Durante décadas, o ranking de carros mais vendidos no Brasil parecia ter personagens quase fixos. Fiat, Chevrolet, Volkswagen, Toyota e Renault se revezavam entre liderança, disputas por pódio e brigas por segmentos estratégicos. Só que uma marca chinesa entrou nessa conversa em alta velocidade.

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A BYD deixou de ser vista apenas como uma fabricante de elétricos caros e passou a incomodar em lugares bem mais populares do mercado. O movimento aparece nos números: em 2022, Fiat, Chevrolet, Volkswagen, Toyota e Renault ocupavam posições importantes no ranking de automóveis e comerciais leves. Já no acumulado até maio de 2026, a BYD aparece com 7,08% de participação, à frente de Toyota e Renault no ranking geral de automóveis e comerciais leves.

A comparação exige cuidado. Não dá para dizer que cada carro vendido pela BYD saiu diretamente da garagem de uma dessas marcas. Mas os dados mostram que o avanço da fabricante chinesa aconteceu justamente em faixas muito sensíveis: hatches urbanos, SUVs, híbridos e elétricos.

1. Chevrolet

Ideia da montadora é posicionar o Onix Activ em uma lacuna entre SUVs e hatches médios
Ideia da montadora é posicionar o Onix Activ em uma lacuna entre SUVs e hatches médios (Chevrolet, divulgação)

A Chevrolet aparece no topo do ranking por um motivo simples: foi a maior perda de participação entre as cinco marcas analisadas. A fabricante tinha 14,89% do mercado de automóveis e comerciais leves em 2022 e aparece com 10,38% no acumulado até maio de 2026.

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A marca ainda segue forte e mantém modelos muito relevantes, como Onix e Tracker. Mas a chegada de modelos eletrificados e SUVs da BYD criou um novo tipo de concorrência. O consumidor que antes olhava apenas para um compacto automático ou SUV turbo passou a comparar preço, tecnologia, consumo e até status de eletrificação.

2. Toyota

Toyota Corolla Cross representa a aposta da marca japonesa em SUVs e versões híbridas no mercado brasileiro (Toyota, divulgação)

A Toyota talvez seja o caso mais simbólico. A marca japonesa construiu uma imagem fortíssima no Brasil com confiabilidade, Corolla, Hilux e híbridos. Só que a BYD cresceu justamente no campo em que a Toyota parecia ter vantagem: o discurso da eletrificação.

Em 2022, a Toyota tinha 9,77% de participação. No acumulado até maio de 2026, aparece com 5,96%, atrás da BYD no ranking geral.

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Esse recorte torna a disputa curiosa. A Toyota ainda tem peso enorme, especialmente com Corolla, Corolla Cross, Hilux e Yaris Cross. Mas a BYD virou a marca que muitos consumidores associam imediatamente a carro elétrico ou híbrido plug-in.

3. Renault

Renault Kwid aparece entre os compactos pressionados pela chegada de novos modelos eletrificados ao Brasil (Renault, divulgação)

A Renault é pressionada por outra ponta: o carro mais acessível. Durante anos, o Kwid foi uma das respostas para quem queria um zero-quilômetro barato. Só que a BYD conseguiu colocar o Dolphin Mini no imaginário de quem procura um carro urbano diferente, econômico e com apelo tecnológico.

Em maio de 2026, o BYD Dolphin Mini apareceu entre os automóveis mais emplacados do mês, à frente do Renault Kwid no ranking da Fenabrave. O relatório mostra o Dolphin Mini com 7.577 unidades no mês, enquanto o Kwid registrou 5.237.

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No acumulado geral, a Renault saiu de 6,47% de participação em 2022 para 4,82% até maio de 2026.

4. Fiat

A Fiat continua sendo a grande força do mercado brasileiro. A Strada sustenta boa parte dessa liderança, e a marca ainda tem Argo, Mobi, Pulse, Fastback, Toro e Fiorino em segmentos importantes. Mesmo assim, a presença da BYD muda a conversa.

A Fiat tinha 21,97% do mercado em 2022 e aparece com 20,19% no acumulado até maio de 2026. A queda é menor que a de Chevrolet, Toyota e Renault, mas existe.

O ponto aqui não é dizer que a BYD ameaça a liderança da Fiat de imediato. O ponto é outro: a chinesa começou a disputar a atenção do consumidor em áreas que antes pareciam muito protegidas, como carros urbanos e SUVs familiares.

5. Volkswagen

Volkswagen T-Cross é um dos modelos que sustentam a presença da marca alemã entre os SUVs mais vendidos do Brasil (Volkswagen, divulgação)

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A Volkswagen é a exceção do ranking. Pelos números gerais, ela não perdeu participação entre 2022 e o acumulado de maio de 2026. Pelo contrário: saiu de 13,75% para 16,29%.

Mesmo assim, faz sentido mantê-la na lista como a marca mais pressionada pelo avanço da BYD entre os automóveis. Em maio de 2026, a BYD teve 10,11% de participação apenas entre automóveis no mês, enquanto a Volkswagen liderou esse recorte com 18,43%. No acumulado do ano, a BYD já aparece com 8,87% entre automóveis.

A Volkswagen ainda tem Polo, T-Cross, Nivus, Virtus e Tera como trunfos. Mas a BYD colocou Dolphin Mini, Song e Dolphin no radar de quem antes comparava apenas modelos tradicionais.

O que a BYD mudou no jogo

A virada não está apenas no volume. O efeito BYD mexe com percepção de valor. Carro elétrico deixou de parecer algo distante. Híbrido plug-in virou argumento de compra. Tecnologia embarcada, tela grande e promessa de baixo custo por quilômetro passaram a pesar mais na decisão.

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No ranking de automóveis de maio de 2026, a BYD colocou três modelos entre os 15 primeiros: Dolphin Mini, Song e Dolphin. Isso ajuda a explicar por que marcas tradicionais passaram a olhar a fabricante chinesa menos como curiosidade e mais como concorrente direta.

A disputa ainda está longe de acabar. Fiat e Volkswagen seguem muito fortes, Chevrolet mantém volume, Toyota tem uma clientela fiel e Renault tenta se reposicionar. Mas a BYD já conseguiu algo raro: entrou em um mercado dominado por nomes antigos e obrigou todo mundo a olhar para o retrovisor.