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    Cervejarias de SC zeram produção por conta do coronavírus e estimam prejuízo milionário

    Empresas projetam meses de abril e maio com pouca ou nenhuma venda e retomada a partir de junho

    01/04/2020 - 08h06 - Atualizada em: 01/04/2020 - 08h08

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    Cervejarias sem linha de envase serão as que mais vão sentir, avalia associação.
    Cervejarias sem linha de envase serão as que mais vão sentir, avalia associação.
    (Foto: )

    Sem bares, sem restaurantes e sem festas para abastecer, as cervejarias artesanais de Santa Catarina projetam o primeiro semestre perdido e recuperação gradual apenas a partir de julho. Com produção zerada a partir de abril, empresários do setor cervejeiro do Estado falam em prejuízos “na casa dos milhões” e buscam alternativas para minimizar os impactos do novo coronavírus durante o decreto que restringe comércio e serviços em SC.

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    Na Cerveja Blumenau — que produz, em média, 120 mil litros por mês —, quase todos funcionários da área de fabricação já receberam férias e a empresa mantém um mínimo de pessoal in loco em plantão. Isso porque há alguns tanques de fermentação e maturação que ainda têm o produto que, embora não vá ser vendido imediatamente, não pode simplesmente ser jogado fora.

    Na avaliação de Valmir Zanetti, diretor da cervejaria que emprega cerca de 40 pessoas em Blumenau, é preciso ser realista em meio ao cenário da Covid-19 e considerar que os seis primeiros meses do ano já foram por água abaixo.

    — Já consideramos que o semestre se foi. Temos que terminá-lo com algum cenário de reabertura, para aí sim recuperar bem de julho em diante. Quanto à produção, não adianta fazer nada agora. Temos um pouco em estoque e não adianta eu tirar dinheiro do caixa agora para produzir e deixar armazenados sem nem saber quando e como vou vender — analisa Zanetti.

    Produção zerada

    Com produção também na casa dos 120 mil litros mensais, a Schornstein, de Pomerode, vem diminuindo o ritmo desde o último dia 13 de março e nesta semana zerou completamente a fabricação. A cervejaria tem 70 colaboradores na unidade de Pomerode — entre bar, fábrica e loja — e neste momento se preocupa não apenas com o cenário, mas também para não perder os produtos que estão nos tanques.

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    Para o sócio-fundador da cervejaria, Maurício Zipf, a metade trabalhada de março foi suficiente para “pagar as contas” — digamos assim —, mas os dois meses que virão pela frente serão um obstáculo.

    — Hoje qualquer projeção é na base do achismo. Temos reuniões de diretoria a cada 48 horas, conversas, trocas de ideia, mas tudo que a gente imagina agora, amanhã vai mudar. São variáveis incontroláveis. Preocupação hoje é não perder o que temos em estoque e aquilo que está nos fermentadores e maturadores — explica Zipf.

    Delivery é opção para garantir o mínimo de faturamento

    Em meio à crise, muitas cervejarias do Estado estão buscando alternativas para ter vendas durante a pandemia. O delivery vem sendo uma opção para muitas, porém o fato de não ser um item essencial — como alimentos, por exemplo —, gera restrição no consumo. Para Alexandre Mello, presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc), as empresas com produção mensal pequena vão ser as que mais irão sofrer com esse cenário.

    — Grande parte dos clientes dessas cervejarias menores são bares e restaurantes, que estão fechados. Aquelas que querem manter o mínimo de faturamento fazem delivery, seja em parceria com restaurantes, ou então até com a entrega direta na casa do cliente. Mas as que não têm linha de envase em garrafas devem passar por dificuldades — prevê Mello.

    Outro detalhe que deixa as cerca de 120 microcervejarias de SC cautelosas é quanto à evolução das vendas pós-crise. O entendimento é de que a cerveja não é um item essencial, o que pode fazer com que a curva da demanda seja mais lenta do que outros produtos e serviços.

    — A cerveja artesanal não está no topo das prioridades. Mesmo com o país voltando, alguns setores demoram para a acelerar — aponta Maurício Zipf.

    — O próprio público vai demorar para consumir. Se tudo der certo, quando começar a normalizar ainda chegará o tempo frio que, historicamente, gera uma queda na venda para as microcervejarias — completa Alexandre Mello.

    E enquanto as empresas convivem com o período turbulento, os receios não são somente com os prejuízos, na avaliação de Valmir Zanetti:

    Temos que pensar nas pessoas, manter o astral, mantê-las animadas. Os funcionários ficam preocupados porque, claro, todos são chefes de família. Mas uma hora vai passar, e quanto passar nós temos que estar prontos.

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