Um caminhoneiro de 62 anos de uma transportadora de Santa Catarina foi cercado por um grupo de funcionários de um posto de combustível, retirado da cabine do caminhão e agredido, no município de Mimoso do Sul, no Espírito Santo. O caso veio à tona depois de vídeos circularem nas redes sociais, mostrando toda a ação violenta dos funcionários, que aconteceu na quarta-feira (1°).

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As imagens mostram o motorista ainda dentro da cabine, enquanto os funcionários discutiam com ele. De repente, um homem tenta entrar no caminhão para agredi-lo, enquanto pela porta do caroneiro, outro funcionário do posto entra e aplica uma chave de braço nele.

Depois, o motorista é retirado do caminhão e já aparece caído no pátio do posto. O motivo da discussão seria, segundo a transportadora Fontanella Transportes, que tem sede em Lauro Müller, porque o caminhoneiro não conseguiu abastecer.

— Ele estava parado em um posto credenciado e queria fazer o abastecimento. Porém, nossos caminhões bloqueiam às dez horas da noite, ele não teve como levar o caminhão para a bomba e faria o abastecimento hoje pela manhã. O posto não tolerou, disse que teria que abastecer naquele momento — disse Ramires Fontanalla, diretor da transportadora à NSC TV.

No dia seguinte, o caminhoneiro procurou a Polícia Rodoviária Federal, mas como não houve flagrante, o homem recebeu a orientação de abrir um boletim de ocorrência contra a agressão. De acordo com a transportadora, providências serão tomadas contra a rede de postos, e reiterou que a agressão é “inaceitável”.

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Por meio das redes sociais, o delegado geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que está em contato com o delegado José Darcy dos Santos Arruda, responsável pelo órgão no Espírito Santo, e que pediu uma “apuração rigorosa do caso”.

Em nota, a rede de postos afirmou que acompanhará a apuração dos fatos pelas autoridades competentes, e que repudia qualquer tipo de violência. A empresa afirmou que um colaborador foi vítima de agressão pelo motorista durante a discussão, sofrendo uma fratura facial, e que ele ainda teria perdido a visão, estando hospitalizado.

A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) publicou uma nota de repúdio contra o episódio. Veja a nota completa abaixo:

“Para a Fetrancesc, trata-se de um fato inaceitável, que fere a dignidade do trabalhador e atinge todo o setor do transporte rodoviário de cargas. Motoristas profissionais, essenciais para a economia do país, não podem ser submetidos a situações de violência e desrespeito.

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O caso evidencia a falta de pontos de parada seguros e reforça o grave déficit de motoristas no Brasil e em Santa Catarina. A Lei 13.103/2015 (Lei do Motorista) assegura descanso ininterrupto de 11 horas, mas como cumprir a lei se não há segurança para isso? Episódios como este desestimulam ainda mais a permanência e a entrada de novos profissionais na categoria.

A Fetrancesc cobra medidas urgentes para ampliar áreas de parada seguras, fiscalizar práticas abusivas e garantir condições dignas aos motoristas.

A Federação reitera sua solidariedade ao motorista Evander Godinho, à sua família e à Fontanella Transportes, ao mesmo tempo em que pede providências para que casos como este não voltem a se repetir. A entidade reforça que, sem respeito ao motorista, não há transporte eficiente nem desenvolvimento sustentável para o Brasil.

Dagnor Schneider, presidente da Fetrancesc”

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