Com a pandemia da COVID-19, a educação no mundo todo foi duramente atingida e, para o Colégio Catarinense – instituição referência na área educacional de Santa Catarina -, não foi diferente. Em mais de um século de serviços prestados, pela primeira vez, não se escutam o burburinho dos alunos nos corredores, a algazarra na hora do intervalo e, tampouco, a movimentação típica de um dia de aula.
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— Um colégio sem alunos é como um teatro sem espectadores, um concerto sem os músicos. O espaço escolar é vibrante, único e recheado de aprendizados, um pouco de correria, muitos questionamentos e muita interação. Não há como viver o ambiente escolar sem os três principais elementos: educando, educador e espaço. Está sendo um ano atípico que tem exigido de todos movimentos diferenciados. Penso que não há como nos acostumarmos a termos escolas sem estudantes — disse Padre João Claudio Rhoden, diretor do Colégio Catarinense.
Diante das restrições impostas pelas autoridades em saúde, o Catarinense – como é carinhosamente chamado por alunos e ex-alunos – adaptou-se rapidamente à nova rotina, implantando, em poucos dias, soluções educacionais para atender seus mais de 2 mil alunos. Os primeiros momentos foram de adequações, desde ampliar a capacidade do Moodle, plataforma utilizada para adequação às aulas remotas, até a implantação das videoaulas via plataforma Teams. Todos precisaram se ajustar ao “novo normal”, desde o corpo educacional, até os alunos, as famílias e os colaboradores administrativos.

— Talvez, a maior dificuldade tenha sido embarcar em um novo paradigma de aprendizagem, no qual a modalidade remota se fez necessária. Tivemos, entretanto, aprendizagens muito significativas nesse período, uma vez que todos precisaram se adaptar aos novos desafios que o distanciamento nos apresentou. Hoje temos professores mais dinâmicos, estratégias de aprendizagem baseadas em metodologias ativas, interações vivas, refundadas sob bases inéditas. Os professores da escola, ao se reinventarem, construíram novas possibilidades para a relação de ensino e aprendizagem. Estão cada vez mais ativos nas abordagens virtuais, garantindo que os avanços dos estudantes ocorram de forma segura e contínua — explica Louisa Carla Farina Schröter, diretora acadêmica do Catarinense.
Ainda de acordo com a diretora, a motivação é um elemento que precisamos visitar todos os dias.
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— Alunos, professores, gestores, famílias. Nesse momento de suspensão do cotidiano, com desafios tremendos, a escola e toda sua comunidade educativa vêm construindo novas formas de convívio, de troca de experiências, de mobilização coletiva. Apesar das dificuldades, sabemos que ao final dessa experiência, seremos mais fortes, reconhecendo nosso crescimento e agradecendo a Deus pela caminhada que estamos fazendo — complementa.
Um dos grandes diferenciais do Colégio Catarinense está no espaço que ele possui, bem como sua arquitetura. Sobre isso, Padre Rhoden diz acreditar ser fundamental, principalmente no que diz respeito ao convívio de crianças, adolescente e jovens cheios de vida estão nos corredores, pátios e outros espaços.

— Um diferencial importante do Colégio Catarinense são os seus espaços aberto, entre eles, as áreas verdes. Todos eles são ambientes educativos, que somam para uma educação integral de qualidade, que é o grande objetivo do Colégio. Todos são muito apreciados pelos alunos, desde a Educação Infantil à 3ª série do Ensino Médio — relata o diretor.
Segundo o padre, nesses espaços, além das salas de aula, laboratórios e salas especiais, os pequenos desenvolvem habilidades e competências motoras e interacionais. Enquanto os menores se ocupam com atividades próprias de sua idade, os maiores preferem atividades esportivas e afins.
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Preparo permanente
Muito da capacidade que os professores do Catarinense apresentaram de adaptarem-se aos novos formatos de ensino se deve ao fato de que eles possuem ampla experiência educacional e formação acadêmica: possuem graduação em suas respectivas áreas e muitos têm pós-graduação.
— O Colégio Catarinense acredita que a qualidade da educação de nossos estudantes está intimamente vinculada à competência de seu corpo docente e à potência de nossa proposta educativa. Nossos professores são profissionais reconhecidos por sua competência técnica, relacional e humana — acrescenta da diretora acadêmica.
Ela explica que, além da formação conceitual, o Catarinense acredita que o bom professor deve ser o profissional que se sensibiliza com a história de vida de seus alunos e se compromete com sua formação integral.
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— Por integral, entendemos a formação nas dimensões cognitiva, socioemocional e espiritual-religiosa. Compreendemos que educar significa contribuir para que os alunos se desenvolvam em todas as dimensões da vida, reconhecendo-se como sujeitos participativos na sociedade, felizes com suas escolhas e solidários com aqueles que sofrem.

Presente na história
O Colégio Catarinense foi criado como Ginásio Santa Catarina em 30 de agosto de 1905. Desde então, inúmeras foram as ocasiões em que a história do colégio confundiu-se com a história de Florianópolis, a exemplo do primeiro jogo de futebol da cidade e da comemoração do Centenário da Independência do Brasil na Capital do Estado.
— Creio que podemos destacar dois momentos importantes na história do Catarinense. O primeiro deles diz respeito ao Ensino Infantil, que em 2019 completou 20 anos de atuação. Foi um marco para o colégio a abertura de turmas de crianças pequenas e que nos enche de muito orgulho. Temos pais e mães, que estudaram nas primeiras turmas, e que hoje matriculam seus filhos conosco, demonstrando que os valores plantados lá atrás ainda permanecem — relembra Padre Rhoden.
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Ele ainda destaca a comemoração do centenário, em 2005, celebrada com grande alegria por toda a comunidade acadêmica.
— Inclusive, com o recebimento de uma carta dirigida à direção do Catarinense e encaminhada pelo Padre Peter Hans Kolvebach, então Geral da Companhia de Jesus, que exortava, entre outras reflexões, a louvarmos a Deus por tantos e bons frutos para os milhares de alunos atendidos nesses 100 anos.

Rede Jesuíta de Educação da Companhia de Jesus
O Catarinense faz parte da Rede Jesuíta de Educação da Companhia de Jesus, constituída em 2014 e composta por 17 unidades de educação básica, e que promove um trabalho integrado a partir de uma mesma identidade e do sentido de corpo apostólico, com mútua responsabilidade pelos desafios comuns.
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Originalmente, o colégio era destinado apenas ao público masculino e oferecia a modalidade de internato para os estudantes de outras cidades, até o ano de 1963. Já em 1970, as turmas começaram a contar com a presença feminina e, em 1998, foi criado o Ensino Médio Noturno, projeto social que concede bolsas de estudos para adolescentes da Grande Florianópolis. No ano seguinte, em 1999, o Colégio inaugurou as atividades para o Ensino Fundamental de 1º a 5º ano e para a Educação Infantil.
Em 2018, por meio de um projeto piloto, o Catarinense iniciou o projeto ITD, ou Inglês Todo Dia, no qual os alunos do 5º ano passaram a ter cinco aulas semanais de língua inglesas. Em 2019, esse projeto foi ampliado para os alunos do 6º ano e segue gerando grandes resultados.
Louisa Carla Farina Schröter, diretora acadêmica, faz questão de reforçar que o Colégio Catarinense tem, entre suas prioridades, o compromisso com o desenvolvimento da cidadania global.
— Compreender a perspectiva global sobre as injustiças sociais é perceber que povos e culturas diferentes podem contribuir para a construção de um todo unificado, em que a fé e a justiça devem ser a tônica. Nesse sentido, o conceito de cidadania global está integrado a nossos currículos, onde as experiências e habilidades voltadas à proficiência em línguas estrangeiras contribuem de forma muito significativa para a participação nessa rede mundial. Também investimos em experiências de imersão e em programas colaborativos. A Rede Jesuíta de Educação estimula essa pertença a partir da plataforma mundial Educate Magis. Assim, estimulamos as vivências estudantis na perspectiva de estarmos conscientes e enraizados nos contextos local e global simultaneamente — explica.
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O Colégio também, realiza parcerias com instituições do exterior e incentiva os alunos na realização de intercâmbios. O Instituto Göethe, da Alemanha, é um parceiro constante e já recebeu diversos alunos do CC para temporadas de estudos em escolas e também universidades alemãs. Muitos dos alunos, inclusive, participam de seleções para estudar em universidades espalhadas pelo país germânico.

O que vem pela frente?
— Falar sobre o “após” os 115 anos e a pandemia conduz, necessariamente, para dentro da tradição educativa dos jesuítas, assumindo do passado aquilo que atualmente parece valioso e digno de subsistir, isto é, que tem validade duradoura. É, também, estar atento aos atuais dinamismos que contém os diferentes processos e tendências — introduz Padre Rhoden.
Para ele, um Centro Educativo da Companhia de Jesus (jesuítas), segundo suas orientações e diretrizes, deve estudar as necessidades da sociedade atual e refletir sobre as linhas de ação das escolas, as estruturas, os métodos, a pedagogia e todos os demais elementos do contexto escolar, para descobrir os meios que melhor realizam suas finalidades.
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— Em resumo, prever e examinar as tendências e inclinações que apontam o horizonte qual o qual se dirige a educação, suas possibilidades e desafio hoje — finaliza o diretor.
