As chuvas de granizo podem ocorrer ao longo de todo o ano em Santa Catarina, mas, historicamente, não apresentam o mesmo comportamento em todas as estações nem atingem as regiões com a mesma intensidade. O alerta é da Defesa Civil, que monitora constantemente esse tipo de fenômeno associado a tempestades severas.

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O coordenador da Regional de Xanxerê da Defesa Civil, Luciano Peri, esclarece que dados do Perfil Histórico de Desastres de Santa Catarina (PPDC), que analisou ocorrências relacionadas a granizo entre 1995 e 2019, trazem visões sobre as ocorrências. Segundo ele, não se trata de uma climatologia, mas sim de um levantamento histórico de registros oficiais.

De acordo com o estudo, o período do ano com maior propensão à ocorrência de granizo é a primavera, especialmente entre os meses de setembro e novembro, sendo outubro o mês com maior número de registros.

Em relação às regiões do estado, o granizo pode ocorrer em todas, sem grande disparidade no número de registros. No entanto, os Planaltos e o Grande Oeste catarinense se destacam pela presença mais frequente do fenômeno.

Como ocorre a formação do granizo

O granizo se forma no interior de nuvens de grande desenvolvimento vertical, chamadas de Cumulonimbus, típicas de tempestades severas. Dentro dessas nuvens, correntes de ar ascendentes muito fortes levam gotículas de água para regiões mais altas da atmosfera, onde as temperaturas são abaixo de zero.

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Essas gotículas congelam e passam a circular dentro da nuvem, sendo lançadas repetidamente para cima e para baixo. A cada ciclo, novas camadas de gelo se acumulam, fazendo com que as pedras de granizo aumentem de tamanho. Quando o peso supera a força das correntes ascendentes, o granizo cai em direção ao solo, podendo causar danos significativos.

É possível prever a ocorrência de granizo?

Segundo a Defesa Civil, é possível prever a possibilidade de granizo, mas não com precisão absoluta de local e intensidade, devido ao comportamento altamente dinâmico das tempestades severas.

Os sistemas de monitoramento meteorológico, como radares meteorológicos, imagens de satélite e modelos numéricos de previsão do tempo, permitem identificar condições favoráveis à formação de granizo com antecedência que varia de algumas horas até 24 a 48 horas, dependendo do cenário atmosférico.

Já a confirmação da tempestade com potencial para granizo costuma ocorrer com poucas horas ou até dezenas de minutos de antecedência, principalmente por meio do radar meteorológico, que identifica nuvens com grande desenvolvimento vertical. No chamado nowcasting, o radar permite observar indícios de granizo na atmosfera com base na refletividade do equipamento.

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Por isso, a Defesa Civil reforça a importância do monitoramento contínuo e da emissão de alertas preventivos, além do cadastro da população nos sistemas de alerta.

Orientações em caso de granizo severo

Em situações de queda intensa de granizo, a Defesa Civil orienta que a população adote as seguintes medidas de segurança:

  • Procure abrigo imediatamente, permanecendo em edificações seguras
  • Afaste-se de janelas, portas de vidro, claraboias e telhados frágeis
  • Se estiver dirigindo, pare o veículo em local seguro, longe de árvores, postes e estruturas que possam cair
  • Não se abrigue sob árvores, devido ao risco de queda de galhos e descargas elétricas
  • Após o evento, evite áreas atingidas até a avaliação das equipes, especialmente locais com telhados danificados ou fiação exposta

Em caso de danos, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 e comunicar a Defesa Civil do município para registro e orientações.

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