A emoção, a fé e a força da tradição voltam a tomar conta de Guabiruba nesta semana. Um dos maiores espetáculos culturais e religiosos de Santa Catarina sobre a Paixão de Cristo chega à 25ª edição, marcada por uma produção grandiosa. Realizada pela Associação Artístico-Cultural São Pedro, a encenação será apresentada no pátio da Igreja São Cristóvão, no bairro Aymoré, reunindo mais de 500 voluntários entre elenco, figurino, maquiagem, produção, cenografia e equipes de apoio.

Continua depois da publicidade

A apresentação de “Paixão e Morte de um Homem Livre” ocorre na quinta-feira (2), às 20h30min, e na Sexta-Feira Santa (3), às 19h30min. Para este ano, restam ingressos apenas para a sessão de quinta-feira. Os bilhetes para sexta se esgotaram em menos de um mês após o início das vendas. São 4,5 mil ingressos disponibilizados por noite, o que reforça a dimensão do espetáculo e a expectativa de público.

A montagem ocupa uma área de mais de 620 metros quadrados e recebeu investimento superior a R$ 500 mil. O valor contempla estrutura, equipamentos técnicos, cenários, materiais, alimentação e toda a logística necessária para colocar a apresentação em pé. Os recursos vêm da Lei de Incentivo à Cultura, por meio da Lei Rouanet, de convênio com a prefeitura de Guabiruba e do apoio de patrocinadores que adquirem cotas de patrocínio.

Dois anos de trabalho para espetáculo da Paixão de Cristo

O espetáculo é realizado de forma bienal, mas o trabalho nunca para. Assim que uma edição termina, começa o planejamento da próxima. O texto, a concepção artística e todo o projeto da apresentação seguinte começam a ser desenvolvidos logo após o encerramento do evento anterior. O processo se estende por aproximadamente dois anos e ganha intensidade a partir de janeiro do ano da apresentação.

Continua depois da publicidade

Nesta edição, o público verá uma mudança importante na narrativa. O diretor teatral Marcelo Carminatti decidiu substituir o formato tradicional de narrador único e dar protagonismo aos Três Reis Magos, que passam a conduzir a história. A releitura cria novas conexões entre as cenas, amplia as possibilidades de interação e traz momentos inéditos à encenação, sem deixar de lado a essência da trajetória de Cristo.

Voluntários mantêm viva tradição

Todo o elenco da “Paixão e Morte de um Homem Livre” é formado por voluntários. A cada edição, a organização abre um cadastro para moradores de Guabiruba e da região interessados em participar. A distribuição dos papéis busca incluir o maior número possível de pessoas. Já os personagens centrais são definidos pela direção com base na experiência e no perfil de cada participante.

O cuidado com os detalhes também chama atenção. Aproximadamente 300 peças de figurino foram produzidas e adaptadas especialmente para o espetáculo. Uma equipe de voluntários é responsável por confeccionar roupas e adereços, enquanto itens como armaduras, cintos e acessórios são adquiridos para complementar a caracterização.

A maquiagem e a preparação do elenco exigem uma operação à parte. Diferentes equipes trabalham simultaneamente para atender centenas de participantes, principalmente nas cenas de maior impacto visual, como a crucificação e a ressurreição. A cenografia completa a experiência ao transformar o pátio da igreja em um grande palco a céu aberto. Os cenários recriam diferentes momentos da história e ajudam a transportar o público para dentro da narrativa.

Continua depois da publicidade

Muitas das pessoas envolvidas na construção do espetáculo participam há anos da produção. É esse vínculo entre fé, arte e comunidade que ajuda a explicar por que a encenação segue mobilizando gerações e lotando as apresentações.