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    Centro cultural de Florianópolis oferece aprendizado e renda emergencial durante a pandemia

    Projeto realizado virtualmente pelo Centro Cultural Escrava Anastácia já tem 110 jovens participantes

    24/06/2020 - 09h28 - Atualizada em: 24/06/2020 - 10h34

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    Marina
    Por Marina Martini Lopes
    A iniciativa surgiu para substituir, temporariamente, o Rito de Passagem, projeto do CCEA que apoia o desenvolvimento de jovens de 14 a 24 anos
    A iniciativa surgiu para substituir, temporariamente, o Rito de Passagem, projeto do CCEA que apoia o desenvolvimento de jovens de 14 a 24 anos
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    Como ter esperança no futuro e aproveitar oportunidades que surgem nos momentos de crise? Criado para ser uma alternativa de aprendizado e renda durante o período de distanciamento social necessário para minimizar a pandemia de coronavírus, o Conecte-se é um programa do Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA) que oferece cursos na modalidade virtual para jovens de comunidades empobrecidas de Florianópolis, e que tiveram uma pausa nos cursos ofertados presencialmente pela instituição. Atualmente o projeto conta com 110 inscritos, e o objetivo é atender 250 jovens até agosto.

    A iniciativa surgiu para substituir, temporariamente, o Rito de Passagem, projeto do CCEA que apoia o desenvolvimento de jovens de 14 a 24 anos. Além disso, diante das demandas sociais por emprego, renda e saúde ampliadas em razão da Covid-19, os jovens em isolamento social estão afastados da escola e dos demais equipamentos sociais que os estimulam e dão acesso a recursos como educação e emprego.

    As atividades são realizadas virtualmente e incluem cursos de parceiros como o Senai e Senac. A curadoria é da Light Source, consultoria especializada em gestão estratégica e transformação cultural nas organizações, que considerou aspectos da Psicologia Positiva (talentos, resiliência, felicidade e realização de vida e profissional) para organizar o programa em três dimensões-chave: autoconhecimento, aprendizagem e cidadania. 

    - O Conecte-se oportuniza tanto a aprendizagem e a preparação para o pós-pandemia quanto busca apoiar os participantes com subsídio financeiro para que colaborem com suas famílias, comunidade e com suas próprias necessidades neste momento - diz a psicóloga e empresária Léia Wessling, diretora da Light Source. - Esperamos que os jovens exercitem resiliência suficiente para que, apesar das circunstâncias, persistam na aprendizagem e mantenham-se conectados e preparados para a retomada da economia e das oportunidades.   

    Para além do aprendizado, o propósito do projeto é impactar os jovens a partir da confiança que irão construir em si mesmos ao longo das trilhas de desenvolvimento para delinear seus projetos de vida - agora e no futuro.

    - Por projetos de vida entendemos estudos, vida profissional e social, sonhos e esperanças em algo que cabe a eles compreender e buscar - comenta a administradora Silvana Paggiarin, segunda tesoureira e voluntária do CCEA há quatro anos. - A nós, sociedade, cabe zelar para que as oportunidades possam existir e para que os jovens possam desenvolver todo seu potencial, garantindo que não fiquem à margem e possam ser adultos com efetiva participação social.

    Três etapas, três trilhas de aprendizagem

    O programa está organizado em três etapas. A primeira, realizada em maio, propôs o Autoconhecimento. Foi um período em que os participantes receberam informações sobre suas maiores habilidades e talentos e também orientações sobre como utilizá-las em suas escolhas de vida e profissional.

    O programa está organizado em três etapas
    O programa está organizado em três etapas
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    A segunda etapa será realizada ao longo de junho e julho, com as Trilhas de Aprendizagem. Cada participante, a partir do autoconhecimento, pode escolher três trilhas diferentes: digital, serviços e indústria. Em cada uma das trilhas, diversos cursos são disponibilizados, com carga horária de 20 a 40 horas. Ao final de cada um, o/a jovem realiza uma avaliação. 

    A terceira e última etapa é pautada na ideia de Cidadania e Direitos Humanos. Em agosto, será oferecido um curso com 70 horas de duração, com avaliação e certificado, sobre o papel de cada um/a e seu protagonismo junto à família, comunidade e na busca por acessos a serviços e direitos sociais e para o exercício da cidadania.  

    Renda emergencial

    O programa conta com um fundo emergencial, com captação ativa por meio de investidores sociais engajados. Os participantes podem receber uma renda emergencial, conforme participação no programa e disponibilidade do fundo. O propósito é que os jovens, por meio do desempenho nos cursos, possam ajudar a família a enfrentar o atual momento.

    - Muitos dos participantes estão recebendo ajuda do CCEA com cestas básicas, produtos de higiene e limpeza. Mas ainda falta para compra de medicamento, do gás, pagar uma conta de energia, água e para qualquer outra emergência - enumera Jorge Luiz D’Ávila, coordenador do CCEA.

    Para a voluntária do CCEA Silvana Paggiarin, a renda emergencial é também importante para romper com a lógica de que buscar e produzir conhecimento não é trabalho, compreendendo que trabalho é tudo o que contribui para a produção de riqueza.  

    - É importante que os jovens do projeto recebam um incentivo financeiro pelo tempo dedicado aos estudos, à busca de autoconhecimento, de conhecimento específico sobre uma forma de trabalho e sobre como está organizada a sociedade onde ele/ela é o cidadão - afirma. - Dessa forma, inicia-se dentro do núcleo familiar a compreensão de que o jovem precisa investir tempo na sua preparação, para que possa exercer uma função laboral de acordo com as suas potencialidades.

    CCEA: acolhimento, educação, justiça social e racial

    O Centro Cultural Escrava Anastácia tem suas raízes no Monte Serrat, no Maciço do Morro da Cruz, Centro de Florianópolis. Nasceu do movimento comunitário com o propósito de enfrentamento pacífico da criminalidade, em meados dos anos 1990. Desenvolve um trabalho voltado para a educação, fortalecimento de vínculos, inserção social e laboral, assistência social, cultural e esportiva e acolhimento institucional, principalmente de jovens de bairros empobrecidos da Grande Florianópolis. Integra a Rede IVG (Instituto Padre Vilson Groh).

    Além de projetos como o Rito de Passagem e Jovem Aprendiz, desenvolvidos no contraturno escolar na sede da instituição (bairro Balneário, região continental da Capital), mantém a Casa de Acolhimento Darcy Vitória de Brito. Localizada no Monte Serrat, no mesmo local de origem do CCEA há cerca de 10 anos, a Casa oferece acolhimento institucional para 20 crianças e adolescentes entre 0 e 18 anos, conforme princípios, diretrizes e orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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