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Ciclista do Avaí morto em atropelamento se preparava para o Parapan deste ano

Treinador e amigo conta que Edinho era extremamente dedicado aos treinos  

03/05/2019 - 17h23 - Atualizada em: 03/05/2019 - 18h11

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Redação
Por Redação DC
Edinho estava há 16 anos em Florianópolis e acumulava bons resultados no ciclismo e como guia no paraciclismo
Edinho estava há 16 anos em Florianópolis e acumulava bons resultados no ciclismo e como guia no paraciclismo
(Foto: )

O ciclista Edson Luiz de Rezende, 33 anos, o Edinho, estava empolgado com a possibilidade de disputar novamente os Jogos Parapan-Americanos, que ocorrem em agosto, em Lima, no Peru. Na mesma competição em 2015, ele e o paratleta Luciano da Rosa conquistaram a medalha de bronze. Edinho morreu na manhã desta sexta-feira (3) ao ser atropelado por um caminhão quando treinava na marginal do km 202 da BR-101, em São José, na Grande Florianópolis.

O treinador e coordenador de ciclismo do Avaí, Diones Chinelatto, conheceu Edinho há 16 anos, quando ele veio do interior de São Paulo para Florianópolis. Na época, o atleta já competia pelo Paraná e fez um teste na equipe de ciclismo do Avaí. Acabou aprovado e, desde então, os dois estabeleceram uma relação de amizade que ultrapassou os treinos de bicicleta.

A relação de Edinho com o paradesporto veio mais tarde, em 2013. O atleta passou a atuar como guia em bicicletas de dois lugares usadas nas competições de paraciclismo, ajudando ciclistas com deficiência visual que disputam a modalidade.

Dois anos depois, já colheu os primeiros frutos da mudança ao conquistar a medalha de bronze com Luciano da Rosa, que sofre de deficiência visual.

Além dele, o ciclista também treinava como guia de Ourides Lima, também deficiente visual. Era Ourides que estava com Edinho no momento do acidente desta sexta. Ele sofreu ferimentos leves e chegou a ligar para amigos informando do acidente e pedindo ajuda.

— Ele era movido a desafios. Uma pessoa muito feliz, que adorava treinar. O desafio de poder representar o Brasil e competir internacionalmente foi o que levou ele a decidir atuar no paradesporto — conta o amigo Diones.

Edinho também trabalhava como professor em uma escola de ciclismo de São José e estava empolgado com a possibilidade de disputar um Parapan-Americano deste ano.

Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, ele estava na pré-lista da modalidade, que deve definir os convocados em 15 de junho. Edinho também foi campeão catarinense no individual e atual tetracampeã brasileira de paraciclismo.

Alegria e bom humor são principais lembranças de amigo

Quando não estava pedalando, Edinho gostava de ficar em casa com a família ou às vezes ir à praia. Aproveitava o tempo para descansar e se preparar para as provas. Na quinta-feira, Diones encontrou o amigo na ciclovia da Beira-Mar, os dois pedalando em direções opostas.

O treinador convidou Edinho para pedalar, mas ele respondeu que já tinha um treino marcado com o paratleta Ourides na manhã desta sexta. Combinaram, então, pedalar no sábado, em São Pedro de Alcântara, um dos locais favoritos de Edinho.

— Era um menino de ouro, batalhador, que lutou e venceu. Perdê-lo de maneira tão prematura, com 33 anos, no auge da vida... A lembrança que fica é da alegria, de vê-lo sempre disposto, bem-humorado, sem tempo ruim, vivendo bem cada dia — relembra o amigo.

O Avaí, clube pelo qual Edinho competia, emitiu nota de pesar lamentando a morte do atleta.

— É uma perda irreparável para o ciclismo catarinense e brasileiro. Sempre dedicado, um grande vencedor — afirmou em nota o presidente do Avaí, Francisco José Battistotti.

Edinho não tinha filhos, mas deixa a companheira, um enteado de 10 anos e uma irmã de 16 que morava com ele na Capital. O velório ocorre na capela mortuária do bairro Itacorubi, em Florianópolis, e a cerimônia de cremação será na tarde de sábado, no Crematório Catarinense.

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