mas em preservar a saúde e retardar o próprio processo de envelhecimento.

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